Após início de temporada alucinante, The Walking Dead apresenta midseason regular

ATENÇÃO: O texto abaixo contém revelações da temporada atual!

 Como é habitual na TV estadunidense, algumas séries entram em recesso no fim do ano por causa das festividades natalinas. Assim, The Walking Dead (TWD), uma das séries mais queridas em todo o mundo, interrompeu sua programação após o oitavo episódio, apresentando uma primeira metade (midseason) bem regular.

Criada a partir dos quadrinhos de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard, TWD sempre manteve uma regularidade, o que é bom e ruim. Se por um lado temos boa direção, uma produção séria, ótimas personagens, boas atuações e um apanhado de bons episódios (exceto os oito primeiros da segunda temporada), por outro temos episódios acima da média em doses homeopáticas, com aquela sensação de tensão claustrofóbica surgindo poucas vezes (também abrindo exceção para a terceira temporada incrível!).

O Terminal
O Terminal

A quinta temporada começa exatamente onde terminou a anterior. Rick (Andrew Lincoln de Simplesmente Amor) e seu grupo seguem aprisionados num contêiner no Terminal, local onde um grupo de pessoas se alimentava de outros humanos que ali chegavam procurando ajuda. Se o primeiro episódio fora excepcional (destaque para a cena em que Rick e Carl reencontram Judith), ele pecou em resolver num único episódio uma potencial temática, mesmo que os reflexos dessa solução ecoem em mais dois episódios posteriores.

Daryl e Glenn em momentos de tensão no Terminal
Daryl e Glenn em momentos de tensão no Terminal

Outro tema que ficou em aberto foi o grupo de canibais que teria invadido o Terminal e transformado os moradores de lá em comedores de gente. A série dá indícios de que o tema será a trama principal do quinto ano, mas quase não foi abordado nessa primeira metade. Porém, devemos esperar o término para saber se era apenas conversa fiada ou se algo grande estará por vir. Acredito que virá!

Após três episódios excelentes, a regularidade voltou a dar as caras em TWD. Dos cinco episódios seguintes, apenas um foi realmente fraco, o sétimo. Antecedendo o final da midseason, o episódio Crossed se mostrou desinteressante e teve um desfecho pífio. O último episódio voltou a apresentar um clima mais tenso trazendo um final impactante, apesar de ter soado muito forçado e desnecessário. Parecia que os roteiristas estavam obrigados a criar um grande acontecimento (Plot Twist) e acabaram apelando. Mas isso não desqualifica o episódio.

Duas coisas me desagradaram. A primeira foi o hospital Grady Memorial. Assim como os canibais, o núcleo do hospital demonstrava que teria algo realmente, mas que acabou se mostrando apenas uma distração passageira. A segunda é a escolha dos roteiristas em evidenciar personagens secundários menos interessantes.

Que Rick e Daryl (Norman Reedus de Conspiração Americana) são os mais queridos não é novidade. Também temos Michonne (Danai Gurira de O Visitante), que ganha cada vez mais espaço com seu carisma, e Carol (Melissa McBride de O Nevoeiro) que apresentou a maior evolução da série, tanto da personagem quanto da atuação de sua interprete.

Carol e Judith
Carol e Judith

Mas, até o momento, mergulhamos um pouco mais em Bob (Lawrence Gilliard Jr. de Gangues de Nova York), Sasha (Sonequa Martin-Green de The Good Wife) e Tyreese (Chad L. Coleman de Quero Matar Meu Chefe). Esse trio até se sustenta como coadjuvante, mas não tem força o suficiente para serem explorados mais afundo.

The Walking Dead é uma boa série, realizada com muito profissionalismo e competência. Como todas as séries, apresenta altos e baixos, mas tem um saldo bem positivo. Sua quinta temporada começou bem e seguiu em sua regularidade, agora nos resta esperar o término da temporada, que reinicia em oito de fevereiro do próximo ano, para podermos ter uma visão completa desse quinto capítulo da obra.