Geraldo Borges, natural de Fortaleza, lança o segundo volume do Artbook na Fliq (Fotos: Lara Paiva)

Geraldo Borges, natural de Fortaleza, lança o segundo volume do seu artbook na FLiQ (Fotos: Lara Paiva)

Geraldo Borges é um quadrinista natural de Fortaleza e atualmente mora em Natal, onde atua como professor da turma de design gráfico da Universidade Potiguar (UnP) e tem o Quadrinhos Estúdios, que fornece aulas de desenho e curso para quadrinhos. A escola fica dentro da Livraria Nobel, da Avenida Salgado Filho.

Além disso, ele também é membro do Chiaroscuro Studios e atua na DC Comics, onde realizou trabalhos na Liga da Justiça, Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e Aquaman.  “O trabalho do artista é contínuo, não tem aquela estagnação. Se você acha que conseguiu extrair tudo, alguma coisa está errada. Acredito que você pode crescer profissionalmente, sempre melhorar e conseguir alguma coisa diferente. Esta busca por melhorar sempre vai existir”, relata.

Apesar de ter estado presente desde a primeira FLiQ, nesta última edição, Geraldo foi lançar o segundo volume de seu artbook, que conta com uma junção de suas atividades entre 2013 e 2014. Confira a nossa entrevista com o artista a seguir:

capa do segundo volume do artbook

capa do segundo volume do artbook

O CHAPLIN: Qual destes trabalhos da DC Comics foi o mais complicado?

Na verdade todos têm um nível de dificuldade muito parecidos, porém um que realmente me deu muito trabalho foi o Aquaman, pois eu fiz uma cena que era página dupla e tinha bastante elementos. E os fãs do herói me procuram para comentar sobre o assunto, realmente ficou muito bacana.

O CHAPLIN: Antigamente, muitos quadrinistas tinham que mandar seus trabalhos para fora do país a fim de ter sucesso aqui. Isto ainda é um cenário existente ou mudou?

Se for comparar com um cenário de 20 anos com o de agora, é inegável que melhorou. Sem dúvida. Ainda é um pouquinho complicado viver disso no país. Mas existem algumas pessoas que já conseguem viver trabalhando dessa forma. Na Feira Independente de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte, 90% das vendas são de produções alternativas. Alguns artistas do Rio Grande do Norte levaram material para lá e voltaram com nada. Então, existe o mercado, tem várias maneiras de publicar, como leis de incentivo, plataformas (como catarse e kickstarter) e pode mandar rodar um trabalho na gráfica, pois nem está tão caro assim.

O CHAPLIN: Quando começou a levar a sério o trabalho de quadrinista?

Eu sou formado em engenharia civil e trabalhei na área por oito anos. Mas sempre gostei de histórias em quadrinhos. Eu não queria deixar de fazer algo que gostasse e senti que poderia levar isto para minha vida. Então, larguei a engenharia e para me dedicar somente aos desenhos. Foi a decisão mais certa da minha vida.

"Natal tem um cenário de produção de quadrinhos muito legal"

“Natal tem um cenário de produção de quadrinhos muito legal”

O CHAPLIN: Poderia falar um pouco sobre o surgimento do Quadrinhos Estúdios?

Surgiu em Fortaleza, inicialmente, ficou por dois anos lá. A ideia era formar novos profissionais e poder compartilhar um pouco da minha experiência. Gosto de dar aula, independente disso. Era professor de uma universidade particular lá em Fortaleza e atualmente ensino na UnP. Então, eu curto entrar em contato com novas pessoas e descobrir novos talentos. Tenho muito orgulho em dizer que tenho aluno que já publicou na DC Comics.

O CHAPLIN: Por que esta mudança para Natal?

Tenho uma relação muito próxima com a cidade porque minha esposa é daqui. Além disso, eu queria sair de Fortaleza para uma cidade menor e Natal tem um cenário de produção muito legal. A primeira vez que a eu visitei, em 2011, foi para participar da I FLiQ e gostei muito. Então, não pensei nem na primeira vez quando me mudei para cá.

O CHAPLIN: Você está lançando o segundo volume do artbook, poderia explicar sobre o conteúdo da obra?

Ele foi lançado, inicialmente, na New York Comic Con, entre os dias 07 a 14 de outubro. No dia 18, fiz o lançamento na Livraria Nobel e estou também fazendo isto na FLiQ. O artbook é uma junção do que fiz em 2013 e 2014, publicados na DC Comics, Dark Horse e também conta com inéditos. Um resumo do que aconteceu nestes dois anos da minha carreira. O primeiro volume lancei em 2012, esgotou e não tenho uma cópia nem como lembrança. Provavelmente, eu não farei uma outra tiragem. Foi uma ideia bacana e teve resultado.

O CHAPLIN: Além do artbook, quais são os projetos para o futuro?

Eu tenho um projeto pessoal chamado “Wings”, que será lançado em novembro e é mais voltado para o mercado americano.  É a história de um garoto que tem asas no lugar de braços. Inspirado no romance “Menino de Asas”, de Homero Homem, um escritor potiguar. Será publicado na internet.

O CHAPLIN: Para finalizar, que dicas você poderia fornecer para quem quer começar na profissão?

Primeiro, tem que gostar. É uma profissão muito difícil, concorrida, mas sempre consegue ultrapassar os obstáculos pelo fato de você gostar disso. Segundo, procure fazer um curso, pois é essencial conseguir atalhos para o que você quer alcançar.

 

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