Tenho me dedicado muito em ouvir coisas mais diferentes durante a quarentena, mas sempre tem algo/alguém que me puxa de volta aos meus gêneros musicais favoritos. Quando não estou viajando em novas misturas nacionais e internacionais, eu dou uma chance e revisito algo bem perto do que costumo consumir todos os dias. Dessa vez foi o pop chiclete de Rina Sawayama.

Recebi de recomendação de uma amiga há uns três dias e estou extremamente viciado no primeiro disco da cantora japonesa. O “SAWAYAMA” (2020) é o segundo long play de Rina, que vem de um álbum lançado em 2017 e uma quantidade considerável de singles anteriores, que datam entre 2013 e 2016. O interessante no novo trabalho é a sagacidade em misturar elementos que são fórmulas certeiras no pop comercial, mas a novidade é a inteligência em usar esses elementos e deixar o som bem novo e dançante.

Trecho do videoclipe do single “Cherry”

Guitarras bem pesadas, sintetizadores, beats bem construídos e, claro, os vocais de Rina fazem toda diferença na construção do disco em si. Além do mais, ela surfa na nova onda de rememorar a nostalgia das décadas de 1980 e 2000 para a música, como acontece nas faixas “XS” e “Comme Des Garçons (Like The Boys)”. Fica clara as referências às divas pop da época como Madonna, Cher e Grace Jones.

Já na faixa “Paradisin’”, uma das minhas favoritas, traz um festival de misturas, além das diversas referências em apenas 3 minutos. Batidas em 8-bit, solo de saxofone e tantas outras referências à música eletrônica japonesa. Em “Love Me 4 Me” tem uma referência à icônica frase de RuPaul no talent show  RuPaul Drag’s Race “If you don’t love yourself how can you love somebody else”.

Em uma entrevista concedida ao Consequence Of Sound, Rina comentou sobre o conceito por trás do disco:

“Tudo meio que vem de diferentes partes dos anos 2000. Eu acho que a música era tão diversificada naquela época. Você tinha nu metal, tipo ‘Rollin’ do Limp Bizkit, mas você também tinha Justin Timberlake fazendo R&B e pop. E havia uma grande onda de R&B como Ashanti e Ja Rule e Destiny’s Child, etc. Também havia Kylie [Minogue], e o reaparecimento de bandas de garotas, como Girls Aloud, Sugababes, Atomic Kitten. Então, é, o álbum meio que vem de todos esses lugares.”

Os clipes, portanto, seguem o mesmo rigor técnico e são bem construídos. A exemplo de “Bad Friend” (logo abaixo) feito em apenas uma locação e em preto branco. Aqui Rina lamenta por ter sido uma amiga ruim e sente falta de fazer as loucuras e papear com a amizade passada. A crítica fica no clipe de “XS” que pontua o capitalismo, a sociedade do consumo, jornada pesada de trabalho e uso excessivo de uma matéria-prima. 

Por fim, o disco é bem coeso e ótimo para ouvir em dias mais animados, no carro, no transporte público. Com certeza tem ótimas músicas com potencial para baladinhas pós-pandemia. De fato, é um álbum imperdível com um pop bem construído, e que foge da obviedade da indústria musical e que dá para ouvir inteiro sem se cansar e nem usar o skip.

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