34 anos sem John Lennon

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O edifício Dakota, em Nova York, presenciou uma outra cena de terror em sua portaria há 34 anos. Não! Não iria ser gravado por lá mais um filme de terror, igual a “O Bebê de Rosemary” (1969), do franco-polaco Roman Polanski. Hoje, 8 de dezembro de 2014 é o aniversário de morte do beatle John Lennon. Ele foi assassinado por Mark Chapman.

John estava voltando a trabalhar após cinco anos cuidando do filho Sean e da esposa Yoko Ono, que ficou grávida durante a gravação do álbum “Rock’n Roll”. No mesmo ano, Lennon tinha conseguindo um green card para viver nos Estados Unidos, após diversas ameaças de deporte para Inglaterra.

Capa de Double Fantasy

Capa de Double Fantasy

Em 1980, ele lançou o que seria seu último álbum, intitulado de “Double Fantasy”. Alguma canções (compostas pelo músico e Yoko) chegaram a ser gravadas durante esse período de reclusão. Os sucessos do disco foram “Starting Over” e “Woman”.

Na tarde de 8 de dezembro de 1980, um jovem de 25 anos chamado Mark Chapman tinha conseguido um autógrafo de Lennon em uma capa do “Double Fantasy. Este momento foi registrado por um outro fã que estava no local. Entretanto Chapman fez vígilia pela volta do cantor em frente ao Edifício Dakota (local onde já morou muitas celebridades, como Aleister Crowley, Lauren Bacall e Judy Garland), construído em 1880 com arquitetura de art nouveau.

Por volta de 23h de 8 de dezembro de 1980, o músico retornava, com sua esposa Yoko Ono, de um estúdio de gravação.

Foi nesse momento que Chapman sacou um revólver calibre 38 e efetuou cinco disparos contra Lennon.  O primeiro tiro atingiu uma janela do prédio, porém os quatro seguintes atingiram em cheio o corpo de Lennon, três deles atravessando o corpo e um deles destruindo a artéria aorta do cantor, causando severa perda de sangue e ele caiu na portaria.

John Lennon foi declarado morto ao chegar ao hospital e Chapman foi preso assim que a Polícia chegou ao local. Após o crime ser noticiado pela mídia, multidões de fãs se juntaram ao redor do Hospital Roosevelt e do Edifício Dakota para prestar homenagem ao beatle. O corpo do cantor foi cremado dois dias depois e sua cinzas foram entregues à viúva que preferiu não realizar um funeral.

Mark Chapman justificou que o seu ódio a John Lennon originou-se das várias afirmações do cantor sobre Deus. Ele também alegou que era fã dos Beatles, até o dia em que John Lennon fez a polêmica declaração de que os “Beatles seriam mais populares que Jesus Cristo”, em 1966.

Chapman recebendo o autógrafo de Lennon em uma foto tirada por outro fã

Chapman recebendo o autógrafo de Lennon em uma foto tirada por outro fã

Existe, contudo, uma contradição em seu argumento,  uma vez que já havia planejado assassinar o apresentador americano Johnny Carson e a atriz Elizabeth Taylor.  Argumenta também que o livro de J.D. Salinger, “O Apanhador no Campo de Centeio”, foi sua inspiração para cometer o crime. Tanto que ele carregou o livro na noite em que cometeu o assassinato.

Durante o julgamento, a equipe de defesa tentou provar, baseando-se em testemunhas, que Chapman sofria de insanidade, não sendo responsável por seus atos. Mark Chapman recusou a orientação e enfrentou o julgamento alegando ser culpado. Ele foi condenado à prisão perpétua.

Entretanto, o assassino poderia responder em liberdade condicional após 20 anos de sentença. Todos os pedidos desde então por sua liberdade, refeitos a cada dois anos, têm sido negados.  A viúva de Lennon, Yoko, se opõe veementemente à possibilidade de Chapman ser posto em liberdade, alegando que ele ainda constitui um perigo para ela e seus dois filhos com Lennon. O próximo julgamento será em agosto de 2016.

Já Paul McCartney disse em entrevistas que nunca perdoaria o assassino de Lennon e disse que “era a única pessoa que ele tinha ódio”.  34 anos se passaram e de uma coisa temos certeza: John Lennon tinha muita música para fazer e cumprir ainda, apesar do grande legado que deixou em mais de 20 anos de carreira, tanto nos Beatles quanto em carreira solo. Até hoje, Yoko Ono mora no edifício Dakota, conforme mostra nesta entrevista para a Folha de S. Paulo em janeiro deste ano.

Assassinato de John Lennon na mídia

Existem vários filmes e documentários sobre o assunto. Um deles foi lançado em 2007, chamado “Capítulo 27”, produzido no Canadá e foi estrelado pelo ator Jared Leto,  que engordou bastante para fazer o papel de Mark Chapman. O título refere-se ao livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, que contém 26 capítulos e o 27º capítulo seria a continuação da história, uma vez que Mark Chapman por vezes dizia se chamar Holden Caulfield, nome do fictício protagonista.

Também tem um documentário chamado “The Day John Lennon“, produzido na Inglaterra em 2010, que traz relatos e imagens de pessoas que presenciaram o assassinato do beatle.  Outra película que fala do assunto é “I Killed John Lennon”, que traz o depoimento do assassino do cantor e como ele planejou este crime.

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