Cassandra Claire e suas protagonistas poderosas

Provavelmente vocês já ouviram falar de Shadow Hunters (nem que seja a série da Netflix, como foi meu caso). Primeiro, descobri a série. Depois, descobri que existe um universo incrível nesse mundo, e comecei a desbravar todos os livros da autora, Cassandra Claire. Até então, são duas trilogias e uma hexalogia, além de alguns livros avulsos contando histórias específicas (como as que J.K fez em relação ao mundo de Harry Potter). Ainda não vou fazer minha resenha desses livros incríveis, mas, por hora, gostaria que vocês conhecessem as três protagonistas maravilhosas dessas histórias que se entrelaçam.

Tessa, Clary e Emma. Estas são as personagens chave de cada episódio das séries, e, apesar de serem protagonistas de histórias passadas em tempos diferentes, acabam se cruzando em outros momentos específicos nas coleções dos caçadores de sombras.

Theresa Gray – A Prudente (As Peças Infernais)

Esta é a matriarca de uma nova geração de Herondales (família conhecida em Idris – A Capital dos caçadores) que começa bem sem sal, mas logo se descobre uma mulher incrível e admirável ao longo da trilogia. Primeiro como uma menina muito recatada do século 19, depois como uma poderosa feiticeira e, por fim, como uma doce e extremamente amada amiga e esposa. É incrível como uma personagem que teria tudo para ser quase invisível acaba crescendo aos olhos do leitor, justamente porque ela surge como um livro em branco.

Nós descobrimos Tessa Gray ao passo que ela mesma se descobre, e isso faz criar uma ligação forte com essa menina tão educada e obediente. Das três, é a que me traz maior admiração, pela sabedoria, paciência e total dedicação aos que ama, sem sobrepor os próprios limites. Inicialmente, ela se envolve no mundo dos caçadores de sombra para buscar o paradeiro do seu irmão, e aos poucos vê que aquele era o lugar onde ela deveria pertencer. Sem dúvida é a mais madura das meninas. Embora todas tenham sido protagonistas com a mesma idade (entre 15 e 17 anos), a maturidade das três retrata bem a época de onde vieram e, tendo nascido no século passado, Tessa muitas vezes pode até parecer subserviente demais, principalmente no que se refere ao seu irmão e ao hábito da mulher (nada que não se espere de uma personagem de época), porém, para os moldes daquele século, ela não esconde quem é, principalmente no que se trata de paixões. Entre o primeiro e o terceiro livro, seu crescimento é fantástico. A menina assustada se revela a feiticeira conhecida por séculos além no mundo dos caçadores de sombra.

Clarissa Fairchild – A protetora (Os Instrumentos Mortais)

Preciso dizer que ao longo dos seis livros dos Instrumentos Mortais, a personagem foi caindo de conceito relativamente rápido pra mim. Clary começou sensata, prudente e até bem coerente com a realidade que estava sendo inserida, até se mostrar uma adolescente totalmente irresponsável e inconsequente (ou, basicamente, uma adolescente). Isso seria qualificado como normal se não fosse o fato dela ter exatamente a mesma idade das demais personagens e, infelizmente, cair nas teias da comparação.

A falta de maturidade da personagem pode ser qualificada por inúmeras razões familiares (filha única, enganada pela mãe, escondida de um mundo que se forçava a aparecer diante de seus olhos e etc.), mas, novamente, não seria justo com as demais, que também tiveram suas próprias tragédias familiares. Clary chega a ser suicida diversas vezes, agindo “por amor”. Um amor que você pode jurar que é de anos, mas, ao analisar realmente o livro, entende que são semanas ou meses. Por fim, como todas as demais, nossa ruivinha cativa pelo coração enorme. Sim, suicida e louco, mas muito focado na proteção sem tamanho das pessoas que ama. E o mais legal é que nos anos seguintes (como mostram em “O Artifício das Trevas”) ela finalmente se torna uma adulta muito mais prudente, inteligente e não menos interessante ou apaixonada.

Emma Castairs – A guerreira (Os Artifícios das Trevas)

Se eu tivesse que escolher a personagem mais sensacional de todas, seria ela. Eu me apaixonei na cena em que ela tinha 12 anos, perdeu os pais e chorou abraçada com a sua espada, Cortana, que era tudo que lhe restava de lembrança mais profunda de uma vida que acabava de perder. Não é novidade que a personagem se parece muito com Jace Herondale (o ícone do mundo dos caçadores), principalmente por sua história e desde sua primeira aparição, porém, ela vai muito além. Em uma das conversas com Cristina (sua melhor amiga), em que ela é dita como a nova “Jace” no mundo dos caçadores, ela diz, humildemente, que não poderia, pois, ao contrário de Jace, ela não possui nenhum dom sobrenatural além do que qualquer outro caçador teria. E isso torna seu diferencial. Ela é aquela mulher que não cansa de lutar para ser a melhor! Não pelo ego, mas para defender aqueles que ama e descobrir o que aconteceu com seus pais. Ela possui o bom humor adolescente que falta em Tessa e Clary, mas também tem uma boa dose de imprudência com a própria vida, que caracteriza não apenas os caçadores de sombra, mas aqueles que “não têm o que perder”.

E aí, o que achou dessas mulheres? Lembrando que todos os livros possuem personagens muito boas, que fazem valer boa parte das histórias. Simon, Izzy, Magnus Bane, Cristina Rosas, Tiberius, Will Herondale, Charlotte Fairchild e tantos outros. E uma característica bônus da autora é que ela não tem tabus. Entre seus personagens, temos gays, lésbicas, trans, relacionamentos abertos, trisal… e tudo visto de maneira natural e sem diminuir nenhuma qualidade dos personagens. Fantástico, né?

Agora corre! Vai ler logo “As peças infernais”!