Interpretação de “O Lago dos Cisnes” celebra 40 anos do Núcleo de Dança de Natal

O Núcleo de Dança da Prefeitura do Natal comemorou seus 40 anos de existência com a apresentação de “O Lago dos Cisnes – O Sonho de um Príncipe”, no dia 15 de dezembro, no Teatro Riachuelo. O espetáculo é uma adaptação, dirigida pelo bailarino e coreógrafo Dimas Carlos, do clássico “O Lago dos Cisnes”, composto pelo músico russo Tchaikovsky.

Estiveram em cena 200 bailarinos da Escola Municipal de Ballet Professor Roosevelt Pimenta e 30 bailarinos convidados. As outras quatro escolas da cidade presentes são de ex-alunos ou ex-professores da Municipal e participaram do espetáculo para celebrar o aniversário da casa. Os bailarinos principais, Paula Penachio e Fellipe Camarotto, também foram convidados e integram o Balé da Cidade de São Paulo.

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“O Lago dos Cisnes – O Sonho de um Príncipe” faz parte do Natal em Natal e teve entrada gratuita. O teatro estava cheio de gente para prestigiar a dança local. E se encantar com os passos iniciais das bailarinas de 6 anos ou os já maduros da Primeira-bailarina Paula Penachio, que estrelou sendo ora Odette, o cisne branco, ora Odile, o cisne negro.

IMG_9243Minha atenção especial foi ao corpo de baile que interpretou os cisnes brancos que acompanham Odette. Achei coreografia e figurino muito bonitos. Porém tive dificuldade para acompanhar toda a narrativa pela ausência do libreto, espécie de roteiro que contém os atos do balé, os personagens da história, os bailarinos que os interpretam, entre outras informações sobre o espetáculo.

A ausência do libreto e o fato de grande parte da plateia ser formada por familiares dos bailarinos é a possível explicação para o excesso de participação por parte do público. O que começou com gritos e aplausos na entrada e finalizações de cena dos bailarinos, se tornou palmas a cada momento de silêncio das músicas, muitas vezes no meio da coreografia, o que me gerou desconforto. Ao final, o público já não sabia mais ao certo quando aplaudir e o clímax do espetáculo, momento que se esperava os aplausos mais efusivos, foi de pouco barulho.

A adaptação teve momentos interessantes, como o fato de não haver a caça aos cisnes pela presença de um camponês que impede a matança dos animais. Segundo o diretor Carlos Dimas, essa alteração no balé original faz referência ao desarmamento, à paz e à preservação da natureza. Outra mudança foi o final feliz com o casal formado pelo príncipe Siegfried e a princesa Odette juntos.

IMG_9251Uma adaptação mal sucedida foi a adição da dança do ventre no espetáculo. Apesar de ter uma coreografia bonita com a tradicional dança com o cajado, a cena estava em desarmonia com o restante da apresentação e aconteceu após um momento dramático da narrativa, o que provocou grande estranhamento.

O balé teve outros problemas: o equipamento de som falhou na apresentação de uma das solistas, que dançou mesmo sem o acompanhamento da música. E o telão que serviu de cenário também apresentou falhas algumas vezes, com partes com imagens e outras sem. Além de em um momento inoportuno aparecer no telão o brasão da Prefeitura.

No fim da noite, todos os bailarinos e professores da Escola Municipal foram chamados ao palco e fizeram uma homenagem a Dimas, que além de dirigir o espetáculo é o Chefe do Núcleo de Dança. A bailarina Micaela, que brilhou ao dançar, tocou em flauta doce “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos. Como mensagem final os membros da escola aniversariante fizeram um apelo à valorização da dança em Natal.

“O Lago dos Cisnes – O Sonho de Um Príncipe” será apresentado novamente no dia 20 de dezembro, às 16h, na Cidade da Criança, mas sem a presença dos bailarinos convidados.

Sobre o Núcleo de Dança da Prefeitura do Natal

Criado em 1974, o Núcleo de Dança da Prefeitura do Natal hoje está vinculado à Fundação Cultural Capitania das Artes. O núcleo mantém dois projetos permanentes: a Escola Municipal de Balé Professor Roosevelt Pimenta e o Balé da Cidade do Natal. Atualmente, a escola conta com 295 alunos, divididos em 12 turmas de Balé Clássico. A partir de 2015, em uma ação inédita, também será oferecida, no período noturno, a disciplina de “Danças Integradas”, misturando danças regionais nordestinas, com demais ritmos brasileiros e norte americanos.