Rolou. Pela primeira vez na história da teledramaturgia da Rede Globo, a maior emissora do país, a mais relevante expressão de amor entre dois homens foi exibida no horário nobre: o beijo de um casal gay. O marco foi ao ar sexta-feira (31), dentro do último episódio de “Amor à vida”, trama de Walcyr Carrasco. Coube aos atores Matheus Solano, que deu vida ao amado vilão Félix, e  a Thiago Fragoso – o “carneirinho” – a interpretação. Na belíssima cena, Niko se despede de Félix com um beijo no rosto, mas o vilão segura o dono de restaurantes de comida japonesa pelo braço para afirmar que ele havia mudado a sua vida. Niko, em seguida, também se declara para Félix e, em seguida, os dois dão um beijo “selo” beeem demorado.

O primeiro beijo gay veiculado pela Rede Globo

O primeiro beijo gay veiculado pela Rede Globo

Segundo informações do “Estadão”, momentos após a exibição do beijo gay, a novela marcava 44 pontos no Ibope e 61% no share, que é a participação no total de TVs ligadas. Para o Ibope, 1 ponto equivalente a 65 mil domicílios na Grande São Paulo.

A torcida para que Niko e Félix ficassem juntos começou desde que Walcyr Carrasco aproximou os personagens, já na reta final da trama. Com a boa repercussão dessa opção, o autor da novela resolveu solidificar o relacionamento entre os dois, o que permitiu a formação de uma grande torcida para que o beijo ocorresse. No Twitter, a tag #BeijaFelixeNiko dominou a rede social na última sexta-feira. No Facebook, várias imagens (fotos e desenhos) do casal – acompanhadas da tag #Feliko – não passaram despercebidas pelos usuários.

Nas redes sociais, a torcida pelo casal era grande

Nas redes sociais, a torcida pelo casal era grande

“Amor à vida” começou de maneira ágil e logo revelou as magistrais atuações de Matheus Solano e Tatá Werneck. No seu decorrer, a novela esfriou e várias campanhas sociais promovidas não foram coerentes (o câncer de Nicole, por exemplo) ou desapareceram de uma hora para outra (a Lupus que deveria ser enfrentada por Paulinha) dos capítulos do folhetim. A trama ganhou força novamente nas últimas semanas e o capítulo final, calcado no perdão,  foi um dos melhores exibidos pela teledramaturgia da emissora carioca nos últimos anos. O carinhoso beijo gay consolidou o excelente final e certamente entrará para a história da televisão brasileira.

Relembre outros casais gays das novelas

Vale Tudo (1988)

Na novela de Gilberto Braga, Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) dividiam o mesmo lar e andavam de mãos dada pela rua. Entretanto, conforme o site Vírgula, esse tipo de afetividade era comum entre mulheres naquela época, o que contribuiu para a abordagem ambígua da relação entre elas.

Mãe de Santo (1990)

Em seu décimo primeiro episódio, a minissérie da extinta Rede Manchete narrou a história de Lúcio e Rafael, um casal homossexual interpretado pelos atores Raí Alves e Daniel Barcellos, respectivamente. Com os dois personagens contra a luz e uma trilha inspirada nas religiões africanas, acontecia o “primeiro beijo gay da teledramaturgia brasileira”, 24 anos atrás. Infelizmente, a minissérie não foi bem aceita pelo público e pela crítica devido ao seu roteiro confuso, em que cada episódio mostrava uma história diferente, mas todos eram narrados por uma mãe-de-santo, interpretada por Zezé Motta.

A Próxima Vítima (1995)

Sílvio de Abreu fez com que Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes) abordassem o assunto de forma mais explícita. Na trama, porém, o romance foi rejeitado pela família de ambos num primeiro momento. A rejeição por parte do público foi tanta que o ator André Gonçalves chegou a apanhar na rua por causa do papel.

Torre de Babel (1998)

Mesmo pertencendo a classes abastadas e sendo mais discretas, a forte rejeição ao casal formado por Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni) fez com que, mais uma vez, o autor Sílvio de Abreu desaparecesse com as personagens, matando-as na explosão de um shopping.

Mulheres Apaixonadas (2003)

É a partir dessa novela que o público parece demonstrar mais tolerância em relação aos casais homossexuais. A prova disso foi o último episódio da trama, em que foi ao ar um selinho entre as adolescentes as adolescentes Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picareli). Na ocasião, Clara e Rafaela interpretavam Romeu e Julieta no teatro da escola. Além disso, a novela de Manoel Carlos retratou de maneira bem positiva o bullying enfrentado pelas personagens.

O amor adolescente conquistou o público de "Mulheres Apaixonadas"

O amor adolescente conquistou o público de “Mulheres Apaixonadas”

América (2006)

A partir dessa novela é que começou a cobrança pelo beijo gay. A autora Glória Perez escreveu e os atores Bruno Gagliasso (Júnior) e Erom Cordeiro (Zeca) chegaram a gravar a cena, mas a Globo decidiu por cortá-la. O censura ao beijo repercutiu fora do Brasil.

Paraíso Tropical (2007)

“Paraíso Tropical” (2007) reflete uma fase em que as novelas ignoram a difícil situação para que o amor possa ser aceito pelas pessoas ao redor. Os personagens – “casados” há mais de seis anos – são aceitos pelas famílias, parecem não sofrer nenhum tipo de preconceito e ainda trabalham juntos.

Amor e Revolução (2012)

O SBT largou na frente e exibiu o primeiro beijo gay das telenovelas brasileiras, que foi protagonizado por Luciana Vendramini (Marcela) e Giselle Tigre (Marina). Mas ainda faltava essa demonstração de amor entre dois homens na principal emissora brasileira, ausência agora preenchida  com “Amor à vida”.

O SBT também fez história: veiculou o primeiro beijo entre duas mulheres em "Amor e Revolução"

O SBT também fez história: veiculou o primeiro beijo entre duas mulheres em “Amor e Revolução”

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