Foto: Fábio Setti

A Bahia mais pop do que nunca; conheça Nêssa

Para quem reside em Salvador, ou já teve a oportunidade de visitar a cidade, sabe e também percebe a musicalidade da capital baiana. Na década de 90 estouraram os dois principais gêneros musicais: o Axé Music e o Pagode. Ambos os gêneros foram originados a partir do Samba. Daí surgiram novos ritmos e variações, e se aproveitando disso, o soteropolitano se apropriou de outros gêneros, como o pop.

O brasileiro, por si só, sempre teve uma referência do pop estrangeiro, contudo desde meados de 2017 novos nomes do pop brasileiro se consolidaram. Porém, a Bahia, sobretudo Salvador, ainda está atrás na corrida, mas já começa a projetar nomes fortes que representam e revigoram o cenário. BaianaSystem, Larissa Luz e ÀTTØØXXÁ já exportaram o seu som. Novos nomes também estão surgindo, como Maýa, Nininha Problemática e Nêssa, que a cada mês vão conquistando os seus devidos espaços.

Vanessa Ribeiro, 27, é um desses nomes, entretanto o público a conhece sob a alcunha de Nêssa. Em entrevista exclusiva à Revista Pagu, ela contou sobre esse novo cenário que está em crescimento, próximos trabalhos e carreira. 

Questionada sobre como se vislumbra dentro dessas mudanças musicais em Salvador, ela responde entusiasmada. “No pop eu me encontrei porque eu posso mesclar tudo isso [funk, brega funk] e eu adiciono o pagode baiano que é o ritmo regional, né? Que eu acho que é importante você colocar uma identidade assim, e não fazer uma música que todo mundo já tenha feito”, explicou.

“Com a grana do meu trampo atual que eu banco minhas produções, meus clipes e tudo mais” 

Mesmo sendo influenciada por todos os gêneros que vão do pop à música clássica, Nêssa explica que ainda não encontrou sua identidade justamente por essa mescla. “Eu ainda estou em busca da minha identidade, eu não acho que essa é minha identidade. Eu enjoo muito fácil das coisas e eu não quero só colocar ‘pagodão’ nas minhas coisas. Eu gosto de misturar tudo mesmo, de fato. Eu gosto de misturar trap, pagode, afrobeat, então assim eu gosto de experimentar”, afirmou a cantora.

Trecho do clipe ‘Slow Motion’ da cantora Nêssa / Foto: Fábio Setti

A carreira da artista completa 2 anos em Janeiro de 2020. Antes da música, Nêssa já trabalha com ilustração, sendo designer em um estúdio de animação. Segundo ela a música serviu como um desafio, já que a sua área estava deixando-a desmotivada. Em si, a música é uma coisa que ela alega ter descoberto a pouco tempo em sua vida, graças a um comentário falando que ela tinha talento para tal. Desde então a artista investiu em aulas de canto e quando entendeu sobre a comercialidade da voz ela decidiu focar na música.

“Eu entrei na música como um plano b, pra ter outra coisa também porque eu estava um pouco desmotivada com minha área”

Falando em números, em 2019, segundo dados do Spotify, Nêssa teve 127.5 mil ouvintes que contabilizam mais de 12 mil horas de músicas ouvidas alcançando 76 países. 

O último lançamento da cantora foi o single ‘Não se Apega’, um brega funk que surfa na nova onda do momento e que surgiu em Recife. A faixa cheia de energia e com um refrão chiclete se torna perfeita para qualquer momento do dia. “Eu fiz ela para uma pessoa específica, para uma situação que eu de fato vivenciei. Só que eu não queria cantar ela, só que aí a gente estava em São Paulo [Nêssa e Bruno Zambelli] e a gente falou ‘véi, bora fazer um brega funk pra ver como é que fica? Eu tenho essa letra aqui’”, revelou. Contudo, o single não é a aposta do Verão da artista e ela ainda revela que esse ano terá mais um lançamento, aguardemos!

Para 2020 o planejamento já está praticamente pronto. Novos lançamentos de forma individual e também pelo coletivo na qual ela compõe junto com outros nomes soteropolitanos, o Bonke Music.

‘Slow Motion’, ‘Que Calor!’, ‘Só Vem’ e ‘Eu Não Ando Só’ estão entre as músicas mais ouvidas no Spotify. Inclusive, deixarei o clipe de ‘Que Calor!’ que tem a participação de Yan Cloud e Nininha Problemática logo abaixo. O cenário musical de Salvador tem ganhado novas configurações, homens e mulheres, geralmente mais jovens, tem ganhado espaço e divulgado o seu trabalho no meios digitais, principalmente. Já nas apresentações ao vivo, esses artistas são cada vez mais convidados em festivais de iniciativa pública e privada.

Fiquem de olho em Nêssa e em tantos outros, pois de uma hora para outra eles serão um sucesso absoluto, e o mais emocionante disso é que eles serão crias da minha terra.