A necessidade de filmes sobre internet no cinema nacional

Checar as novidades dos amigos no Instagram. Publicar aquele textão de viés político-partidário no facebook. Assistir ao lançamento mais recente do Youtuber favorito. E, claro, comunicar-se pelo WhatsApp com muito mais frequência do que fazer/receber ligações. Pois é, as redes sociais implantaram-se no nosso cotidiano de tal forma que é impossível nos imaginar sem elas.

Cinema nacional parece estar viciado em redes sociais, assim como nós

Outras plataformas, como a Sétima Arte, correm atrás do tempo de forma a abraçar seus conteúdos à dinâmica das redes sociais. No entanto, ao mesmo tempo que as pessoas parecem estar tão viciadas no mundo digital, parece que o cinema brasileiro também está assim. De outubro de 2016 até hoje, foram lançados quatro filmes sobre o tema (ou com personalidades das redes sociais) no cenário mainstream nacional, que não é tão renovador como Hollywood. Nesse sentido, não é mera coincidência o pequeno intervalo entre os lançamentos de É Fada (out/16), Eu Fico Loko (jan/2017), Internet – O Filme (fev/2017) e Amor.com, que estreia na próxima quinta-feira, 1° de junho. Confira, a seguir, alguns motivos que levam o nosso cinema a apostar nesse tipo de produção.

Declínio das comédias

As comédias dominaram o cinema nacional nos últimos anos. O sucesso do gênero promoveu, inclusive, franquias, como Até que a Sorte nos Separe e Minha Mãe é uma Peça. No entanto, em 2016, as comédias brasileiras, que já não fazem tanto sucesso com a crítica, viram o seu fiel público ir por água abaixo. Por exemplo, o filme dos comediantes que integram o grupo Porta dos Fundos, Porta dos Fundos – Contrato Vitalício, não alcançou nem 500 mil pagantes. Se não fossem as continuações citadas anteriormente, o ano que passou seria considerado um fiasco para o gênero, e 2017 parece trilhar o mesmo caminho: o recém Ninguém Entra Ninguém Sai, filme baseado em uma crônica de Veríssimo, não alcançou, até o fechamento desta matéria, nem 500 mil pagantes; e TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva, filme estrelado por Tatá Werneck que estreou em fevereiro, passou por pouco dessa marca.

‘Porta dos Fundos – Contrato Vitalício’: um fiasco

Filmes sobre a internet atraem toda a família

O público majoritário dos Youtubers e das celebridades da internet é o público infanto-juvenil. Como eles dependem de um suporte financeiro e da responsabilidade de seus responsáveis, atingir esse público atrai mais pessoas às salas de cinema. É fada, filme protagonizado pela youtuber Kéfera Buchman, alcançou quase 2 milhões de espectadores, e Eu Fico Loko, cinebiografia de Christian Figueiredo lançada no início do ano (período de férias), levou 500 mil pagantes para as telonas na curta passagem que teve nos cinemas. Já Amor.com, cuja pré-estreia promovida pela Cinépolis Natal e InterTV Cabugi ocorreu na semana passada, promete conquistar esse público também a partir do dia 1º de junho. Apesar de não contar com nenhuma celebridade da internet em seu elenco, o filme fala sobre um relacionamento amoroso nos tempos da internet que não parece ter nada para dar certo: acontece entre uma influenciadora de moda do Instagram, interpretada por Isis Valverde, e um Youtuber nerd, vivido pelo ator Gil Coelho, ex-malhação.

‘Internet – O Filme’: Youtubers contracenam com atores

Ao mesmo tempo que explica os sucessos, também explica os fracassos. Internet – O Filme, longa de Rafinha Bastos que contou com nomes como Thaynara OG e PC Siqueira, teve a classificação indicativa para maiores de 14 anos devido aos palavrões ao longo do filme, impossibilitando, assim, que crianças e pré-adolescentes assistissem ao longa. Com a grande quantidade de Youtubers e influenciadores das mídias sociais presente, esperavam-se cifras volumosas de público, mas o filme não chegou a alcançar nem 1 milhão de espectadores.

Youtubers e influenciadores fazem o papel de si

Nesses filmes, a participação dos Youtubers nos filmes resume-se a papéis nos quais atuam como eles mesmos. A única exceção é É Fada, no qual Kéfera interpreta o ser que dá nome ao filme. Nesse sentido, o público infanto-juvenil lota as salas para encontrar exatamente as mesmas figuras que veem nas mídias digitais. Essa opção pode ser adequada para atrair público, mas impossibilita que essas produções tornem-se produções de excelência em se tratando de aspectos técnicos (roteiro, atuação, fotografia, dentre outros critérios). Em resumo, explorar os Youtubers fazendo o papel de si mesmos transforma esses filmes, tão somente, em vídeos da internet de longa duração.