O guia do Led Zeppelin: uma aula sobre a banda inglesa

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Contribuindo com a minha eterna saga em busca de entender bandas que gosto, cai nas minhas mãos “O guia do Led Zeppelin”, escrito por Nigel Williamson e lançado no Brasil pela Editora Aleph, e eles realmente levam a sério o termo “guia”. O livro é dividido em três partes: a primeira busca contar o começo, meio e fim do grupo, tendo suas músicas e processos de gravação explorados na segunda parte e, por fim, a terceira parte, chamada “Zeppologia”, aborda notícias, pessoas envolvidas, covers, histórias por trás das músicas mais populares e lendas (até a mais infames) sobre a banda. 

Capa de "O guia do Led Zeppelin", da Editora Aleph
Capa de “O guia do Led Zeppelin”, da Editora Aleph

Assunto inevitável em livros sobre música, a vida pessoal dos quatro integrantes do Led Zeppelin é abordada no guia, afinal, qualquer ofício que alguém venha a exercer está fadado a sofrer influência do comportamento e das experiências pessoais de quem se envolve, e acredito que esse fator é ainda mais forte quando se trabalha com arte, nesse caso, a música. Fiquei feliz, no entanto, de perceber que os detalhes contados sobre a personalidade de cada um foram aqueles que contribuíram para transformar a banda no que ela foi: Uma série de eventos marcantes que se mesclaram com o experimentalismo e hiperatividade das guitarras de Jimmy Page, a paixão pelo blues e aura hippie de Robert Plant, a sofisticação e calmaria (necessária) de John Paul Jones, além de toda a ferocidade e, infelizmente, morte de John Bonham. Juntos, eles geraram o que o livro adora citar como “a melhor banda de rock do mundo”.

Jimmy_Page_-_A.R.M.S._Concert,_Oakland,_Ca._1983

O que me chamou atenção sobre a história deles foi (momento inception) a própria história: não se trata de quatro garotos que, em suas andanças em shows, se encontraram magicamente e decidiram que seria uma boa ideia fazer uma banda. É uma história, acima de tudo, de lenta evolução e persistência, uma vez que o livro deixa bem claro que o Led Zeppelin teve como precursor  a banda de blues e rock dos anos 60 The Yardbirds, da qual não só Jimmy Page participou, mas também Eric Clapton e Jeff Beck, dois dos mais talentosos guitarristas do mundo.

Quando Led Zeppelin ainda era New Yardbirds
Quando Led Zeppelin ainda era New Yardbirds

The Yardbirds passou por várias fases musicais devido às diferentes influências que os guitarristas traziam consigo, mas Jimmy Page foi o único “convidado a se retirar” da banda, que inconformado, criou o “New Yardbirds”, no qual gradualmente foi sendo transformado no Led Zeppelin. O livro aborda esse período crucial de forma clara e bem detalhada, com direito a várias entrevistas com Robert Plant e Jimmy Page.

Por fim, a parte que mais me empolgou: o processo de criação da banda! Quando eu percebi que o assunto ia ser abordado, fiquei eletrizada e fui anotando cada mísero artista e banda que de alguma forma, foi influência para o Led Zeppelin, partindo do guitarrista inglês Bert Weedon e chegando até o misticismo que permeia toda a música instrumental indiana, mostrando o quão longe eles foram para que pudessem criar um som, no mínimo, autêntico. É empolgante ler a história por trás de algumas músicas, descobrir o porquê de sua criação e também como alguns dos integrantes se sentiam quando executavam-na.

“O Guia do Led Zeppelin” é um livro detalhadíssimo, que mostra os lados brilhante e podre de uma banda que viveu seus dias de glória de forma eufórica e extrema. Aprovado.

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