Séries e TV: ‘The White Queen’ – produção une drama, ação, história e romance

Como já mencionei anteriormente no blog, é notável e admirável a evolução da qualidade das produções para TV nos últimos anos. Algumas, em especial, ganham um charme e cuidado ainda maior, pensadas de forma a serem destinadas a fazer sucesso e não apenas preencher a grade de uma emissora. As produções de caráter histórico, quase em sua totalidade, encaixam-se nesse grupo. Direção comprometida, fotografia competente, roteiro cuidadoso, locações, figurino especial, atores e atrizes bem treinados são alguns investimentos necessários para uma boa série que se propõe a ter um plano de fundo histórico. “The White Queen, série exibida pela BBC One e baseada na obra literária da escritora especializada em monarquia inglesa, Philippa Gregory, reúne todos esses elementos.

Edward (Max Irons) e Elizabeth (Rebecca Ferguson)

Quem está familiarizado com séries sobre reis, rainhas e disputas, ao exemplo da já encerrada The Tudors, da Showtime, vai cair de amores de cara por The White Queen, que, até então, está em seu quinto episódio de uma promissora primeira temporada. Na verdade, esta funciona como uma espécie de prólogo para The Tudors, visto que a diferença histórica temporal entre uma e outra é de apenas um século e quatro monarcas. Ou seja, desconfio que uma termina onde a outra começa.

Janet McTeer empresta seu talento para Lady Rivers, mãe e conselheira de Elizabeth

O enredo se passa durante a Guerra das Duas Rosas, em que as famílias de York e Lancaster disputavam o trono da Inglaterra. Edward de York (Max Irons) acabara de tomar o trono de Henry VI (David Shelley), de Lancaster. Ele conhece Elizabeth Woodville (Rebecca Ferguson), da casa de Lancaster, uma viúva que havia perdido o marido e, com ele, suas terras, durante uma batalha. Elizabeth pede ao rei Edward suas terras de volta, mas o jovem monarca acaba encantado pela sua rival, que também apaixona-se por ele. Não demora e Edward cede aos encantos de Elizabeth, e casa-se com ela, fazendo de uma Lancaster a sua rainha. O foco da série acaba sendo as mulheres por trás das disputas masculinas e como elas manipulam os acontecimentos da história através de suas influências. Edward precisa manter-se no trono e, para isso, deve batalhar constantemente contra aqueles que querem tomá-lo e devolvê-lo para a casa de Lancaster. Nesse momento da história, os interesses políticos e pessoais de cada um chegam a ser maiores que a palavra de um homem, a lealdade e os laços de sangue.

Amanda Hale é Lady Margaret Beaufort, cuja vida se dá em prol de ver seu filho, Henry, assumir o trono da Inglaterra

Max Irons faz um rei propositalmente um tanto tolo e bastante insosso. Isso porque o destaque fica para a bela e talentosa Rebecca Ferguson, que interpreta uma Rainha Elizabeth com classe, garra, malícia, paixão e astúcia. Destaque para a veterana Janet McTeer, que interpreta talentosamente a mãe de Elizabeth. Todos os outros personagens da série se encaixam bem em seus papeis e são poucos os que, por vezes, “destoam” do compasso do elenco. Palmas para a fotografia, belíssima e dinâmica, fundamental para o ritmo da série. Os roteiristas também souberam como envolver o espectador por quase uma hora (duração de cada episódio) e ainda deixá-lo ansioso para o próximo capítulo, visto que a história sempre termina em um momento de tensão, que nos deixa curiosos sobre o que acontecerá a seguir.

Richard (Aneurin Barnard), Edward (Max Irons) e George (David Oakes), os irmãos da casa de York

“The White Queen” acerta ao escolher como foco não a história em si, mas os personagens, explorando bem suas características e personalidades, mesmo que para isso tivesse que fantasiar um pouco (ou muito). Criamos uma relação de afeto com alguns e de contraste com outros, e não será difícil apaixonar-se pela protagonista, Elizabeth, por exemplo. Contudo, mesmo com todo o cuidado, a série às vezes deixa passar erros gritantes, que incomodará um espectador mais atento, como por exemplo, uma criança não ter mudado nada em anos. Esses detalhes, embora inconvenientes, podem ser perdoados, dado o balaio completo e primoroso de elementos que “The White Queen” nos entrega: o drama histórico, o romance e a ação – indispensável devido às batalhas entre as famílias – que tornam cada episódio um prato cheio e delicioso para quem gosta de uma boa história e de admirar um belo produto audiovisual.

Cartaz da série

Não sou historiadora, nem tenho conhecimento suficiente para julgar o contexto histórico atribuído à série, então fiz pesquisas prévias antes de escrever essa resenha e descobri que, superficialmente, trata-se de uma produção fiel, mas àqueles que se apegam a uma bota que não existia em 1400, ou a uma grama que não era comum na época, ou mesmo um degrau de escada que foge aos padrões do século XV, possivelmente a série irá ofender. De toda forma, é um erro para todo espectador assistir a uma produção, seja ela uma série ou mesmo um filme, esperando a veracidade e exatidão de um livro de Jacques LeGoff. Até porque, se é para fazer uma analogia literária, “The White Queen” está mais para um romance de Dan Brown, uma narrativa quase perfeita, com elementos envolventes, dinâmicos e um punhado de informações históricas interessantes, mas que antes de sair por aí exibindo-as, é sempre bom dar aquela checada, porque a licença poética tá aí para mudar tudo isso mesmo.