O que antes era apenas um livro de ficção científica escrito por Ray Bradbury, em 1920, tomou proporções maiores do que se imaginava, alcançando grande sucesso de vendas e, em 1966, invadiu as salas de cinema sob a direção de François Truffaut. O filme decidiu ser fiel ao livro, também contando a futurística história de uma sociedade ditatorial na qual havia um regulamento, no mínimo, peculiar: quem portasse livros ou qualquer forma de material escrito era preso e passava por uma reeducação que mais estava para lavagem cerebral. Mais do que isso, o comum era que todos tivessem a mesma opinião sobre algo, o pensamento crítico era fortemente reprimido e o que chamamos de bombeiros são, na verdade, queimadores de livros. Claro que nem todo mundo aguenta viver em um lugar com uma forte repressão mental, e fugiam disso, o que deu origem a uma sociedade bem mais interessante.

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O filme e o livro se chamam Fahrenheit 451 porque é nessa temperatura que o papel queima. Como quase todo filme antigo, as diferenças de atuação são bem evidentes, pois na visão atual, os atores dos anos 60 faziam seu trabalho sempre carregando uma aura teatral e de glamour, o que de maneira alguma atrapalha o roteiro do filme, mas deixa uma forte impressão sobre ele. Os efeitos especiais da produção são toscos e caricatos para quem assiste o filme pela primeira vez, em 2013, podendo até mesmo arrancar algumas risadas, mas delicia os olhos de quem gosta de comparar os avanços da tecnologia no cinema.

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Um dos maiores motivos para o sucesso do livro e do filme foi a habilidade de se poder tirar mais de uma interpretação sobre ele, algumas delas, úteis ainda hoje. A primeira coisa que nos vem à cabeça, obviamente, é a censura, uma vez que ter senso crítico e uma opinião contrária à filosofia de um regime ditatorial é praticamente confrontá-lo e dar motivos para ser preso e punido. Outra visão do filme, no entanto, é que sem livros, as pessoas acabam buscando novas alternativas de diversão e conhecimento, mas o único instrumento permitido onde moram é a televisão que, nesse caso, é controlada pelo governo, o que, obviamente, sempre transmitirá uma mensagem favorável a ele mesmo, fazendo com que seus cidadãos se tornem pessoas alienadas.

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Mas como nem tudo são espinhos, o filme nos mostra uma alternativa a quem não aceita viver nessa sociedade, culminando em um final feliz.

Farehnheit 451 tem uma mensagem atual, merece atenção e ser visto principalmente por mostrar o homem que se desafia e vai contra o pensamento comum, não por rebeldia, mas sim em busca do auto conhecimento e da verdade.  Em dias em que a ânsia de ter um estilo determinado, um conjunto de opiniões pré-fabricadas e a busca humilhante para se encaixar em grupos sociais a todo custo é ser feliz, escapar de todos esses preceitos e conhecer intimamente seus desejos, paixões e sonhos é para poucos e corajosos.

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