Existe uma constatação exagerada de que histórias em quadrinhos seja terreno exclusivo aos marmanjos. Isso se deve, talvez, por fatores históricos como a incontável presença de super heróis machões e musculosos nas páginas das revistas, ou até mesmo, pela massiva presença masculina de desenhistas, redatores e produtores de HQs.

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Com o correr do tempo, muitas garotas deixam de lado as leituras por não se sentirem representadas nas páginas das HQs. Retratadas como personagens frágeis e necessitadas de um “salvador”, ou, como voluptuosas e extremamente erotizadas, os enredos geralmente negligenciam estas exigentes leitoras.

Aos poucos, o interesse de uma menina vai esfriando e isso interfere até mesmo na vontade das pequenas em criar suas próprias aventuras, seja trabalhando como desenhistas ou roteiristas. Isso explica como o mercado de realizadores possa ser lembrado como terreno para homens.

Competência e estilo

Mesmo diante desse impasse, a parcela feminina no mercado da arte sequencial só tem crescido nos últimos 30 anos. Com isso, avançam também o resgate e a pesquisa das mulheres que no passado contribuíram para o estabelecimento dos gibis na cultura popular do último século.

Esse caminho foi conseguido através da luta e desenhos de mulheres que desafiaram preconceitos e convenções de suas épocas. Exemplos como o de Jackie Ormes, artista afro-americana de Chicago que em plenos anos 1930 criou a corajosa “Torchy Brown”, considerada a primeira personagem negra e independente dos quadrinhos.

Nada de doméstica! Meu nome é Torchy Brown!

Dalia Messick (com a jornalista “Brenda Starr”), Marjorie Henderson (“Luluzinha”), Pagu (“Malakabeça”, “Fanika” e “Kbelluda”), Hilde Weber (chargista), Edwina Dumm (“Cap Stubbs e Tippie”), June Tarpé Mills (“Marla Drake”), são outros nomes a figurar nessa galeria.

Quando o tema é quadrinhos e pesquisa no Brasil, deve-se sempre citar o nome da professora Sônia Luyten. Responsável por abrir caminhos para o reconhecimento de um meio de expressão tido, infelizmente, ainda como marginal, Sônia iniciou em 1972 o curso de Histórias em Quadrinhos da ECA/USP. A formação permanece até hoje como pioneira no mundo.

Produção brasileira

Adotando o lema “HQ não é só pro seu namorado”, o site “Lady’s Comics” mostra-se como um ótimo espaço de divulgação e construção do diálogo entre mulheres e gibis. Apesar do batismo em língua estrangeira, o site é fruto do trabalho de Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta. Três garotas de diferentes regiões do Brasil que ainda contam com a ajuda de colaboradoras na produção das matérias.

“Resgatar a história das mulheres que utilizam a nona arte como meio para contar as suas histórias, apresentar seus pontos de vista, protestar e promover transformações sociais”, é como define, Mariamma Fonseca, o trabalho das Ladies.

Uma brasileira de destaque no mercado dos quadrinhos é Ana Luiza Koheler. Arquiteta e Artista plástica, essa incansável porto-alegrense possui trabalhos publicados no mercado franco-belga e atualmente trabalha na produção de “Beco do Rosário”, título que apresenta a valente “Vitória Azambuja”, mulher negra e moradora do beco que dá título à HQ.

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Passado e futuro sob o olhar de Vitória

Citar todas essas verdadeiras heroínas ainda é muito pouco para o que já contribuíram, ou podem contribuir no universo dos quadrinhos, a leitura, participação e produção feminina. É correto entender que as verdadeiras mulheres maravilhas podem estar ao nosso lado, e certamente, na companhia de uma ótima HQ.

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Antonio Laudenir
Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará, atua em veículos de comunicação impressa e virtual nas áreas de jornalismo cultural, comunicação alternativa e sindical. Foi bolsista do Programa “Rumos Jornalismo Cultural” (Itaú Cultural – SP) e integrou o projeto “Novos Talentos” do Jornal O Povo (CE). É estagiário da Metamorfose Comunicação (CE).
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Antonio Laudenir

Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará, atua em veículos de comunicação impressa e virtual nas áreas de jornalismo cultural, comunicação alternativa e sindical. Foi bolsista do Programa "Rumos Jornalismo Cultural" (Itaú Cultural - SP) e integrou o projeto "Novos Talentos" do Jornal O Povo (CE). É estagiário da Metamorfose Comunicação (CE).

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