Música e cinema sempre andaram de mãos dadas, seja nos instrumentais de pianos ao vivo que acompanhavam as primeiras sessões, ou nas ecléticas trilhas sonoras modernas. A relação é tão íntima que o cinema chega até mesmo a prestar homenagens à música e seus expoentes. Nessa lista, selecionamos dez títulos de cinebiografias de músicos, ou seja, biografias filmadas para as telonas que acabam sendo também, de certa forma, um espetáculo musical. Agora saquem só a nossa lista com música, ou melhor, filmes, da melhor qualidade:

O gênio Wolfgang Amadeus Mozart rendeu uma das mais bem sucedidas cinebiografais

Amadeus (Milos Forman, 1984)
De criança precoce, músico da corte do Império de Habsburgo a morte prematura. Mozart foi um dos maiores gênios de todos os tempos da música, autor de mais de seiscentas obras, entre óperas, música sinfônica e camerística. Sua cinebiografia, “Amadeus”, filme do prestigiado diretor Milos Forman, baseia-se na peça homônima de Peter Shaffer, que também assina o roteiro da película. O longa foi indicado a 53 prêmios e venceu 40, incluindo 8 Oscars, incluindo o de melhor filme. No elenco: F. Murray Abraham, Tom Hulce e Elizabeth Berridge.

A dama da música francesa, Edith Piaf ganhou vida nas telonas com a talentosa Marion Cotillard.

Piaf – Um Hino ao Amor (Olivier Dahan, 2007)
Edith Piaf ou simplesmente Piaf, é tida como a voz da França, a cantora teve sua conturbada e divertida vida contada nas telonas pelo diretor, Olivier Dahan. Estrelando no papel principal, Marion Cotillard mostrou-se admirável tanto nas cenas em que teve de cantar, como na clássica remontagem da apresentação de Piaf no Olympia. A atriz captou a essência de seu personagem e fez uma das mais belas homenagens a chanson francesa.

Um dos maiores nomes da música negra norte-americana, Ray Charles foi interpretado por Jamie Foxx.

Ray (Taylor Hackford, 2004)
Nascido em uma pequena cidade no estádio da Georgia, Ray Charles teve uma infância difícil, adquiriu glaucoma aos sete anos e foi testemunha da morte acidental de seu irmão. Ray ficou fascinado pela música ainda pequeno e passou a ter aulas de piano com um músico local e logo começou a tocar em bares locais. Ray Charles foi um dos precursores da música negra, incorporou elementos da música gospel e fundiu jazz com country, criando seu próprio estilo musical. Pouco antes de falecer, Ray Charles aprovou a escolha do diretor Taylor Hackford em chamar o ator Jamie Foxx para interpretá-lo. A cinebiografia foi bem recebida por público e crítica. Foxx, por sua interpretação, recebeu o Oscar de melhor ator na ocasião.

As várias facetas de Bob Dylan vividas por seis diferentes atores.

Não Estou Lá (Todd Hayenes, 2008)
Para algumas pessoas Bob Dylan é quase uma religião. O músico nascido em Buffalo levou a música folk aos holofotes. Engajado com causas sociais e movimento contra Guerra do Vietnã, Dylan teve momentos chave de sua carreira contados em uma cinebiografia que foge ao convencional, por seis atores em seis facetas diferentes de um mesmo homem. Dirigido por Todd Haynes, o filme se centra em momentos de mudança de Dylan, como ícone musical arrogante, o profeta folk ou mesmo o cristão renascido. No elenco, para interpretar as diferentes fases de Bob Dylan, estão: Christian Bale, Cate Blanchett, Heath Ledger, Marcus Carl Franklin, Richard Gere e Ben Whishaw.

Uma das mais bem sucedidas cinebiografias brasileiras, Cazuza – O  Tempo Não Para.

Cazuza – O tempo não para (Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004)
Ariano, carioca e cheio de vida e talento, essa seria uma definição simplista de um dos maiores ícones e do rock brasileiro, Cazuza. O filme “Cazuza – O Tempo Não Para” foi baseado na peça “Cazuza, Só As Mães São Felizes”, escrito pela mãe do cantor, Lucinha Araújo, e pela jornalista Regina Echeverria. Para o papel principal foi escalado o ator Daniel  Oliveira, que se entregou ao projeto e inclusive fez uma dieta a base de miojão para ficar magérrimo e interpretar Cazuza em sua fase final da vida, já fatigado pela Aids.

John Lennon em sua fase antes dos Beatles serviu de inspiração para o filme O Garoto de Liverpool.

O Garoto de Liverpool (Sam Taylor-Johnson, 2010)

Os Beatles são fonte de inspiração para milhares de obras, sejam espetáculos do Cirque du Soleil (“Love”), para novas bandas, cantores e compositores, ou até no corte de cabelo.Os quatro garotos de Liverpool são ícones mundiais e já tiveram sua história contadas diversas vezes, no entanto, um filme em particular, que se centra em um dos seus membros, no caso, John Lennon é talvez o mais bem feito e interessante para compreender o início de tudo. Lennon, vivido por Aaron Taylor-Johnson, se sai muito bem no papel do órfão e genial garoto que vivia com a severa Tia Mimi, interpretado por ninguém menos que Kristin Scott Thomas. O filme é um ótimo relato do contato de John com o rock and roll e como sua paixão pela música mostrou-se um escape para sua vida complicada. O filme é baseado no livro Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon.

Gainsbourg – O Homem que Amava As Mulheres (Joann Sfar, 2010)

Serge Gainsbourg foi um artista francês, conhecido principalmente por suas obras musicais, composições e interpretações. Gainsbourg é considerado um dos grandes nomes da música francesa, tendo sido referência de vários artistas de gerações posteriores. A cinebiografia “Gainsbourg : A Heroic Life” chegou às telonas em 2010 permitindo a muitos conhecerem um pouco sobre o cérebro por trás da famosa “Je t’aime… moi non plus”, trilha carimbada de casais apaixonados pelo mundo a fora. O filme é baseado em uma graphic novel de autoria do diretor Joann Sfar e possui muitas semelhanças com esse estilo de literatura. Por diversos momentos, por exemplo, um personagem desenhado invade as telas, servindo como uma espécie de simbolismo para a consciência de Gainsbourg, suas problemáticas e conflitos pessoais. A escolha do subtítulo em português (O Homem que Amava as Mulheres) deu-se pelo fato, imagino, de que um dos focos do filme é a sua relação com as mulheres de sua vida, sendo duas delas as atrizes Brigitte Bardot e Jane Birkin, interpretadas respectivamente por Laetitia Casta e Lucy Gordon. Essa última faleceu antes de o filme ser lançado. O papel principal ficou por conta do ator e cantor francês Éric Elmosnino.

Johnny e June (James Mangold, 2005)
É impossível falar desse filme imparcialmente. Não é à toa que bateu ponto em todas as principais premiações do ano, entre elas, o Oscar, de onde carregou quatro indicações e uma estatueta. Dizem as más línguas que Reese Witherspoon não merecia o prêmio que recebeu, de melhor atriz, por sua interpretação como June Carter, co-protagonista do longa. Penso que metade do veneno dos comentários se dê pelo passado cinematográfico da atriz, que não é tão respeitável. A outra metade defende a competência das demais concorrentes (Felicity Huffman, Keira Knightley, Judi Dench e Charlize Theron). De fato, era uma decisão difícil, mas que a atuação de Reese foi digna de uma premiação, isso é inegável, e eu, como admiradora da loirinha desde sua engraçadíssima atuação em Legalmente Loira, fiquei contente em vê-la prestigiada. “Walk the Line”, ou “Johnny e June”, título atribuído no Brasil, conta a história real do casal Johnny Cash e June Carter, cantores americanos de música country. O filme, além de muito bem roteirizado e dirigido, tem uma belíssima direção de arte e as cenas musicais também são praticamente impecáveis, frutos dos esforços de Joaquin Phoenix, como Johnny Cash, e de Reese Witherspoon. O sucesso do filme só se deu, em grande parte, à história dos dois protagonistas, em especial, a de Johnny, que já é rica e grandiosa por si só. Um prato cheio para os roteiristas James Mangold e Gill Dennis, que entregaram um filme não só tecnicamente excelente, como bastante comovente.

Dois Filhos de Francisco (Breno Silveira, 2005)
Comecem o apedrejamento os pseudo-cults que discriminam a música sertaneja. Mas lembremos que estamos falando de cinema, e é difícil não tirar o chapéu para “Dois Filhos de Francisco”, filme que conta a história da dupla Zezé di Camargo e Luciano, dirigido pelo competente Breno Silveira. O filme contou com atuações envolventes do elenco principal e foi sucesso de bilheterias em todo o Brasil. Trata-se de um drama que foca nas dificuldades enfrentadas pela dupla para conseguir se consolidar no cenário musical brasileiro. O filme inicia na infância de Mirosmar (Zezé di Camargo) e Emival, dois garotos de origem humilde e que começam a se destacam no ramo da música. Quando o último morre num acidente de carro, Mirosmar chega perto de desistir da carreira de cantor. Quando decide tentar novamente em carreira solo, Zezé encontra seu irmão mais novo, Welson (Luciano), que se torna seu parceiro para levar adiante o sonho idealizado por Francisco Camargo, pai deles. Um filme bonito e ideal para os que se sensibilizam com as dificuldades enfrentadas para alcançar o sucesso. Também é recomendado para os preconceituosos de plantão. Ao fim do filme, continuei não gostando de sertanejo, mas respeitando bastante a trajetória de Mirosmar e Welson.

The Runaways (Floria Sigismondi, 2010)

“The Runaways” foi o primeiro longa metragem da diretora e roteirista Floria Sigismondi, cuja especialidade são mesmo os vídeo clipes. O filme conta a história da banda de rock de mesmo nome, que causou alvoroço na década de 70 por ser composta apenas por mulheres. O recorte do filme é apenas os dois primeiros anos da banda, durante os quais a vocalista Cherry Currie (Cherry Bomb) integrou o grupo antes de afastar-se. O filme ainda foca no confuso relacionamento entre ela e a profissional guitarrista Joan Jett. Verdade seja dita, os principais méritos da produção são a trilha sonora e as gratas surpresas proporcionadas pelas atuações de Kristen Stewart, como Joan Jett, e Dakota Fanning, como Cherry Currie. A primeira vinha de uma série de carimbos como a insossa Bella, de Crepúsculo, e “agarrou Joan Jett” com todas as forças, determinada a fazer um bom trabalho. Conseguiu. Já Dakota fez uma interpretação esforçada, mas um tanto prematura. Talento, a Fanning mais velha tem de sobra, mas não parecia muito confortável no papel da atrevida Cherry Currie. De toda forma, vale a pena conferir o filme, nem que seja para balançar efusivamente a cabeça e bradar a todo pulmão os versos chicletes de “I love rock’n roll”.

One Response

  1. Tiago

    Artigo muito interessante. Já vi alguns e gostei particularmente do “La Vie en Rose” (Édith Piaf) e do “Walk the Line” (Johnny Cash). A propósito do tema, deixo aqui um link para um novo blog onde falam das histórias por detrás dos artistas. Chama-se Mundo de Músicas: http://www.estrategiadigital.pt/mundo-de-musicas/. Abraço!

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