Você já deve ter ouvido falar na Mel Duarte. Se tiver sorte, já a ouviu recitar um de seus poemas fortes, contundentes, com toda potência da voz e do corpo digna de quem luta e ama poesia. Mel é autora dos livros Fragmentos Dispersos (2013) e Negra Nua Crua (2016) e foi destaque nas redes sociais após sua recente apresentação na FLIP. No sarau de abertura, sob curadoria de Roberta Estrela D’Alva, ela se apresentou ao lado de outros poetas, como Sinhá, Kate Tempest, Chacal e Daniel Minchoni. O vídeo da sua apresentação já tem mais de 2 milhões de visualizações.

A poesia de Mel é muito voltada para questões como o racismo, o machismo, a força da mulher negra, a cultura do estupro e questões sociais em geral.  Ela trabalha em um programa de inclusão de jovens no campo da cultura e participa dos coletivos “Poetas Ambulantes” e “Slam das Minas”, de São Paulo. Além disso, ela toca num bloco de Samba-Reggae e faz produção cultural de eventos.

mel

Conversamos um pouco com ela sobre sua história e seus projetos. Confira:

O CHAPLIN:  Como foi seu primeiro contato com poesia?

MEL DUARTE: Meu primeiro contato foi aos 8 anos de idade com um livro de exercícios de prosas e poemas da escola. Vi aquelas rimas que eu só ouvia em música e algo mudou; comecei a escrever loucamente. Gostava de buscar o significado das palavras no dicionário e entender o sons delas, eu viaja muito.

O CHAPLIN: Você recita muito bem. Como foi que você chegou à poesia oral? Você frequenta saraus, slams? Quais?

MD: Aos 18 anos comecei a frequentar saraus. sempre fui muito comunicativa, mas nunca me imaginei nesse movimento de poesia falada. Eu tremia pra falar (tremo até hoje) mas falava porque já era muito tempo com a poesia guardada só pra mim. Depois fui percebendo outras coisas; com os poetas ambulantes aprendi a trabalhar melhor a minha voz. Sim, frequento muitos, hoje em dia tento manter um ritmo mais tranquilo até porque estou sempre trabalhando no horário da maioria dos eventos. Gosto muito do Sarau Suburbano Convicto do Alessandro Buzo, Cooperifa, Sarau do Burro, Sarau do Vinil, Sobrenome Liberdade, Da ponte pra cá, Slam da Guilhermina, ZAP! Slam, Slam das Minas – SP, Slam do 13, Slam do Grito e Slam Resistência.

O CHAPLIN: Você fez algum tipo de estudo mais voltado pro aprofundamento da sua performance oral?

MD: Eu cresci fazendo teatro, sempre tive uma relação boa com a minha voz e a maneira como projetava ela. De tanto declamar sem microfone, comecei a ficar mais atenta na questão de como não desgastá-la tanto. As aulas de canto me ajudaram bastante também, mas ainda quero explorar outras técnicas, estudar melhor esse instrumento que carrego comigo o tempo todo.

O CHAPLIN: E como você chegou até a FLIP?

MD: Eu frequento a Flip há 3 anos, e nesse ano recebi um convite para participar de uma mesa no dia 30 sobre a produção literária da galera da periferia, dentro da programação da FLIPzona, que é gratuita e voltada para o público jovem. Sabendo que eu já iria, a Roberta Estrela D’Alva – parceira dessa caminhada poética e curadora do Sarau de abertura-  me chamou para antecipar a minha ida e participar da abertura.

Foto: Bruna Monique

Foto: Bruna Monique

O CHAPLIN: Quem você curte, de poesia?

MD: Nossa, curto muita gente. Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Manoel de Barros, Paulo Leminski, Mia Couto, Miriam Alves, Elisa Lucinda, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo. E falando da galera mais acessível, que está sempre ao meu redor, tem Sinhá, Allan Jones, Tatiane Nascimento, Nívea Sabino, Luz Ribeiro, Thiago Peixoto, Jefferson Santana, Michele Santos, Daniel Minchoni, Caco Pontes, Pedro Tostes, Raquel Almeida, Elizandra Souza, Akins Kintê…

Deixe um comentário

Your email address will not be published.