Produção é a estreia do jornalista Henrique Arruda como cineasta (Foto: Paulo Fuga/Divulgação)

“Ainda Não Lhe Fiz Uma Canção de Amor”, curta potiguar busca financiamento coletivo

Produção é a estreia do jornalista Henrique Arruda como cineasta (Foto: Paulo Fuga/Divulgação)
Produção é a estreia do jornalista Henrique Arruda como cineasta (Foto: Paulo Fuga/Divulgação)

Todo mundo que possui um envolvimento com algum músico quer ter uma canção em sua homenagem, mesmo se for em um romance entre idas e vindas. Esta é a proposta do curta-metragem “Ainda Não Lhe Fiz Uma Canção de Amor”, estrelado pelos atores Arlindo Bezerra e Pedro Fassanaro, que já atuou em “Sailor”, de Victor Ciríaco. O novo curta é a estreia do jornalista Henrique Arruda na produção audiovisual.

Arruda já fez algumas experimentações ali e acolá, como o documentário “Três por Três”, que retrata várias histórias no interior do Rio Grande do Norte. “Na época, a gente gostou muito do resultado. Porém, olhando para trás, eu faria algo um pouco diferente”, relembrou o jornalista ao falar sobre seu doc para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O contato com cinema existe desde sempre. Henrique já chegou a ter um blog relacionado com cinema, porém encerrou as atividades por ver “que queria fazer algo e não criticar as produções”, além dos trabalhos da redação e a faculdade ter lhe consumido um pouco do tempo. Todavia,  “Ainda Não Lhe Fiz Uma Canção de Amor” é uma novidade para Henrique, pois é um trabalho de ficção e conta com uma equipe em torno de 20 pessoas.

“Esse lance de fazer um curta é bem antigo. Entretanto, essa ideia de produção cinematográfica veio mesmo ano passado, quando realizei um projeto no Cine Natal e eu fiquei na suplência. Terminando o edital, olhei para aquele texto e percebi que precisava mais maturidade para mexê-lo. Então, eu resolvi desenvolver um outro projeto”, explicou o jornalista que também escreve para o caderno de cultura do Novo Jornal.

O projeto intitulado apenas de “O Papel” foi parar na gaveta e o seu mais recente trabalho veio a partir da música “Vem Aqui”, de Luiz Gadelha, do álbum “Suculento”. Henrique se definiu uma pessoa musical, pois a música é o combustível para realizar as suas atividades. “Eu sempre tive uma história de uma pessoa que não fez uma canção de amor para outra. O roteiro teve tantas versões que hoje está bem diferente. Hoje, tem personagens bem elaborados, tem várias locações e é um projeto mais robusto”, alegou.

Logo do filme
Cartaz do filme

A história trata da história de Greg e Alessandro. Greg é um músico que gosta de jazz, curte Billie Holiday, Amy Winehouse e Belle & Sebastian. É um cara hipster. Embora tenha consumido todo tipo de música, toca gaita nas noites natalenses e é formado em música pela UFRN. Alessandro, por sua vez, é fotógrafo. O filme narra a história dos encontros e desencontros que permeiam o relacionamento dos dois.

O jornalista-cineasta acredita que o foco da história é o romance dos rapazes, que a fotografia e a música estão em segundo plano. Os atores Pedro Fassanaro e Arlindo Bezerra foram escolhidos por um teste. A preparação de elenco foi feita por Henrique Fontes, da Casa da Ribeira.

“Este filme é muito lindo para mim, pois estou contando com a ajuda da galera. Comecei praticamente do zero, batendo de porta em porta. Agora conto com muita gente apoiando”, comemorou Henrique.

Uma das formas que ele procurou fazer o seu filme foi usar o site de financiamento coletivo Catarse. O sistema de crowdfunding está cada vez mais comum e O CHAPLIN já mostrou alguns exemplos, como o quadrinho “Fronteira Livre”, de Milena Azevedo e Brum.

“Eu já tinha observado esse lance do crowndfunding em matérias que fiz. Aí observava de longe que muitos trabalhos daqui foram financiados por lá”, disse. A intenção é arrecadar 2600 reais e a equipe já conseguiu atingir 50% do objetivo. Henrique Arruda comentou que a razão pela qual optou por fazer o trabalho dessa forma é por querer algo rápido, facilitado e sem a necessidade de burocracia, comum em editais.

Para contribuir com o projeto, é só clicar aqui.

Neste momento, o curta está em fase de pré-produção, preparação de elenco e gravação de teasers. Eles vão começar a gravar para valer na segunda quinzena de maio e pretendem fazer a estreia em novembro. Henrique comenta que trabalhos como o dele e do Caboré Audiovisual estão ajudando a fomentar a cena potiguar, mas que é necessário mais incetivos das prefeituras e o Governo do Estado, como é proposto em Pernambuco e Paraíba.

“O Rio Grande do Norte precisa de mais políticas voltadas para produção de cinema. Hoje, a Funcarte tem o Cine Natal, porém ainda não é uma lei de incentivo, podendo ser cancelado a qualquer momento”, finalizou. A expectativa inicial é de que Ainda não lhe fiz uma canção de amor seja exibido em 50 mostras e festivais nacionais e pelo menos dois internacionais até 2017.

Ficha Técnica:

Direção/Roteiro: Henrique Arruda
Assistente de direção: Dhara Ferraz
Direção de fotografia/imagens: Rodrigo Sena
Trilha sonora: Luiz Gadelha
Preparação de elenco: Henrique Fontes
Arte: Ana Clara Monteiro
Direção de arte/figurino: Gabrielle Barros