Depois de alarmes falsos, promoções anunciadas, muita expectativa e pegadinhas do malandro, alguém posta na minha timeline que o Cinépolis – Natal Shopping finalmente abrira suas portas e estava em pleno funcionamento. Curiosa, não esperei muito tempo e fui conferir o novo espaço de encontro dos frequentadores de cinema natalenses. Antes, porém, verifiquei o site da empresa, onde já constava a programação da capital potiguar. Nenhuma novidade, os títulos eram os mesmos que já vinham sendo exibidos nas outras salas comerciais do Moviecom e do Cinemark. Determinada, contudo, a experienciar o novo ambiente, escolhi uma comédia romântica que me pareceu qualquer coisa perto de aceitável, num horário em que a sessão seria legendada, e assim programei o meu dia de modo que a última parada da noite fosse em uma das poltronas do novo cinema de Natal.

Chegando ao caixa, a primeira surpresa (essa, desagradável). Pedi o ingresso para o filme em questão, mas ele não era legendado, e sim dublado, “acontece, senhora, que o site ainda não está coerente com a nossa programação”. Ok, tudo bem, compreensível. Cogitei desistir, sou dessas chatas que acha que o filme dublado engole um pedaço da essência da obra, mas pensei nos quatro reais do estacionamento que inevitavelmente teria de pagar. Droga. Voltei atrás, subi novamente as escadas rolantes que davam para a bilheteria e arrebatei o ingresso. Whatever. Era uma comédia romântica boba, de toda forma, não devia haver tanta essência assim a se perder. Na hora de pagar, mais uma surpresa, por sua vez, agradável. Ao contrário das outras salas de cinema da cidade, nesta há a opção de selecionar assentos, para o melhor conforto do cliente. Achei tecnológico. Achei elite.

Selecionados os assentos, passei o tempo de espera para a sessão enquanto jantava, e logo voltei para o cinema, em busca da minha sala. Na entrada, ao menos uns três funcionários (com sotaques estranhos – e por “estranhos” entenda não locais) me desejaram boa noite e um bom filme. Uma, inclusive, ofereceu-me ajuda para encontrar a sala em questão. Quando adentrei a sala, um outro funcionário alertou (após desejar um bom filme, logicamente) que a sessão começaria em um minuto. Entrando, procurei minha poltrona, a qual encontrei sem dificuldade. A sala ainda estava razoavelmente iluminada e as identificações são bem visíveis. Sentei. Nossa. Parecia que eu tinha acabado de sentar numa nuvem em formato de poltrona. Ou então estou desacostumada com boas poltronas em salas de cinema. Não só era grande e confortável como também (e isso é extremamente importante) permite ao usuário levantar o apoio de braço lateral.

Mal tive tempo de apreciar devidamente o meu assento e o prenúncio do funcionário se cumpriu. Os trailers começaram e as luzes laterais continuaram acesas. Ponto para o Cinépolis. Afinal, quem nunca tropeçou, bateu em alguém ou saiu pedindo desculpas a toda uma fila de cadeiras enquanto tenta encontrar um lugar para sentar durante os trailers, quando as luzes já estão apagadas e todos já estão imersos na escuridão da sala? Mas voltando aos trailers… “Nossa, que imagem fantástica”, sussurrei para a minha companhia. A altura do início do filme, nem sequer lembrava mais do fato de o filme ser dublado. Conseguir contar os sinais da Scarlett Johanson e as mechas do cabelo do Joseph Gordon Levitt me distraíram o suficiente.

A certa altura também identifiquei um cheiro diferente (e bom) no cinema. Tentei procurar um perfume próximo, mas não achei. Cheirei também a poltrona, mas não era de lá que vinha o aroma. Talvez fosse cheiro de cinema novo, não sei, nunca tinha visitado um. Mas sei que me agradou. Outra coisa que me agradou: as poltronas têm um bom espaçamento entre elas, tanto entre as poltronas de uma linha quanto entre uma fileira e outra. Certamente isso impedirá muitos acidentes de percurso.

Quando, por fim, cheguei aos créditos do filme, constatei que gostei da experiência. Mas refleti: seria mesmo o Cinépolis uma alternativa aos cinemas de Natal? Bem, talvez seja uma nova opção de ambiente. Uma nova opção de poltronas; de pipocas, talvez (não cheguei a provar); certamente, uma nova opção de tela; uma inovação, também, no atendimento (os cinéfilos hão de concordar que aqueles a que estamos acostumados não são dos melhores); em suma, uma nova opção na qualidade dos serviços. Mas não. Decididamente não é uma nova opção de cinema. O cinema continua o mesmo: o besteirol nacional, a comédia romântica americana, a adaptação infanto juvenil, o filme de ação pasteurizado…

22 Responses

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    Alexandre

    A título de informação, todos os funcionários são “locais”, e só para complementar… cinema que não exibe “blockbusters” vai a banca rota !

    Quem quer ver o cenário underground ou alternativo, tem que se contentar com mostras de cinema e festivais esporádicos .

    Finalizando , Seja bem vindo Cinépolis … os amantes da 7° arte estavam a muito precisando de um cinema de “vergonha” em Natal .

    PS: Preparem-se para saber o que é uma sala de ALTO PADRÃO assim que o da ZONA NORTE abrir esta semana… Escrevam o que estou falando !

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Oi, Alexandre. Fico feliz por saber que os funcionários são locais, mas pelo sotaque (de dois dos três que falaram comigo) não pareciam, talvez seja mais uma características da empresa oferecer sessões fonoaudiólogas para melhorar o diálogo com o consumidor? Não sei. Mas isso não foi exatamente uma crítica, apenas um comentário.

      E sim, concordo com você que as salas de cinema precisam exibir blockbusters porque infelizmente é o que vende. Mas, fica a dica para o Cinépolis, investir em ao menos uma sessão de filmes do circuito alternativo seria uma boa, assim como Cinemark faz (com a sessão Cine Cult). Essa iniciativa ganharia a simpatia de outro nicho bastante interessante. As mostras e eventos que abarcam esse “outro tipo de cinema” geralmente acontecem em lugares pouco acessíveis, e não totalmente propícios para a exibição. O que é uma pena. Seria ótimo poder ver outros tipos de filmes em (ótimas) salas como as do Cinépolis.

      Parabéns pelo projeto, certamente não demorará a se consolidar na capital potiguar. Visitarei também o da Zona Norte.

      E obrigada pelo comentário.

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    Nary

    Gostei do seu texto, bons comentários acerca do cinema em si, já vi o espaço de fora e achei bem agradável. Só acho que o sistema de marcação de assentos não é nada tecnológico e elite como você comentou, acho que demorou muito pra chegar em Natal, é um saco ficar em filas enormes antes da sessão do cinema porque tem que pegar um bom local.

    abs!

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Oi, Nary! Na verdade, esse comentário de ser “tecnológico” e “elite” é uma ironia justamente por não estarmos acostumados com esse serviço, que é comum em outros lugares.

      Obrigada por ler o texto e comentar! 😀

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    Alexandre Costa

    Oi Andressa! Primeiro queria dizer que achei um bom texto. E em segundo.. bem, vamos lá: eu passei o mesmo que você!! Vi que tinha uma sessão de um filme que queria ver, o “Como Não Perder Essa Mulher”, legendado às 22h. Okay, me preparei todo e fui. Chegando lá constatei que não tinha esse horário legendado, só dublado. Me falaram que foi um erro já que o site não está sicronizado com a programação real. Okay, fiquei um pouco decepcionado mas todos erram e é a estréia deles. Pois bem, vi lá, no próprio cinema quais horários tinham para sábado. Tinha lá mostrando que o filme que queria tinha às 22h no sábado legendado. Okay, combinei com meu companheiro e resolvemos tentar mais uma vez essa sessão no sábado. Chegando o dia, fomos e mais uma surpresa: não tinha. Não tinha a sessão de novo e a legendado já tinha passado. Mais uma decepção, de novo a mesma coisa. Okay, vimos que hora tinha no outro dia a sessão legendado e resolvemos tentar pela terceira vez. Chegando domingo, ontem no caso, fomos na hora marcado. A sessão era de 18h15, o filme era o mesmo já dito, sessão legendado. Ao chegar, constatamos que a sala era VIP. Okay que ela tem uma série de diferença e tal, mas acho que colocar um filme desses, que não tem nada demais em uma sala como essa e pedir um preço de 37$, ser um tanto quanto louco. Se fosse um blockbusters seria compreensível. Achei meio caro pro meu companheiro pagar e desistimos.

    Resumo: eu acho que começaram mal com o planejamento dos filmes. Além de ter só três filmes diferentes, colocam dois tipos diferentes pros três filmes. Colocam versões dubladas e legendadas dos dois filmes americanos, enquanto o nacional recebe duas salas diferentes. E me parece que ainda faltam as salas 3 e 4, que não sei o que aconteceu, pelo visto não funcionam. Os dois filmes americanos, principalmente “Como Não Perder..”, não deveriam ter sessões dubladas, já que não imagino que é que vai pra uma sessão dessa de bom grado. Se o shopping é tido como tendo público alvo a classe A e B (me falaram isso e depois constatei ser verdadeiro), o cinema deveria seguir o curso e disponibilizar filmes pra tais classes. Me pergunto o por que desses dois filmes americanos terem sessões em dublado. Não vejo necessidade. Além da sala VIP que deveria ser guardada pra filmes blockbusters ou com maior apelo. E concordo com você Andressa: eles deveriam procurar trazer alguns filmes mais alternativos, trazer uma diferença entre os concorrentes.
    Enfim, não cheguei a experimentar o cinema em si, infelizmente não porque eu não quis, mas apareceu esses obstáculos que já citei, mas espero que logo logo experimente e mude minha opinião a respeito o cinema. Meu companheiro ficou meio puto e desistiu do cinema no domingo. Eu não desisto fácil e realmente espero que o cinema se sobressaia, já que eu esperava muito por isso.

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Oi, Alexandre!

      Pois é, acho que deu para perceber pelo meu texto que eu tava mais curiosa que preocupada com o filme em questão hahaha Por isso entrei na sala apesar do filme dublado… Espero que você e seu companheiro possam voltar ao Cinépolis em um dia em que tudo dê certo, nem que seja para conhecer 🙂

      Abraços e obrigada pela participação!

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    André

    Boa resenha. Ansioso para conhecer e trocar as experiências contigo. 😉

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    Leila Braga

    Oi, Andressa, tudo bom?

    Ainda nao conheci o Cinépolis, mas estou ansiosa. No site nao tem ainda informaçoes de valores da sessao, e como vc tbm nao citou, suponho que seja do mesmo preço dos demais?

    Obrigada. Gostei bastante do seu texto!
    Ah, e sobre o filme, é uma comédia romantica boba mesmo?

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Oi Leila! Sim, não citei justamente por ser preço semelhante aos demais. Fui até confirmar depois, é o mesmo valor do Midway. Isso as salas comuns, claro, tem outras com especificidades técnicas que custam mais caro.
      E sobre o filme, eu fui chata nesse texto, mas não é dos piores, não! hahahhaa Amanhã vai sair uma crítica sobre ele nesse mesmo blog! 🙂

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    Pedro Fiuza

    Oi Andressa, parabéns pelo texto. Bem escrito. Ri no “tecnológico, elite” ehehe.
    Mas adorei sobretudo o seu posicionamento: não, não é uma opção se trazem os mesmos filmes ainda que em embalagens diferentes. Estava com medo de que você cedesse ao deslumbramento da nova sala e concordo com você que é fácil ceder quando nós natalenses somos tão carentes e desrespeitados nos cinemas comerciais.

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Pedro, você fez a comparação que eu pensei em fazer, mas achei que não caberia no meio do texto: é o mesmo produto, só que em embalagem diferente. A gente vai se agradar do lacinho, da caixa mais resistente e colorida, mas quando abre o pacote, o que tá dentro é igual ao que antes recebíamos dentro de uma sacola plástica. Beijão e obrigada pelo comentário! Fiquei feliz de vê-lo por aqui! 😀

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    Myrianna Coeli

    Uma pena que o conteúdo continue o mesmo. Vou testar a embalagem no recesso de final de ano quando eu estiver por aí.

    Uma questão que queria levantar: Vejo aqui no Rio muitos centros culturais que passam filmes fora do circuito comercial e sempre tem público. Bastante gente vai ao CCBB, por exemplo, ver mostras de Tarantino. Em Natal eu sempre vejo muita gente reclamando que não tem muitos filmes “cults” nas salas de cinema, mas lembro também que quando eu frequentava as sessões de cine cult do cinemark as salas ficavam vazias. Até que ponto, nós, que tanto reclamamos participamos dos espaços que sempre reivindicamos quando eles surgem? Será SÓ uma questão de pouca oferta mesmo?

    Pergunto porque eu mesma ainda não cheguei a uma conclusão, mas tendo a achar que é uma junção de vários fatores como a oferta baixa desse tipo de produto, mas também do comportamento do consumidor desse nicho aí em Natal.

    O que vocês acham?

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    • Andressa Vieira
      Andressa Vieira

      Myri, é uma realidade que o público de Natal também não ajuda. Mas tenho frequentado muito mais as sessões do Cine Cult por exemplo (que acontecem em lugar acessível e eventualmente em horário acessível também) e posso dizer que sempre há muito público. O problema é que, fora o Cine Cult, essas iniciativas se restringem a locais mais afastados o que dificulta o acesso das pessoas. Certamente se existisse um centro voltado para esse tipo de exibições o público não seria tão escasso. Bjs!

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        Giovanna

        Parabéns pelo relato de sua experiência, Andressa! Sou cinéfila e concordo quando você diz que o público natalense não ajuda. Tanto na questão de virem filmes de circuito alternativo e também na questão do aumento de filmes dublados! Quem tem o hábito de frequentar o cinema já sente esta nova realidade se formando. As pessoas tem preguiça de ler legendas, que, para mim, é mergulhar e ser fiel à essência daquele filme. Infelizmente, ficamos a mercê desta maioria. E cada vez mais, bato o ponto no Cine Cult como uma fuga de tantas baboseiras que ficam em cartaz.

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        Myrianna Coeli

        Que bom que as coisas estão melhorando em relação ao público. Fiquemos na torcida que mais espaços surjam. bjs

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    SeuRAUL

    Eu ainda não assisti filmes lá, mas já tenho uma bos expectativa quanto ao cinema. Os atendentes são simpáticos, o ambiente parece bem legal, o preço me pareceu em conta [comprei a pré-estréia d’O Hobbit leg 3D por 13 Dilmas, 50c mais barato que o cinemark] e melhor de tudo [pra mim] é perto de casa [moro na UFRN], o que me possibilitará ir a sessões com horários mais avançados [não tenho problemas em voltar a pé].
    😀

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    Félix de Araújo

    Não concordo contigo com relação a este cinema pelo fato dele desrespeitar a população da zona norte deixando de lado

    Pouca vergonha deles tratando a zona norte por último

    Quem descarta a zona norte de lado são os que não conhece ela!!!

    Félix

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    Pedro

    Tive a oportunidade de conhecer o Cinépolis ano passado, em uma breve passagem no RJ. E gostei do fato de poder se escolher o assento. Aliás, isso pras bandas de lá já é mais comum do que se imagina. Lembro-me que na ocasião, meu amigo e guia sugeriu o cinépolis justamente por ser “mais tranquilo”. E em seguida, disparou inumeras ofensas ao cinemark e a sua desordem rs. Fora o fato de poder escolher o assento, também me impressionou a tela, e, contudo, a acústica da sala. Lembro que pensava comigo mesmo: “nossa, em nada se compara aos sons estridentes das salas do moviecom. Enfim, fora isso, é mais do mesmo sim. E queria dizer que achei muito bom o texto, gostoso de ler, parabéns!

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    Jéssica Macedo

    Não temos como fugir das mesmices dos filmes, espero que em um futuro próximo coloque uma sessão com filmes mais “culturais”, se é que podemos chamar assim. Mas tirando isso, me senti saindo da favela pra um condomínio de alto padrão…pagando sim um pouco mais caro, mas por uma qualidade muito superior ao visto nos outros cinemas da capital. Que pipoca, que sala MacroXE, que poltronas são aquelas no sala VIP, que atendimento. Só comprar os ingressos com lugares marcados já ganha minha nota 10, não ter que ficar em uma fila quilométrica e normalmente ter que ficar com os amigos nas cadeiras la debaixo, já me ganhou!! Cinéfila FELIZ =D

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