A Entrevista: muito barulho na Coreia do Norte por quase nada

Polêmico filme é muito barulho por quase nada

Polêmico filme é muito barulho por um filme medíocre

O filme “A Entrevista” recebeu o maior número de indicações ao ‘Framboesa de Ouro’, considerado o Oscar às avessas. Quer dizer, premia os piores filmes que foram lançados no ano. Não é por menos que a comédia de Seth Rogen e Evan Goldberg está na lista – o filme é mesmo muito ruim, com roteiro fraco, sem contar a atuação do protagosnista James Franco, aclamada no filme 127 horas, mas aqui está bastante apelativa e forçada.

Esta é a quinta vez que Seth Rogen e James Franco trabalham juntos no cinema, depois de “É o Fim” (2013), “O Besouro Verde” (2011), “Segurando as Pontas” (2008) e “Ligeiramente Grávidos” (2007). Realmente, dá para ver que os dois apresentam bastante sintonia ao contracenar nos filmes anteriores, contudo, erraram a mão desta vez.

O filme gira em torno do jornalista Dave Skylark (James Francon) e do produtor  de TV Aaron Rapoport (Seth Rogen),  responsáveis por conduzir um programa de entrevistas a celebridades bastante sensacionalista. Os dois são loucos para divulgar frases “bombásticas” dos entrevistados. Isso poderia ser a fórmula perfeita para várias gargalhadas, porém só me fez soltar algumas dessas frases: “Que cara idiota!”, “Babaca”… Após o sucesso de uma das entrevistas, eles têm a “brilhante” ideia de entrevistar o Kim Jong-Un, o atual líder da Coreia do Norte.

Aí entra a parte não tão legal do filme: os americanos puxam a sardinha para o lado deles e fazem aquele maniqueismo visto em filmes relacionados à União Soviética (URSS), como nos filmes de Rocky Balboa. Os diretores fazem questão de mostrar que eles são os “bonzinhos” e os norte-coreanos os caras “malvados”.

Antes da Segunda Guerra Mundial, a Coreia era dominada pelos japoneses, que eram aliados do Eixo (Itália+Alemanha+Japão) e com a morte de Adolf Hitler, os Estados Unidos e a União Soviética saíram como vencedores das batalhas. Por isso, decidiram que a Coreia seria dividida em Coreia do Norte (dominado pela URSS) e do Sul (comandada pelos Estados Unidos).

cena-do-filme-a-entrevista-dos-diretores-seth-rogen-e-evan-goldberg-1418677541618_956x500Claro que os coreanos foram contrários a essa ideia. Então começa a Guerra da Coreia, que aconteceu entre os anos de 1950 e 1953 quando a China e URSS ajudou os norte-coreanos a invadirem a parte sul do país como uma forma de “reunificar”. Essa tentativa foi um fiasco e o general Kim II-Sung ( avô do entrevistado, Kim Jong-Un) virou o líder do país considerado comunista.

Há mais de 60 anos as duas Coreias não se conflituam e até hoje muitos tentam adivinhar o que acontece com a Coreia do Norte. O pouco que sabemos é que eles têm um exército bastante preparado, o país vive numa ditadura e os cidadãos são reclusos em relação aos outros países. Nos noticiários a Coreia do Norte ainda é conhecida por ter um arsenal nuclear e pelas ameaças aos Estados Unidos.

 Em “A Entrevista”, os jornalistas conseguem o contato com o governante e marcam o encontro, com direito a helicóptero com uma oficial norte-coreana com roupa super justa e fazendo caras e bocas. Sabendo disso, a CIA, através de uma agente “gostosona”, consegue convencer Dave e Aaron a assassinar o então presidente da Coreia do Norte. Todas as cenas foram gravadas no Canadá e a parte que retrata a Coreia do Norte foi feita por meio de computação gráfica. Portanto, eles não pisaram em nenhum país asiático para produzir “A Entrevista”.

cena-do-filme-a-entrevista-dos-diretores-seth-rogen-e-evan-goldberg-1418677550527_956x500Se você gosta de South Park vai amar o filme, porque o humor utilizado neste filme é idêntico às peripécias nada éticas de Eric Cartman. Sem contar aquelas características de outras comédias americanas, como “Todo Mundo em Pânico”, em que eles parodiam diversas referências à cultura pop americana, incluindo Katy Perry.

Algumas cenas bizarras foram as que tentam mostrar  Kim-Jung Un como um carente, infantilizado (baseado em algumas informações de que ele é um rapaz viciado nos personagens da Walt Disney), com dúvidas em relação a sua orientação sexual e também uma pessoa manipulável. Estas partes poderiam nos fazer simpatizar com o carismático ator que fez o ditador, porém não dava para fazer graça. Literalmente, eles humilham o líder norte-coreano. O filme também traz diversas piadas com a União Soviética, quando aparece Dave Skylarck e o ditador brincando com um tanque de guerra.

Sem contar que as cenas finais, parodiando qualquer obra de Quentin Tarantino e Stanley Kubrick, do filme são tão bizarras, que fazem o espectador pensar: “Não acredito que a Coreia do Norte ameaçou jogar uma bomba nos Estados Unidos por conta dessa babaquice”. Realmente, foi a única parte engraçada do filme.

Por causa dessas questões, a Coreia do Norte ficou enfurecida, ameaçou bombardear as salas de cinema que exibissem o filme e fez com que a Sony tivesse um prejuízo de mais de 30 milhões de reais em propaganda, além de ter sua rede hackeada com diversos e-mails secretos e partes do roteiro do novo filme do 007 sendo divulgados.

No final, o filme foi disponibilizado na internet e em pouquíssimas salas de cinema. Quem esteve curioso para assistir o filme “censurado” se decepcionou e ficou se questionando o porquê desse alarde para uma obra fraca e uma comédia que só os americanos acham engraçada. Além de ser indicada como “Pior Filme”, Seth Rogen e James Franco disputam o prêmio de pior ator, assim como o de pior dupla do cinema no Framboesa de Ouro.

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