“A Cruel Picture” foi dirigido pelo diretor Bo Arne Vibenius, que também o escreveu, e foi lançado em 1974, na Suécia. Conta a história de Madeleine (Christina Lindberg), que teve uma vida complicada ao ser, ainda criança, abusada sexualmente por um homem em um passeio no parque da cidade, fazendo com que a moça acabasse ficando sem voz devido ao trauma. 15 anos depois, ao perder o ônibus que a levaria para a cidade,  Madeleine acaba aceitando a carona de um estranho de barba bem feita, lindos olhos azuis e péssimas intenções, chamado Tony (Heinz Hopf). A trama revela que o educado homem, na verdade, é um cafetão, levando Madeleine à sua casa, colocando entorpecentes na bebida da moça, que a faz dormir. Tony a vicia em heroína, uma das drogas com efeitos mais graves que existe. Como não consegue ficar muito tempo sem a droga, em troca dela, Tony obriga Madeleine a se prostituir, mas já no primeiro programa, o cliente sai com o rosto arranhado e como consequência da revolta, a moça tem um olho perfurado por um bisturi do cafetão, acabando por ganhar o apelido de One Eye. Com o passar do tempo, ela parece aceitar a condição de prostituta e viciada, mas está treinando caratê, tiro e perseguição automobilística às escondidas, com o dinheiro que ganha com seus clientes, armando uma vingança para ninguém botar defeito.

A belíssima Christina Lindberg interpretando Madeleine.

“Thriller – A cruel picture”, é famoso por seu diretor ser pupilo do gênio Ingmar Bergman que, reza a lenda, não gostou do longa e por causa disso cortou relações com o aluno. Além disso, o diretor americano Quentin Tarantino o nomeia como o maior filme sobre vingança já realizado, servindo de influência direta para sua obra mais conhecida, Kill Bill (2003/2004).

Tony prestes a perfurar o olho de Madeleine.

É um filme incômodo, a palavra é essa… Não foi feito para se sentir à vontade, como bem mostra na detalhada e vagarosa cena em que Madeleine perde o olho, na ausência agonizante de trilha sonora em alguns momentos, no silêncio da personagem que é preenchido por seus pensamentos e ações, nas cenas de sexo explícito que se tornam ainda mais incômodas por não passar a ideia de prazer, pela violência simples e cruel filmada em câmera lenta, o lesbianismo considerado escândalo para a época… mas não desista de assisti-lo!

Thriller – A Cruel Picture, foi o único filme censurado na Suécia.

Esse filme merece destaque ainda por causa da maneira como o figurino dos personagens chamam atenção, não por ser bizarro ou algo semelhante, mas sim por harmonizar com o cenário inserido em cada cena. Se prestar atenção, é outono e Madeleine usa os mesmos tons da estação quando é estuprada na infância e sequestrada em sua vida adulta, causando uma mistura muito interessante de se ver, quase uma premonição. Quando perde todas as esperanças e tem apenas a vingança como foco, a moça usa preto dos pés à cabeça. Vale a pena citar a personagem, pois com seu tapa-olho e sobretudo preto, Madeleine virou referência para o cinema mundial por estrear a ideia de uma mulher com armas e executando uma vingança sangrenta, vagarosa e fria quando o comum era que houvesse personagens mulheres muito longe desses aspectos. Outro ponto interessante é a maneira como vai se revelando a trama principal pois, por mais que o roteiro se espalhe em cenas longas e detalhadas de sexo explícito, uso de drogas e violência, todas elas se guiaram para a preparação e vingança de Madeleine de uma forma genial e fluida, fazendo valer o desconforto ao assistir os primeiros momentos. São ideias criativas, um personagem inesquecível e um filme que te prende do começo ao fim.

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