Como será a relação da música com o TikTok?

A nossa relação com a música vem mudando com o passar dos anos. Antigamente, costumávamos consumir música ao vivo, depois via LP, via fita cassete, via CD, então vieram as versões digitais que colocamos dentro dos nossos MP3 Player, e agora via streaming. Em pleno 2020, no decorrer da pandemia, a nossa forma de consumir novos artistas vem se transformando mais uma vez e isso tudo se dá através do aplicativo TikTok.

Conhecido antigamente como “Musical.ly”, o aplicativo se tornou o principal alvo de adultos e jovens do mundo inteiro. Atraídos pelos vídeos de humor, dublagens e dancinhas, o app se tornou o mais baixado no Brasil superando outros gigantes, chegando à marca de 2 bilhões de downloads, segundo dados coletados pela SensorTower.

Mas como o aplicativo tem mudado a nossa relação com a música e principalmente com a indústria fonográfica como um todo? Isso se dá por conta do grande número de pessoas presentes no aplicativo, e a forma como o algoritmo funciona dentro dele, afinal os novos vídeos que são postados com músicas que estão no trend têm mais chance de viralizar do que qualquer outro tipo de conteúdo.

O Bonde R300 bombou em outros países com o funk “Oh Nanana” antes de explodir no Brasil

O viral de um challenge com uma música faz com que ela se espalhe muito rápido em diversos territórios. Por exemplo, o funk “Oh Nanana”, do Bonde R300 que primeiro bombou na Ásia e só depois de algum tempo fez sucesso no Brasil. Esse é um dos pequenos exemplos do que acontece com alguns sons no TikTok. A mesma coisa aconteceu com “Old Town Road”, de Lil Nas X, nesse exemplo o artista postou primeiramente a música no SoundClound e disseminou o som como meme em outras plataformas. Após isso migrou alguns remixes para o TikTok. Com o tempo a música se transformou num desafio e foi repetido milhares de vezes, até que chegou aos ouvidos de Billy Ray Cyrus. Após isso, é história, Lil ficou em primeiro em vários países e foi indicado a diversos prêmios, chegando a vencer um Grammy no ano passado.

Isso tem acontecido também com outros artistas, como The Weeknd, Doja Cat, Ludmilla. Além disso, músicas que fizeram sucesso num passado não tão distante estão sendo revividas graças ao aplicativo. Muitas destas canções estão entrando novamente em listas importantes no mundo da música, como o Hot 100 Billboard.

Mas o que faz uma música viral na plataforma?

Assim como se faz com os samples de música, a lógica de um viral no TikTok segue da mesma maneira. Um trecho, um beat ou refrão muito interessante fazem com que a música viralize. Esses pequenos instantes vão partir inteiramente do usuário, se ele achar que aquele ponto rende uma situação engraçada ou uma coreografia inusitada, isso vai acontecer sem a menor dúvida.

Mas é a partir desse pensamento que os artistas e gravadoras tanto do mainstream quanto do independente estão criando as suas estratégias para bombar no TikTok. E ao entender a “fórmula”, a produção musical parte deste princípio de criar esse pequeno instante de 15, 30 ou 60 segundos. Tem também quem solte um trecho do single antes do lançamento oficial dentro do app, outros apostam em inserir também uma coreografia para acompanhar o trecho em específico.

Também pelas consequências do Covid-19, com as pessoas tendo mais tempo livre, o aplicativo tem ganhado cada vez mais notoriedade e usuários e promete vingar por diversos motivos que atraem muita gente. O algoritmo aparentemente mais justo que beneficia os usuários que desejam ser futuros influenciadores digitais, os músicos com possibilidade de viralizarem um som por conta dos challenges, fora as facilidades na hora de gravação, postagem e compartilhamento de qualquer conteúdo.

A fórmula tem dado certo e isso, sem dúvidas, vai mudar a forma como encaramos a indústria fonográfica e as redes sociais como ferramenta de divulgação de qualquer arte. Vamos ficar de olho como a difusão de novas músicas vai ser daqui pra frente.


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