Garotas histéricas, gritos para todos os lados, um amor de outra realidade, quase incondicional, é disso que estamos falando, minha gente! É uma responsabilidade e tanto tentar escrever uma resenha descente sobre uma artista como esta. Ainda mais difícil escrever e realizar um filme com qualidade apurada e bem pensada. É nisso que os estúdios Imagine Entertainment, MTV Films e Insurge Pictures acreditaram junto da Paramount Pictures. Dirigido por Dan Cutforth e Jane Lipsitz, Part of Me foi lançado em 2012 e traz a vida de uma das novas sensações do mercado: Katy Perry!

Imagem de Katy Perry no Rock in Rio em 2011

Não é pouca coisa não, jovem. Assisti ao filme sem nenhuma pretensão, o único desejo era ver se encontrávamos uma superstar ou uma mulher como todas as outras, mas após assistir, encontrei as duas coisas. E como a mesma disse depois de ouvir Alanis Morissette: “Uau!”. O documentário esbanja do que a própria cantora construiu, que são as cores, a vontade maluca de ser o que quer ser. Em todo o filme, Katy mostra-se humanizada, carinhosa, meiga e calorosa com aqueles que ama. Mostrar sua relação com os seus pais e a “vovó” foi um ponto extremamente positivo, não existiram muitos contos de fada em torno da adolescência dela, isso é bem claro, mas o documentário saiu pela culatra. Não tiro a razão dos estúdios e dela mesmo terem tirado esse foco, não era essa a ideia.

Cartaz do cinema e capa do DVD “Part of me”

O filme parte do princípio: “Meu mundo é colorido, meu sonho é cantar para as pessoas num vestido que brilha e muito”, isso é nítido praticamente o tempo todo, apesar da família, carreira difícil no início e todos os problemas que acontecem com um grande artista em início de carreira. Uma cena emocionante é quando ela declara a vontade de estar num vestido rosa e alegrando as pessoas com a sua música, traduz um amor enorme pelo o que faz, pelo o que almeja. Katy declara: “Meu único objetivo é fazer as pessoas sorrirem”. Tá explicado. Por isso tantas cores tanta alegria e um show com muitos efeitos especiais, encontramos todas essas demonstrações no decorrer do filme.

Quando Katy sai de casa e parte para Los Angeles, a sua vida tem uma reviravolta, ela começa a fazer “rebeldias” que tanto queria e que seus pais, cristãos e pastores, não permitiam. Boates, primeira balada gay, tudo acontecendo ao mesmo tempo e Katy levando por onde passava alto astral e alegria.  A cada entrevista não cabem elogios para a alegria e energia da cantora. A grande mensagem a cada parte nova do filme é que Katy vivia numa conto de fadas; não, não, isto está errado. Ela sempre vive num conto de fadas, a exata expressão dos sentimentos dela é exposta em cada detalhe do palco, fantasia e produção de seus shows. Não é muita imaginação para uma pessoa só?

Cabelos de várias cores, roupas como sonhos de criança, a cara de uma estrela como Katy

O documentário embala o espectador, que assiste querendo encontrar algumas respostas, como ela chegou ao sucesso tão rápido, ultrapassando os Beatles no número de vendas. Contudo, quem está assistindo não conclui, não consegue perceber isso (um absurdo, pelos olhos de “Part of Me”). Katy lutou muito, foi obrigada a tentar ser Avril Lavigne, Ashlee Simpson e outras cantoras, mas ela queria ser a Katy Perry, a primeira Katy Perry, e ela não estava certa em ser isso mesmo?

Sorrir, sonhar, brincar: tudo a ver com Katy

Em um dos pontos altos do documentário, Katy, em êxtase, corre e  escorrega debaixo das pernas do seu guitarrista, provocando delírios nos fãs. Não tem como não achar que existe um elemento mais que especial na cantora depois de uma perfomance destas.

Katy Perry possui uma extensão vocal relativamente limitada, que está em contralto, às vezes classificada em mezzo-soprano (meio-soprano), linha intermediária entre o soprano e o contralto. Agora vem aquela pergunta básica “E daí?”, é muito simples, para ela, é mais fácil pegar notas graves, porque seu timbre de voz é mais grosso, contendo uma extensão aguda extremamente pequena. Se a voz de Katy é contralto, como ela dá tantos agudos? Ela abusa do que tem, simples assim. Não é nada fácil para alguém do timbre de voz dela alcançar tais notas e ela aparentemente não possui tanta dificuldade, constantemente encontramos em suas músicas notas agudas. Isso também tem um preço, quando o contralto e o meio-soprano usa com poder os seus agudos em notas prolongadas, temos alguma rouquidão na voz. Escute “Fireworks” e preste atenção na diferença para outras cantoras, como por exemplo Avril Lavigne, que possui sua extensão em soprano/mezzo-soprano, as notas agudas saem com maior facilidade e sem rouquidão.

O que dizer? A voz de Katy é agradável, sem estridentes durante boa parte das músicas, bem posta, com atitude e técnica que a torna uma boa cantora, isso é muito bom, porque Katy ao contrário de muitas outras, utiliza pouco de playback em suas apresentações, fazendo com que sua voz desafine em músicas ao longo do show, devido ao cansaço por se movimentar bastante, mas até Madonna comete esse tipo de gafe. Acaba sendo normal esse tipo de falha vocal. Lembrando que Michael Jackson utilizava playback em seus shows, e apenas dava o famoso “aaaauuu” e estava tudo certo, mas reis são reis. Katy também não é uma grande dançarina, como Britney, Gaga e Madonna, porém seu esforço nos outros detalhes é justamente para ofuscar essa ausência, como por exemplo, a troca constante de roupas durante o show, é de fazer os fãs mais histéricos gritarem para ficarem roucos. Efeitos especiais durantes seus shows não faltam e está aí uma razão.

Certamente notar os olhos de Katy é inevitável

Nem só de elogios sobrevive um artista, o grande objetivo de Katy em seus shows é fazer seus fãs sorrirem, e com certeza ela consegue, com tanta gente trabalhando junto dela, não deixando escapar os mínimos detalhes e uma produção impecável. Contudo, as cores do show de Katy e a forma como ela se veste são muito atraentes para jovens e crianças e eis um problema. Pense em algo, Katy apesar de doce, amável e uma fofa, não está sempre bem “coberta” em suas fotos e aqui ela pisa na casca da banana. Ela é influenciadora de gente de seis anos para cima, e sair tapando os próprios seios com as mãos pode não ser lá o melhor tipo de influência para uma criança. No filme, vemos a artista atendendo muitas crianças que vão ao show e até mesmo fora deles, esses são alguns dos fãs que com os quais ela poderia tomar mais cuidado nesse quesito, pois se foi chamada certa faixa-etária para os seus shows, respeitar esse limite é essencial. Nos shows ela não chega a ser tão “sensual”, mas o cuidado fora dos palcos não parece ser o mesmo.

O sucesso de Katy também possui uma ligação muito forte com a produção, apesar de parecer algo superficial, onde alguns acham que somente o artista é a peça importante, de muito contrário. Vamos a exemplos brasileiros para depois saltarmos para o nosso foco. “Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”… sabe quem produziu essa música? Dudu Borges, e não foi só essa música, “Fugidinha” do próprio Michel Teló, “Chora, me liga” do João Bosco e Vinicius, “Te esperando” do Luan Santana, “Vidro Fumê” do Bruno e Marrone, e “Amiga da minha irmã” do Teló. Quem gosta de sertanejo certamente conhece essas músicas e sabe que possuem qualidade necessária para serem sucessos comerciais, o produtor é a alma do negócio na maioria dos casos.

Imagem do show de Katy em São Paulo de 2011, que na época foi considerado o melhor show internacional

A cantora conta com isso, ela possui por trás dela (sem besteiras, por favor) o produtor Max Martin, não conhece? A gente te ajuda a entender o porquê disto ser tão importante. Max produziu Avril Lavigne, Backstreet Boys, Bon Jovi, Britney Spears, Bryan Adams, Celine Dion, Coldplay, Ke$ha, Pink e alguns artistas a mais. A primeira música de sucesso de Katy foi “I Kissed a Girl”, adivinhem quem produziu? Max Martin. Quem diria, de cantor de metal a produtor pop, ele sem sombras de dúvida não se arrependeu de ter mudado o ramo, porque desbancou alguns dos principais sucessos internacionais que conhecemos. Katy não é exímia em tocar instrumentos, contudo, possui uma voz muito boa, as músicas que mais fizeram sucesso foram compostas por ela mesma com a ajuda de um grande produtor. O esforço dela e de toda a sua equipe é convertido em sucesso por esses motivos.

O documentário traduz Katy em sua simpatia com os fãs, amor ao que faz e nas pessoas que acreditam que ela pode brilhar e fazer os outros sorrirem. Trazer sua maior turnê, as dificuldades que passou para manter o seu casamento com Russell Brand, depois o fim, o seu sofrimento e o amor dos seus fãs num momento tão difícil e doloroso. Foi brilhante a forma como a humanizaram, mostrando seus sentimentos de forma desnuda, retirando a vulgaridade que conhecemos em outras cantoras. Cores, luzes, fogos de artifícios, fãs gritando e dançando no mesmo palco de seu ídolo. Certamente, um filme que pode levar a conhecer uma pessoa que lutou pelos seus sonhos e os realizou. Vale a pena conferir, para quem já a conhece e quem gostaria de conhecer.

Os shows de Katy Perry possuem muita cor, brilho e efeitos especiais

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