Olhos da Justiça: Direção indecisa compromete o que poderia ser um dos melhores filmes do ano

Por vezes nos deparamos com um filme medíocre que aposta todas as suas fichas em um único aspecto. Olhos da Justiça é esse filme em 2015. O elenco estelar ou a forte premissa que a história oferece poderiam ser a carta na manga, não fosse o labirinto confuso em que a linha narrativa se mete. Tentando fazer o espectador se perder um pouco, o filme acaba se perdendo. O constante flashback/flashforward nos tira do momento emocional a todo instante (os momentos cômicos também são mais constantes do que um roteiro como esse pede) e acaba tirando o peso das atuações de um ótimo elenco, que tem como protagonistas os experientes Julia Roberts, Nicole Kidman, Chiwetel Ejiofor, apoiados por Michael Kelly (House of Cards) e Dean Norris (Breaking Bad).

O encarregado da direção é Billy Ray, roteirista por origem (Capitão Phillips, Jogos Vorazes e Intrigas de Estado estão no seu currículo) e adaptou o roteiro do filme, baseado no argentino O Segredo dos seus olhos, que, pecaminosamente, ainda não vi. Com toda confusão narrativa criada pelo roteiro e confirmada pela edição, a aposta é no plot twist final. A reviravolta que o filme tem nos seus 15 minutos deixa os espectadores saírem da sala de cinema com uma impressão melhor do que o filme realmente merece.

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O filme conta a história de Ray, um agente do FBI que tenta ajudar a encontrar o assassino da filha da sua melhor amiga, Jess, mesmo 13 anos após o homicídio. Ao voltar para Los Angeles para resolver o caso, ele reencontra Claire, por quem é apaixonado há 13 anos. Em minha opinião o filme acaba se perdendo um pouco aqui. O diretor parece confuso entre contar a história da caçada a um assassino que a justiça deixou, deliberadamente, livre ou uma história de amor mal resolvida entre Ray e Claire. Acaba não fazendo nenhum dos dois de maneira satisfatória.

Apresentando apenas superficialmente temas que podiam ser mais bem explorados (corrupção no alto-escalão, entre outros), Olhos da Justiça tem a intenção clara de ser um crowd-pleaser. É como um namorado que faz umas besteiras, te esquece aqui, te maltrata acolá, mas no final te dá um buquê de flores pra encerrar o assunto e tudo ficar bem. Funciona pra uns, pra outros nem tanto.

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Victor Hugo Roque
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