Antes que me atirem pedras por estar inaugurando este espaço musical com uma artista tão controversa, gostaria que você leitor, por favor, parasse e pensasse: você já se pegou dançando ou ao menos balançando a cabeça ao som de Lady Gaga? Você que negou e riu depois, junte-se ao clube! Sim, porque eu também era uma dessas puritanas musicais que só curtia indie, rock clássico e MPB e achava que música pop era subgênero, enfim, todo esse blá blá blá “pseudo-cult” que vemos por aí. Mas nada melhor que o tempo para nos fazer perder o preconceito e nos permitir conhecer novos sons.

Em um dos seus looks mais comportados, Lady Gaga é conhecida pelos seus figurinos excêntricos e chamativos.

Tenho de confessar que não cai de amores pela excêntrica cantora norte-americana logo de cara, tive muita resistência principalmente pelo seu visual meticulosamente calculado para causar frisón e burburinho onde quer que passe, mas passado o estranhamento inicial e a repulsa à primeira impressão a máxima: “a arte supera o artista” mais do que nunca se fez presente. Depois de massacrantes semanas ouvindo insistentemente a mesma música, “Just Dance”, onde quer que eu fosse, não tive como não saber quem era a tal da Lady Gaga.

Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida sob a alcunha de Lady Gaga, estudou na Tisch School of Arts da Universidade de Nova Iorque. Antes de se tornar a  celebridade e ícone da música pop, Gaga se apresentava na escola munida de um piano e canções autorais, na época seu estilo se parecia com o das cantoras de Jazz contemporâneo. Em 2007 assinou um contrato com a gravadora Intercospe e escreveu músicas para alguns artistas dentre eles Akon. O contato na gravadora levou-a a conhecer RedOne, um badalado produtor musical que sem dúvidas a ajudou a construir a identidade musical e, ao seu lado, compôs e produziu seus principais hits: “Just Dance”, “Poker Face”, “Bad Romance” e “Judas”.

Ao vivo, Gaga dança, toca piano, troca de figurino, interage com o público e faz questão de frisar que não usa playback.

Ao todo são três os álbuns da cantora, “Fame” (2008), “The Fame Monster” (2009) e “Born This Way” (2011). O primeiro talvez seja o mais eclético, mas foge um pouco a proposta sua artística. O álbum é certo para bater cabelo: “Just Dance”, “Love Game” e “Poker Face”. Porém, também há um lado B em que além das batidas programadas há uma pegada orgânica do velho pop como em “Beautiful, Dirty Rich” que muito me lembra o Prince oitentista ou ainda “Brown Eyes”, mostrando que ela também sabe fazer baladas de coração partido. O disco seguinte é mais um complemento do anterior, mas já mostra uma evolução musical, sua voz está mais forte. Com apenas oito faixas, Gaga lançou o clipe mais comentado do ano, “Telephone”, em parceria com a Beyonce, causou desavenças com a Igreja por seu vídeo de “Alejandro” e mais do que isso tudo, deu um quê quase que teatral ao seu trabalho.

O meu favorito, “Born This Way” (2011) é até agora o mais maduro trabalho da cantora, as temáticas trabalhadas são mais maduras, ela busca sua identidade individual, cantando as diferenças e o respeito à diversidade. Mas o mais interessante de se analisar neste disco é a congruência e a diversidade de influências musicais. Gaga, com seus diversos produtores, conseguiu encaixar referências diversas como pop dos anos noventa (“Marry the Night”); solos de guitarra dignos de bandas de Glam rock (“Electric Chapel” e ”Bad Kids”); referências latinas que beiram ao ápice da breguice (“Americano”) e as bate-cabelo feitas pra se gritar o refrão na balada (“Marry the Night”, “Born this Way” e “The Edge Of Glory”). O pretensioso disco que tinha intenção de ser o marco da cantora, embora o trabalho seja excelente, este é um álbum ainda não é a assinatura definitiva da cantora, ainda não é o seu “Thriller” ou “Like a Prayer”, para entrar no panteão dos clássicos da música pop.

Artpop diferentemente do que o título propõe não será um álbum com influências ligadas ao movimento de Warhol.

A indústria musical é, como em todo mercado, brutal, atribuindo aos artistas do mundo pop a necessidade de estar em evidência. Manter-se nas listas de mais tocadas é obrigatório, o que torna cada vez mais o material produzido datado, pra não dizer descartável. Dar-se ao luxo de não fazer turnês internacionais longas e lançar álbuns anualmente é um feito para alguns raros e consagrados artistas e olhe lá! Outra questão crucial: no que diz respeito à publicidade e marketing da música pop, a estética do artista é tão importante quanto sua qualidade musical. Como ninguém, Gaga compreendeu esse “jogo publicitário” e criou esse personagem que é capaz de se vestir da maneira mais esdrúxula possível e agradar desde crianças até os pais.

Não que eu aprecie os figurinos ou o teor um tanto quanto dúbio de algumas de suas letras, mas tenho de dar o braço a torcer à ousadia da moça, ela se destaca em meio a diversos “produtos similares”, não somente pelo seu visual, mas principalmente pela sua qualidade musical e maturidade artística crescente. Poucos são os artistas mainstream que hoje em dia conseguem ser tão inventivos, técnicos e corajosos ao tentar o não óbvio e ter qualidade. Dito isso, leitor, tente ver além da roupa de “carne” e ouça com os ouvidos aguçados essa artista. Por fim, fico no aguardo pelo novo single que será lançado dia 19 de agosto. O badalado novo álbum “Artpop” tem estreia prevista para dia 11 de novembro e uma proposta de mostrar que o pop não precisa ser extremamente comercial e que a arte pode ser o principal combustível desse estilo. Vejamos se Gaga conseguirá.

One Response

  1. Avatar
    claudia park

    Não Não ele está certo é muito difiíil conseguir artistas tão boas na era de hoje lady gaga é uma lenda e sempre será muitos desistem ela inova e cria dúvido alguém ser melhor que ela e ter a coragem..

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