Assalto ao Banco Central: cheio de boas intenções

Nesta quinta-feira apareceu-me companhia para ir ao cinema e eu, na minha tentativa constante de valorizar mais a cultura nacional, criei coragem para assistir Assalto ao Banco Central.

Não vou ser chata. O filme está agradável para um diretor iniciante. Mas apenas agradável, quase chegando ao suportável. Marcos Paulo acertou em alguns pontos, errou feio em outros, mas na maioria, estava apenas repleto de boas intenções.

O filme é inspirado no maior assalto a banco do século, o assalto ao Banco Central de Fortaleza (Ceará). Vou nem mentir que esse não foi um atrativo para eu ver o filme. E de cearense eu entendo. Simpatizei com as regionalismos (“macho”, “derradeiro”, “abestado”) e os takes na BR do aeroporto de Fortaleza e na Ponte dos Ingleses. Simpatizei ainda com os 10% do elenco que tinham cabeça chata e falavam “feito cearense”. Todo o resto, assim com o diretor, apenas tinham boas intenções. Alguns falavam “pernambucano”, outros falavam “potiguar”, e a maioria nem se preocupou em adotar sotaque nenhum. Mas cearenses, cearenses, contavam-se nos dedos de uma mão.

A trilha sonora falha por vezes, ao ponto de em algumas cenas eu achar que o som do background era externo (What the fuck?). Outra “boa intenção” foi o roteiro do filme. Extremamente confuso, de forma que só se pega o ritmo lá para o meio do filme, quando já se está prestes a sair do cinema. As atuações, com exceção de 20% ou 30% do elenco deixaram muito a desejar. Atores quases medíocres em papeis principais. O faro de Marcos Paulo estava mais preocupado com as cenas de sexo, nudez e violência para alegrar a galera.

Contudo, o bom humor do filme, alguns estereótipos divertidos, e as poucas boas atuações (Giulia Gam como a policial esforçada, mas sem muito tino; Lima Duarte como um delegado metido a Sherlock Holmes; Heitor Martinez como um dos assaltantes) fizeram-me sair satisfeita ao fim do filme. Descontemos a inexperiência de Marcos Paulo e evidenciemos as suas boas intenções. Que o diretor iniciante aprenda com os erros e possa ser um dos poucos nomes que elevam o nosso cinema a nível mundial. Num futuro próximo, espero, mas não com Assalto ao Banco Central.

 Trailer Assalto ao Banco Central

Curiosidade

Giulia Gam e Antonia Fontenelle,
como o casal Telma e Regina

Um dos pontos de humor do filme é o relacionamento homossexual de Telma Monteiro (Giulia Gam) e Regina (Antonia Fontenelle). Regina apenas aparece em uma cena no filme, impressionando Amorim (Lima Duarte). O fato é que a belíssima Antonia Fontenelle (cuja aparição como atriz dura menos de um minuto) assinou também o casting e o argumento do filme dirigido pelo maridão, Marcos Paulo. Isso é que é companheirismo.