Bonnie e Clyde: onde começa a revolução

Bonnie e Clyde

Robert Towne é um dos melhores roteiristas da história. Ele é autor de roteiros como Chinatown que está na terceira posição dos 101 melhores roteiros de todos os tempos da WGA, atrás apenas de Casablanca e O Poderoso Chefão. Em inicio de carreira, ele era Dr. de roteiro, ou seja, ele salvava roteiros, os reescrevia ou reestruturava, tendo inclusive escrito uma cena para O Poderoso Chefão. Bonnie e Clyde é tido como o primeiro “roteiro salvo” por Towne.

Towne diz que quando era criança reparava quatro coisas nos filmes: 1) Os personagens nunca tinham problemas para estacionar em parte alguma do dia; 2) Os personagens nunca davam ou recibam troco; 3) As mulheres iam dormir maquiadas e acordavam sem um borrão; 4) Os casais nunca dormiam na mesma cama. Em Bonnie e Clyde (1967) – e Towne diz que não é por sua causa- : 1) C.W. Moss tem problemas para estacionar e fica preso em uma vaga causando uma das cenas mais tensas do longa; 2) Bonnie Parker, interpretada pela diva da Nova Hollywood Faye Dunaway, conta cada centavo; 3) Bonnie sempre acorda descabelada e sem maquiagem, 4) Bonnie e Clyde dormem na mesma cama.

 

Faye Danaway como Bonnie Parker, descabelada por sinal

A Nova Hollywood quebrou as regras, colocou a garotada para fazer filmes contra a literalmente velha Hollywood. Cineastas como Scorsese, Coppola, Altman e Spielberg fazem parte dessa geração, mas tudo começou com Bonnie e Clyde, do diretor Arthur Penn.

“Nós assaltamos bancos”, diz Clyde para um homem que acaba de perder sua casa para o banco. “Nós assaltamos bancos”, repete Bonnie para C.W. Moss quando está tentado convencê-lo a entrar no bando. Os personagens são transgressores, assim como a estética do filme. Tocar banjo em uma cena de tiroteios não era algo que se via por ai naquela época, oh não mesmo, senhor. Criminosos e assassinos são os heróis em Bonnie e Clyde, e figuras que geralmente eram respeitadas são os vilões do filme, como a policia e os pais.

Bonnie e Clyde é um filme daqueles onde tudo está perfeito, inclusive todas as atuações, tanto que todos os cinco membros da gangue foram indicados ao Oscar. Warren Beatty, que faz Clyde, foi indicado a melhor ator, Faye Dunaway a melhor atriz, Michael J. Pollard e Genne Hackman a melhor ator coadjuvante e Estelle Parsons ganhou por melhor atriz coadjuvante. O longa teve 10 indicações, mas ganhou apenas duas, o que é uma pena. O outro Oscar foi por melhor fotografia, mas é irônico pois o diretor de fotografia Burnnett Guffey odiou a maneira como foi obrigado a filmar o longa, parece que ele estava errado pois Bonnie e Clyde é de uma beleza impar.

O longa está cheio de detalhes que vão aparecendo quanto mais você o vê, e um desses detalhes que quero colocar aqui é sobre o cabelo da Bonnie. Como já dito aqui, ela sempre acorda descabelada, mas em  uma cena onde a gangue acaba de escapar de um de um enorme tiroteio e estão todos tensos no carro, e Bonnie está gritando com outro membro do bando por causa de uma idiotice que ele fez, e o cabelo da personagem fica na cara dela enquanto ela está gritando, impedido que vejamos sua face, é uma grande sacada do diretor. Ora, não há tempo de arrumar o cabelo numa hora dessas! Mas Bonnie nem sempre está descabelada, ela aparece deslumbrante em várias cenas, inclusive a boina que ela usa virou moda na Inglaterra na época.

A gangue    

SPOILERS, SPOILERS!

A cena final se tornou a mais famosa do filme, onde Bonnie e Clyde são metralhados e mortos. É uma rajada de balas, como o subtítulo brasileiro (‘Uma Rajada de Balas’) diz. É uma das coisas mais violentas e geniais que o cinema já fez. Mas Bonnie e Clyde não são mortos porque assaltavam bancos, ninguém gosta de bancos, eles são mortos por que o pai de C.W. Moss não gostou da tatuagem que ele fez a pedido de Bonnie. Eles são mortos por uma questão de estética, eles são transgressores!

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Jonathan De Assis
Acredita piamente que o Pink Floyd é a maior banda de todos os tempos e que ninguém canta melhor que o Robert Plant. Tem o Scorsese como ídolo máximo e sabe que ele transformará o DiCaprio no novo DeNiro. Com Goodfellas aprendeu as duas coisas mais importantes da vida: Nunca dedure seus amigos e mantenha a boca sempre fechada.
Jonathan De Assis

Jonathan De Assis

Acredita piamente que o Pink Floyd é a maior banda de todos os tempos e que ninguém canta melhor que o Robert Plant. Tem o Scorsese como ídolo máximo e sabe que ele transformará o DiCaprio no novo DeNiro. Com Goodfellas aprendeu as duas coisas mais importantes da vida: Nunca dedure seus amigos e mantenha a boca sempre fechada.

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