"Tales from the Loop" é uma antologia nostálgica e futurista
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Foi de forma despretensiosa que encontrei a série “Tales From The Loop”, algo como “Contos do Loop”, em português, sendo Loop um lugar situado em um espaço-tempo fictício. A série é recém-lançada pela Amazon Prime Video, e está no catálogo do serviço de streaming desde abril deste ano.

Seguindo o consagrado modelo “Black Mirror” de episódios independentes e que podem ser compreendidos separadamente, embora imersos em uma narrativa maior que os conecta por meio dos detalhes, “Tales From The Loop” assemelha-se e também diverge da produção da Netflix em muitos tópicos.

Vamos, primeiro, às semelhanças: a série também tem um tom futurista, em que interrupções e loops temporais são possíveis, bem como o acesso a outras dimensões e, até mesmo, a tranfusão de corpos. Já pensou a alma de uma pessoa ficar presa dentro da máquina de um robô? “Isso é muito Black Mirror”, né? Mas também acontece no Loop.

Na contramão do espelho negro, Tales From The Loop tem um ar bucólico, um pouco poético, arcadiano e até mesmo nostálgico, visto que todos os episódios possuem figurino e um tom sépia que remete a algum período anterior ao final do século XX. As histórias acontecem ali entre os anos 70 e 80, o que fica comprovado em um dos episódios em que temos acesso a datas escritas em um livro de biblioteca.

No elenco de elite da série, dois nomes se destacam: Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona) e o veterano Jonathan Pryce (Dois Papas), que interpretam Loretta e Russ, dois apaixonados pelo Loop. Acompanham-lhes em ritmo admirável os jovens Duncan Joiner (Cole) e Daniel Zolghadri (Jakob) e Jane Alexander (Kramer vs. Kramer), como Klara.

“Tales From The Loop” tem sido acusada de lentidão e chatice. Ofensas inconvenientes, na minha opinião. A série é uma dessas produções que se travestem de conflito tecnológico para colocar em xeque de forma sutil e leve os nossos extremos enquanto indivíduos e seres sociais. Você seria capaz de machucar uma versão de si próprio para viver o amor da sua vida? O que faria se tivesse a oportunidade de viver uma vida melhor – em um corpo que não é o seu? Como reagiria se encontrasse a si mesma no futuro? Como usaria uma ferramenta que te dá o poder de parar o tempo? E como lidaria se descobrisse que o seu irmão e melhor amigo está preso no corpo de um robô?

Tales From The Loop não é uma antologia de contos sobre os efeitos da tecnologia, mas de como ela, tão idolatrada, nos coloca, constantemente, na posição de termos nossa humanidade provada. Ou reprovada.

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