V de Vingança: uma ideia nunca morre

“V de Vingança” teve origem numa série de romances gráficos escritos por Alan Moore e cuja maior parte foi desenhada por David Lloyd, de 1982 a 1983, que foi retomado em 1988. O filme foi lançado em abril de 2006 e dirigido por James McTeigue. Ambos retratam um futuro fictício nos quais se ouve muito que a “Inglaterra prevalece”, mas prevalece sob o regime totalitário do chanceler Sutler (John Hurt), que deposita todos os seus esforços na construção de uma Inglaterra livre de qualquer pessoa ou ideia que sejam contrários aos seus ideais religiosos e políticos, como homossexuais e partidos de oposição, por exemplo. O chanceler busca meios de eliminar esses incômodos e ter um país com pessoas submissas às suas ideologias, mas há alguns sobreviventes… Entre eles, um estranho usando a máscara de Guy Fawkes, que se autointitula com apenas uma letra: V (Hugo Weaving).

Cavalheiro, carismático, teatral e muito inteligente, V conhece cada detalhe do seu governo, cada rua de Londres e todos os lados da história dos poderosos que dominam seu país, além de ser  um maestro da destruição e da luta. Ele conhece Evey Hamond (Natalie Portman) quando a moça está prestes a ser estuprada pelos agentes do próprio governo inglês e, a partir daí, ela assume um papel importante na luta do mascarado contra a tirania que suja o seu país, sendo apresentada à cultura que era censurada pelo governo e também aos motivos que levaram V a ser o que é: uma ideia.

O momento em que V salva Evey é o mesmo do encontro de duas ideologias completamente distintas

V de Vingança é um daqueles deliciosos filmes que prendem o telespectador pelo roteiro, como por exemplo, nas cenas em que o protagonista do filme está vivendo a noite que tanto planejou, a noite do 5 de novembro. Depois de ter sido cercado e conseguido destruir a polícia do governo, quando perguntam porque ele não morre mesmo depois de tantos tiros à queima roupa, ele diz que por trás da máscara que usa, há mais que carne e sangue… Há uma ideia, e ideias são à prova de balas. Nessa hora, a curiosidade por descobrir como é o rosto de V perde sua importância e dá espaço ao que ele tenta representar de corpo e alma: a esperança de haver uma Inglaterra mais justa para todos.

Outra cena que se tornou marcante foi a dos habitantes de Londres demonstrando que estavam ao lado do revolucionário, saindo às ruas vestindo a capa, chapéu, peruca e máscara tão características de V. As pessoas não estavam gritando, agredindo ou degradando, apenas andaram a passos lentos e firmes contra a maré de policiais, atravessado-os e parando em frente ao Parlamento, para contemplar os feitos daquele que os chamou às ruas. Sob a máscara que estilizava o rosto de Guy Fawkes, o silêncio daquela passeata era pesado e devastava mais que qualquer grito ou agressão.

Este será um filme atemporal enquanto houver pessoas insatisfeitas com seu governo.

A máscara de V tem sido o rosto de inúmeros manifestantes em uma série de protestos que estão acontecendo em várias cidades brasileiras, reivindicando melhorias na educação, saúde e transporte da população, além de ser um dos símbolos da comunidade virtual Anonymous. Ela foi inspirada em Guy Fawkes, um soldado inglês católico e muito experiente com explosivos, um dos participantes da Conspiração da Pólvora (1605), levante inglês que pretendia assassinar o rei Jaime I, que era protestante, e todos os membros do parlamento. Eles tinham como objetivo destruir (literalmente) a repressão que o rei protestante executava sobre os políticos católicos, cortando seus direitos por sua religião ser considerada algo ofensivo à coroa,  além de querer trazer de volta o poder da igreja, mas não deu certo e Guy Fawkes, junto com outros envolvidos, foram enforcados. Sua captura se deu em 5 de novembro, e atualmente, comemora-se a Noite das Fogueiras no mesmo dia em homenagem ao soldado.

 

Manifestante protestando em Niterói, Rio de Janeiro
Símbolos do Anonymous

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Clara Monteiro
Estudante de Enfermagem que se mete em letras, músicas e desenhos. Segue a filosofia de que a vida é muito curta para gastá-la com preocupações. Dificilmente algo conseguirá surpreendê-la. Lê tudo, assiste tudo, vê o lado bom de tudo. É editora deste site.
Clara Monteiro

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Estudante de Enfermagem que se mete em letras, músicas e desenhos. Segue a filosofia de que a vida é muito curta para gastá-la com preocupações. Dificilmente algo conseguirá surpreendê-la. Lê tudo, assiste tudo, vê o lado bom de tudo. É editora deste site.

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Fahad Mohammed Aljarboua
10 anos atrás

“Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot”.

Jonathan De Assis
10 anos atrás

Tanto na hq quanto no filme, a historia se passa no futuro, e não no passado como vc disse. No caso da hq, se passa em 1997, e hq foi escrita nos anos 80, apesar de ja termos ultrapassados a data, ainda é uma projeção do futuro. No filme, acho que se passa durante os anos 2020.

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