A luta das mulheres na sétima arte

Desde os primórdios da história do cinema, a mulher vem lutando pelo seu espaço na sétima arte, seja na frente ou atrás das câmeras. Isso se dá em grande parte pelo contexto histórico em que o cinema nasceu. No início do século XX, a sociedade mundial tinha uma perspectiva na qual a mulher era inferior e dependente do homem. E como a arte imita a vida, e vice-versa, essa ideologia antiquada acabou se inserindo no campo do cinema.

Em 1934, Hollywood aderiu completamente ao Código Hays, que enumerava uma lista de pontos que proibiam os idealizadores dos filmes de tratarem de certos assuntos, os quais se tornaram verdadeiros tabus na indústria cinematográfica. Foram tempos difíceis para todos os cineastas não convencionais. Os filmes americanos seguiram esse modelo até 1968, quando o código foi substituído pela classificação por faixa etária. Muitas mulheres cineastas se destacaram nesse período, como Dorothy Arzner, Germaine Dulac e Shirley Clarke, que produziram grandes obras experimentais e independentes.

Com a segunda onda do feminismo, no fim da década de 1960, as mulheres começaram a conquistar seu espaço na indústria do Cinema. Filmes como “Wanda” (1970) de Barbara Loden, que é considerado um dos mais brilhantes trabalhos cinematográficos de Hollywood, foram surgindo com o passar do tempo.

Wanda de Barbara Loden

Wanda de Barbara Loden

As mulheres sempre tiveram espaço dentro das telonas. Entretanto, os papeis femininos quase sempre seguiam o estereótipo sexista, e se tratavam em grande maioria, de mocinhas indefesas e/ou apaixonadas. O feminino também foi ilustrado de forma sensual e erótico, sempre servindo como par romântico e, em alguns casos, como em “E o Vento Levou” (1939), a mulher teve um papel importante de protagonista da trama.

Também era comum se ver mulheres atuando em musicais da época. Com canções que geralmente abordavam temas como o amor. E apesar de aparecerem frequentemente nos filmes com papeis importantes, a mulher ainda era retratada como o sexo frágil, delicado, sensível e emotivo.

Marilyn Monroe em "O Pecado Mora ao Lado"

Marilyn Monroe em “O Pecado Mora ao Lado”

Ao longo das décadas, a sétima arte foi se tornando mais eclética e abrindo espaço para mais temas, estilos e gêneros. Diretores como James Cameron, conhecido por colocar mulheres como protagonistas de seus filmes (como por exemplo, Titanic, de 1997), foram ao poucos introduzindo as mulheres de forma mais igualitária no cinema, representando-as sob uma perspectiva mais justa e real, na qual a mulher pode ser heroína, vilã, aventureira, e qualquer outra coisa que qualquer homem possa ser.

Mas a grande revolução feminista no cinema como um todo ainda não ocorreu, está acontecendo agora. Desde o início do século XXI até os dias atuais, o espaço feminino conquistado foi enorme. Cineastas de destaque como Catherine Breillat, Kathryn Bigelow, Sofia Coppola e Ava Duvernay (Que dirigiu “Selma”, 2015) fizeram trabalhos notórios. Até mesmo no âmbito dos blockbusters, vimos Jennifer Lawrence interpretar uma heroína em “Jogos Vorazes”. Em “Frozen”, temos duas princesas independentes de príncipes. Em “Gravidade”, vimos a Dra. Stone (Sandra Bullock) protagonizando um filme de sobrevivência espacial. Fora esses, ainda existem vários outros exemplos da revolução que está acontecendo na indústria cinematográfica.

Kate Winslet como Rose Dawson em “Titanic” (1997)

Kate Winslet como Rose Dawson em “Titanic” (1997)

Nós, cinéfilos e amantes da sétima arte, não perdemos nada com a igualdade de oportunidades no cinema, pelo contrário, apenas ganhamos. Ganhamos mais filmes, mais histórias, mais estilos e mais horizontes. E como disse Patrícia Arquette no seu discurso de vencedora de melhor atriz coadjuvante: “É nossa hora de ter igualdade de salários de uma vez por todas e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos”. E neste Dia da Mulher, é bom lembrar: a luta continua.

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