Jovens e escritores. A Feira de Livros e Quadrinhos (FLiQ) promoveu um encontro de três deles: Jair Farias, Gustavo Diógenes e Regina Azevedo. Eles discutiram desde o processo criativo até a dificuldade de atraírem eleitores da terra. O bate-papo aconteceu na tarde desta quinta-feira (23). Após a conversa, a equipe d’O CHAPLIN conseguiu entrevistar Regina Azevedo e Gustavo Diógenes.

Regina tem 14 anos e, além de frequentar o colégio onde está concluindo o ensino fundamental, ela escreve poemas e produz fanzines e saraus. Ela é criadora do “Iapois, poesia”, grupo criado em novembro de 2012, que se reúne para falar deste gênero literário e produzem concursos de slams (confira nesta matéria para entender melhor). Ela também já publicou o livro “Das Vezes Que Morri em Você” e em breve vai lançar outro, ambos pela editora Jovens Escribas.

Os escritores Regina Azevedo e Gustavo Diógenes (Fotos: Lara Paiva)

Os escritores Regina Azevedo e Gustavo Diógenes (Fotos: Lara Paiva)

Já Gustavo Diógenes sempre gostou de escrever. Em torno dos 14 anos, ele e mais um grupo de amigos, que estudavam na mesma escola, criaram o Sociedade dos Cadáveres Mortos (SCM),  uma homenagem ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Era um grupo de pessoas que usavam um blog para divulgar textos de diversas temáticas. Ora alternava para prosa, ora para poesia. Algumas vezes os textos puxavam para o humor, porém Gustavo sempre adorava brincar com a temática da ficção científica e escrever enormes textos na página. Estas longas postagens o ajudaram a desenvolver a sua primeira obra “Acáci Mundo 17”. Recentemente, ele lançou seu segundo livro, este numa plataforma digital, cujo nome é “Ensaio sobre o orgulho”.

No papo com esses dois jovens artistas, falamos sobre incentivo à leitura, alfabetização, dificuldades, entre outros assuntos. Confira a entrevista:

O CHAPLIN: Quando vocês começaram a iniciação à leitura?

Regina Azevedo: Eu não tinha muito estímulo pela leitura, mas pelas artes. Minha família me levava muito para shows, teatro, lançamento de livros e estes estavam lá em casa. Então, eu ficava pegando, às vezes não. Tem uma história de quando eu tinha sete anos e queria provar coca-cola pela primeira vez na vida e minha mãe me disse: “Eu lhe deixo experimentar, se você conseguir escrever coca-cola direito”. Então, eu consegui.

Gustavo Diógenes: Minha iniciação pela leitura foi feita através dos meus pais, que são leitores muito ávidos e eles nunca impuseram a leitura, me forçaram, mas os livros estavam sempre disponíveis. Isto nunca me faltou, conseguir um livro que queria era a coisa mais fácil do mundo e havia todo o incetivo. Foi por livre e espontânea verdade. Eu queria ler e aproveitei todas as oportunidades.

O CHAPLIN: Como foi a alfabetização de vocês?

Regina Azevedo: Eu fui alfabetizada normalmente. Depois que me alfabetizei, eu comecei a pegar alguns livros e tinha muitos livros infantis. A escola mesmo oferecia e eu gostava disso.

Gustavo Diógenes: Na realidade, eu demorei para me alfabetizar. Eu tinha muita raiva, porque queria aprender a ler. Por exemplo, quando meu irmão lia alguma coisa, uma placa ou outra coisa, ficava com raiva.

Regina Azevedo

Regina Azevedo

O CHAPLIN: Vocês são novos e publicaram livros logo cedo. Alunos como vocês na escola não passam despercebidos. Então, quando as pessoas são populares, geralmente, é alvo de vários comentários maldosos, como: “Nossa, esta pessoa é muito exibida só porque tem livro publicado ou sabe escrever”. Isto já aconteceu com vocês?

Regina Azevedo: Sim, quando eu faço uma redação na escola, por exemplo, aí recebo uma nota, as pessoas logo começam a falar: “É 10, claro, porque escreve livro e a professora nem vai ler” ou então “já passou na prova do IFRN com esta redação”. Porém, a prova não vai avaliar a poeta “Regina Azevedo”, mas a aluna “Maria Regina”. Isto é completamente chato (os comentários), às vezes.

Gustavo Diógenes: Isto realmente tem, mas comigo foi feita de uma forma bem sutil. Só prestando bem atenção é que dava para perceber. Os exemplos que aconteceram com Regina também já aconteceram comigo, e isto porque nem sou tão bom em artigo de opinião e essas redações de vestibular. Porque o estilo é totalmente diferente do que escrevo. São outras habilidades. Eu já escutei frases, como: “É exibido”, “Orgulhoso”, “Arrogante”…No meu caso, eu era realmente um pouco egocêntrico, mas existia um bullying maior, mesmo sendo discreto.

O CHAPLIN: Regina, você pensa em trabalhar com prosa, além de poemas?

Regina Azevedo: Eu escrevo prosa, tanto que vou lançar uma fanzine com alguns amigos e escrevo uma prosa. Tenho alguns trabalhos, mas não publico. Gosto de escrever crônica.

O CHAPLIN: Gustavo, você falou na mesa-redonda sobre jovens escritores que está numa fase de escrever de forma mais breve, por quê ?

GD: No caso, o que estou produzindo agora ainda são trabalhos longos, porém eu mudei de perspectiva. Para um livro virtual de 15 páginas, isto é pouco. Se fizesse isto em um blog, seria pesado e denso. Eu estou alternando entre as publicações físicas e virtuais, que são outras exigências e estou me adaptando.

Gustavo Diogenes

Gustavo Diogenes

O CHAPLIN: Quais são os seus projetos para o futuro?

GD: Eu lancei recentemente o meu segundo livro numa plataforma digital (e-book), de forma gratuita. Portanto, não haverá a edição física. Faremos uma versão em braile e audiobook.

RA: Vou lançar meu segundo livro para os Jovens Escribas, está sendo revisado, pretendo lançar um zine, continuar minhas contribuições para O CHAPLIN e passar de ano na escola.

O CHAPLIN: O que os motiva a continuar a trabalhar?

R: O sarau é muito importante para mim, eu conheci a poesia desta forma. Eu descobri isto vendo as pessoas na internet. Por isso, eu criei o “Iapois, Poesia” em Natal e a gente se encontra uma vez por mês.

G: Para mim escrever é muito bom, se não fizer isto, eu não me sinto bem. Eu gosto deste ato.

 

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