Em um cinema que passou por várias revoluções estéticas durante toda a sua história e que revelou vários gênios, destacar Charles Chaplin como um deles é bastante comum, contudo não falamos de um diretor/ator qualquer, falamos de um dos poucos que obtiveram êxito tanto no cinema mudo como no falado; que soube vencer as barreiras comunicativas, que soube sair das gages para as expressões complexas devido às profundas falas filosóficas, que geraram as mais profundas discussões textuais em seus roteiros.

Chaplin foi um gênio, foi um grande diretor, um grande ator, um grande roteirista, foi um artista polivalente que marcou e marca gerações, seus filmes conseguem ser atuais, gerar críticas que perpassam o ano de lançamento das obras. Mas, como a maioria dos grandes artistas, teve um fim consternado, esquecido pela indústria, marginalizado pelo Estados Unidos se tornou um perseguido “político” apenas por defender uma política que valorizasse o povo e a vida.

Nos anos 50, Chaplin já tachado de socialista e anti-americano se mudou para a Suiça, aonde faleceu, porém antes de sua mudança o mestre do riso lançou a sua última obra que marcaria não só a história do cinema, mas também a história da humanidade. Trata-se do filme Luzes da Ribalta, lançado em 1952.

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Luzes da Ribalta foi lançado em Hollywood em plena caça às bruxas promovida pelo então senador americano Mc Carthy, que durante os anos 50 colocou o FBI na cola de Chaplin, tanto sua vida pessoal como profissional começou a ser investigada. Todo passo dado por Chaplin era analisado e investigado pelo FBI.

Foi a partir desse conflito que Chaplin escreve e lança uma de sua melhores obras. Contudo, existem meandros no percurso da criação de Luzes da Ribalta que, por muito tempo, foram desconhecidos do grande público: cartas, desenhos e até mesmo o romance escrito por Chaplin que vai da origem ao filme, e que foi engavetado. Contudo, esse material foi resgatado e lançado recentemente em forma de livro, e servirá como acervo através do qual os fãs do cinema e da literatura poderão conhecer melhor esse diretor/ator que marcou a história mundial.

Lançado no Brasil pela editora Compainha das Letras, o livro elucida de forma clara todo o processo que levou a criação de Luzes da Ribalta e nos faz entender ainda melhor o último filme hollywoodiano de Chaplin. A partir dessa bela obra literária, conseguimos entender o porquê, ao voltar do lançamento do filme na Inglaterra em uma sessão que contou com a presença da família real britânica, teve seu visto revogado pelo serviço de imigração norte-americano.

Luzes da Ribalta

 A obra não chega a ser autobiográfica, pois não adentra de maneira enfática na vida pessoal do autor, porém conseguimos compreender melhor um dos artista mais perfeccionista do cinema. O livro consegue ser uma espécie de testamento deixado aos fãs com o intuito de poder conhecer e analisar melhor  Luzes da Ribalta. A cada página folheada concebemos um Chaplin que buscava criar sua mais perfeita obra, sua mais perfeita faceta como ator e diretor. Luzes da Ribalta é totalmente ilustrado com reproduções de documentos e fotografias inéditos do Charles Chaplin Archive, entre eles foi incluído um famoso ensaio de Robinson sobre a criação do romance e do filme, além de traçar um panorama sobre o ambiente cultural da Londres de 1914 para assim podermos compreender ainda mais a trama do filme.

Esta obra literária inquire a realidade documental do mundo que Chaplin, a partir de suas memórias, recriou e imortalizou para o futuro, como por exemplo, o teatro de revista no fim de uma era e o início da Primeira Guerra Mundia, que marcaria o inicio da divisão política mundial entre capitalismo e socialismo. Luzes da Ribalta trata-se não apenas dos bastidores da mente de um gênio, mas possui um caráter documental que possibilita ao leitor conhecer a história – seja ela a que existe por trás do filme ou ainda aquela que contextualiza o lançamento da obra.

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