Uma graphic novel que provavelmente vai se transformar em um filme, se tiver algum produtor interessado. Esta foi a primeira ideia que me ocorreu ao ver a capa do “O Quinto Beatle: A História de Brian Epstein”, empresário que ajudou a impulsionar a carreira do quarteto de Liverpool. Contudo, a história do Brian não é somente um ótimo enredo para uma película, mas também uma fonte de pesquisa que ajudará a entender todo este culto ao grupo.

A obra foi escrita por Vivek J. Tiwary, roteirista de espetáculos da Broadway, como “American Idiot”, inspirado no disco de mesmo nome do Green Day.

Brian Epstein, gerente dos Beatles, em Nova York (1966) | Foto: AP Photos

Brian Epstein, empresário dos Beatles, em Nova York (1966) | Foto: AP Photos

A edição brasileira contou com a tradução de Delfin e possui o prefácio assinado por Billy J. Krammer, que também foi empresariado por Epstein, e Andrew Oldham, produtor dos Rolling Stones. O posfácio, por sua vez, teve a contribuição do cartunista Howard Cruse. Para compor o quadrinho, Vivek estudou a vida do Brian e entrevistou pessoas que o conheceram.

Capa de "O quinto Beatle"

Capa de “O quinto Beatle”

O livro é dividido em três partes. A primeira retrata o trabalho na “Nems”, a loja de discos da família dele. Além disso, mostra a sua ida ao Clube Cavern, quando assistiu pela primeira vez a um concerto dos Beatles e ficou encantado com o som da banda. Epstein viu o potencial dos rapazes e se ofereceu para ser empresário deles.

“Toquem seus instrumentos. Eu tocarei os negócios como se fossem o meu instrumento. Mas vocês vão precisar ouvi-lo”, esta é uma das frases da novela gráfica. De fato foi isso que aconteceu.  Brian Epstein organizou os trajes e o corte de cabelo do grupo, também foi dele a ordem de que os garotos não bebessem, falassem palavrão ou xingassem nos palcos.

Nesta parte também retrata a dificuldade do grupo a serem aceitos por uma gravadora e realizar o sonho de Brian de fazer com que os Beatles fossem “maiores que Elvis”.

A segunda parte fala da fama que os Beatles alcançaram nos Estados Unidos e a participação do empresário nesta conquista. Por último, retrata a gravação do disco mais importante do grupo, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, e a luta de Epstein contra os seus demônios.

A graphic novel procurou o equilíbrio entre contar o início dos Beatles e a vida pessoal de Brian, sem que uma sobrepusesse à outra. Isto é um ponto positivo da história.

Também mostra que Brian ajudou não somente os Beatles, mas também vários outros artistas, como a cantora Cilla Black, e foi bem procurado na Inglaterra, uma vez que ele era jovem, bem-sucedido e ficou famoso por ser a pessoa que fez com que o grupo inglês e outros artistas crescessem.

Uma das páginas internas da HQ

Uma das páginas internas da HQ (clique para ampliar)

Apesar do sucesso e de ser rodeado de pessoas, Brian era uma pessoa solitária, extremamente ansiosa e dependente de remédios. Sofreu diversos preconceitos, uma vez que ele era homossexual (considerado um crime na Inglaterra, naquela época) e judeu. Antes de ser empresário, ele atuou no Exército e foi estilista.

Os quadrinhos foram desenhados por Andrew C. Robinson e Kyle Baker. Possuem traços realistas, pois a intenção era mostrar o caráter dos personagens e o sombreado ajudou a enfatizar as reações e atitudes dos mesmos. Foi feito a lápis e pintado em aquarela e outros tipos de tintas. Isto fez com que a história ficasse cada vez mais realista e tivesse uma forte conexão entre a imagem e texto. Os desenhos, algumas vezes, passaram por edições em programas de imagens.

Apesar de haver personagens e partes fictícias, “O Quinto Beatle” mostra a importância de uma boa gestão de empresário para se ter uma carreira musical de sucesso. Os autores conseguiram retratar e mostrar alguém que dedicou de corpo e alma a algo em que realmente acreditava. Nunca os abandonou, nem nos momentos mais difíceis. Muitos lembram da importância do George Martin, produtor dos discos do grupo e o consideram o verdadeiro quinto Beatle, entretanto esquecem Brian. Recentemente, Epstein foi indicado ao hall da fama do rock and roll, na categoria “Não Artista”.

Vale lembrar que após a morte de Epstein, em 1967, a banda começou a declinar, e em 1970, o grupo se desfez. “Então eu sabia que estávamos em apuros. Eu não tinha nenhuma ilusão sobre nossa capacidade de fazer qualquer outra coisa que não fosse tocar, e eu estava com medo”, disse John Lennon, na década de 70 e esta citação abre a graphic novel.

A história do empresário é contada em 135 páginas e na edição brasileira possui seção de extras com memorabilia do grupo e do empresário, esboços da graphic novel e capas alternativas. Se você quer saber da importância de um homem que dedicou cinco anos de sua vida por uma das maiores bandas da história da música, O Quinto Beatle é uma ótima pedida.

O Quinto Beatle – A História de Brian Epstein
Editora Aleph

Autor: Vivek J. Tiwary
Desenho: Andrew C. Robinson com Kyler Baker
Tradução: Delfin
168 páginas
Preço: R$ 59,90

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