Em passos apressados e largos, ela corre (plano italiano). Trajando um jeans fora de moda e um tênis surrado ela sobe os degraus da escada. (plano aberto, pegando todos os transeuntes). Falta pouco menos de cinco minutos para a sessão começar, a fila do cinema é imensa, ela está inquieta, mexe as mãos ansiosamente e olha para o relógio (plano fechado na mão e close no relógio). Até que Ethan Hunt (Tom Cruise) me puxa e me coloca dentro de uma sala lotada de cinéfilos. Está na hora do filme!

Até que esse esboço de roteiro poderia ser real, o que seria um alívio para esta repórter que vos escreve – que vira e mexe anda atrasada, porém sem um Ethan para salvá-la no último minuto. Com o corre-corre da vida, só agora pude falar sobre a noite de “Missão Impossível: Nação Secreta”. Em sessão promovida pela hamburgueria Wayne’s, em ocasião da inauguração da loja no Natal Shopping, Jozimar Jr. e Frederico Lima, irmãos, donos e idealizadores da empresa, uniram duas paixões: hambúrguer e cinema. De acordo com eles, a história de como começaram seus negócios muito tem a ver com a temática da franquia de ação estrelada por Tom Cruise. E foi dessa forma que dia 10 de setembro eu comi sandubas e vi um dos filmes de ação mais aguardados do ano.

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Rebecca Ferguson e Tom Cruise em Missão Impossível: Nação Secreta

Atire a primeira pedra aquele que não se diverte com Missão Impossível! Sim, é um filme de ação, por vezes perdem o tom no exagero, fato! Mas, ainda assim a franquia vem se mostrando muito consistente e um belo exemplo de entretenimento. Sob a batuta de Christopher McQuarrie (Jack Reacher, 2012) e produção do queridinho de Hollywood, J. J. Abrams, o quinto filme da franquia traz a tona uma temática conhecida dos filmes de ação, EUA x URSS (hoje em dia Rússia). A guerra fria serve como pano de fundo para que o agente da IMF Ethan Hunt (Tom Cruise) por fim acerte suas contas com seu maior inimigo, o Sindicado (uma organização de assassinos sigilosos altamente treinada para matar agentes secretos).

A IMF se vê em maus lençóis quando o chefão da CIA, Alan Hunley, interpretado por Alec Baldwin, resolve dissolver a agência porque o governo não acredita na existência de uma organização secreta disposta a destruir o mundo. Mas o intrépido agente Hunt acredita e fará de tudo para provar que tem razão e desmascarar os líderes do Sindicato. Eis o plot de Missão Impossível: Nação Secreta. Era tanta seqüência de ação – uma atrás da outra, que ansiosa acabei comendo boa parte dos miniburgueres, servidos pela Wayne’s, ainda na primeira parte do longa.

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Benji Dunn (Simon Pegg) dá o tom cômico do filme

A ideia de agentes secretos com a pegada “guerra fria” se revelou uma sacada bacana dos roteiristas e um desbunde de referências pôde ser visto em tela, o jogo de aparências de quem é o quê e quem trabalha para quem é muito utilizado. Se a franquia teve seus momentos de baixa, Nação Secreta retoma o encanto original: o prazer de ser enganado por um truque visual e não somente um truque de roteiro, de reviravolta da história.

As referência fílmicas do longa geraram momentos de puro deleite estético, como o passeio por Casablanca, em que Tom Cruise traja um terno azul no meio do deserto, com seus óculos escuros fazendo um ar tão cool quando Bogart com seu chapéu e sua cara de  sofrido no clássico, “Casablanca”. Rolou referência a Houdini também, o escapismo debaixo d’água numa cena de prender o fôlego, literalmente. E a clássica cena da ópera, na ação que acontece durante um espetáculo de ópera em Viena.

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Foto roubada do instagram do @jozimarjr da noite do dia 10 de setembro

Os personagens “novos” já estão bem delineados com o passar dos filmes, caso de William Brandt (Jeremy Renner), chefe de Hunt, que controla as missões em terra e o sempre divertido Benji Dunn (Simon Pegg) que não só faz a parte cômica do filme, mas também representa a nós, os espectadores, sempre ávido para participar da ação em campo, apesar de não necessariamente estar preparado para tal tarefa. No entanto quem se destaca, não só pela beleza, mais por convencer no seu papel, é a atriz sueca Rebecca Ferguson. Ela interpreta a agente Ilsa Faust e rouba a cena toda vez que contracena com Tom Cruise, o que convenhamos não é uma tarefa tão difícil assim.

A noite teve seu saldo positivo, “Missão Impossível: Nação Secreta” cumpre seu dever de entretenimento, com cenas de puro exagero e ação pra marmanjo nenhum sair descontente, assumindo talvez sua melhor fase desde o primeiro filme da franquia, com o olhar sempre competente e atento de J. J. Abrams. E eu ganhei algumas calorias a mais e gostei da ideia de hambúrguer no cinema. Parabéns ao pessoal do Wayne’s Burguer pela iniciativa e que venham outros eventos de sucesso como este.

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