Do Novo Ao Nosso: Bacurau vence em Cannes e leva o Brasil para além das fronteiras

O processo de criação de uma identidade cinematográfica nacional tem raízes históricas e sociais. Desde o Cinema Novo, formado por seus idealizadores, dentre eles o renomado diretor Glauber Rocha, o Brasil se preocupa em retratar as diversas realidades do país.

Longe dos holofotes hollywoodianos, os simpatizantes do Cinema Novo perceberam lá atrás a desvantagem técnica que o cinema sul-americano possuía, em um contexto onde a informação se espalhava em caráter muito mais lento do que hodierno. Foi por isso que, ao invés de tentar imitar os americanos e os franceses, o Brasil resolveu explorar sua própria cultura. A verdade do povo do Sertão, das favelas para além do Cristo Redentor, dos boias frias na Amazônia… Foi assim que nasceu, entre críticas e poesia, um cinema com a cara do Brasil.

Hoje, maio de 2019, os nordestinos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles foram indicados ao prêmio Palma de Ouro do Festival de Cannes, um dos mais consagrados do mundo. Tal como fizera o “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber em 1964. Além deste, os diretores também foram premiados com o “Prêmio do Júri”, uma das categorias mais importantes do festival. A obra chama-se “Bacurau” e fala sobre uma cidade nordestina que desaparece do mapa após a morte de uma moradora muito querida. Com um toque de surrealismo, o filme inova no suspense, até então pouco explorado no cenário nacional, que por vezes é tido como referência apenas em comédias e dramas.

Cena do filme: Bacurau

Essa visibilidade é de suma importância para um país que a cada ano se reinventa cinematograficamente, seja nas produções independentes ou nos gêneros menos explorados, como animação e suspense. Em 2016, Kleber Mendonça Filho também havia sido indicado ao Cannes, com sua obra “Aquarius”, também de suspense, que se passa em Recife.

A opção pelos cenários e pela realidade nacional aproximam o espectador da obra e oferece-lhe representatividade. É dessa forma que um ideal de “novo”, abraçado por alguns há tanto tempo, tem caminhado para evolução de uma arte, que hoje podemos chamar de nossa.

ALGUNS FILMES BRASILEIROS

Bacurau

 

Hoje eu quero voltar sozinho – Vencedor no Festival de Cinema de Berlim e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por Melhor Filme Ficção em 2014.

O Menino e o Mundo – Concorreu ao Oscar de melhor animação em 2016

Rio – Concorreu ao Oscar de melhor canção original em 2012

Que Horas Ela Volta? – Obra vencedor no Festival de Cinema de Berlim e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por melhor roteiro adaptado em 2015.

O Som Ao Redor – Vencedor do festival de cinema de gramado em 2012

Cidade de Deus – Concorreu em 2002 ao Oscar de melhor fotografia; melhor montagem; melhor diretor e melhor roteiro adaptado.

O Palhaço – Premiado com o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2011.