Antes de fazer esse texto, busquei dois significados da palavra “Fronteira”. A primeira descrição que achei de uma nota do Wikipedia (por que não?) diz que este é o limite entre duas partidas, por exemplo, dos países, dos estados, cidades e qualquer coisa que a gente queira. As mesmas podem ser naturais, geométricas ou arbitrárias.

A outra descrição da palavra achei numa música da banda O Rappa, no qual uma das estrofes diz que :

“Não existe nada melhor nesse mundo do que estar livre/Não existe nada melhor do que estar livre/Estar livre, estar livre, estar livre”.

Assim como a letra do Rappa, o cineasta e escritor Carito Cavalcanti mostrou que a fronteira pode ser social e metafórica. O momento aconteceu no auditório do Nepsa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que exibiu em primeira mão o filme “Fronteira”, nova produção do cara que ajudou a difundir a produção audiovisual em Natal. Faz parte da atividade do Cine CCSA (Centro de Ciências Sociais Aplicadas).

Carito na janela do seu apartamento (Foto: Taline Freitas)

Carito na varandado seu apartamento (Foto: Taline Freitas)

Nós do blog O CHAPLIN fomos à casa de Carito para entrevistá-lo e conhecer um pouco do trabalho. Realmente, tudo faz parte de limites e barreiras, sejam elas limitadas ou não. Antes de entrevistá-lo, por exemplo, tinha saído do meu trabalho e fui para outro lugar com a finalidade de almoçar. Depois, encontrei Taline, nossa fotógrafa, e pegamos um ônibus.

Durante o trajeto, acompanhamos várias mudanças de cenários, formas, limites e pessoas. Após 15 minutos, chegamos no apartamento de Carito, que suponho ter sido construído na década de 70 (belíssimo e simples), subimos por um elevador antigo e fomos recepcionados pelo simpático diretor, que usava uma camiseta do Robert Plant (vocalista do Led Zeppelin) e nos mostrou de forma exclusiva o trabalho.

“Meninas, vocês querem água? Só tenho isso para oferecer, porque estou me mudando”, dizia o simpático Carito, nos minutos antes de mostrar a sua mais nova artimanha. Enquanto isso, ficávamos encantadas com o enorme poster do show do The Cure em Madri, na Espanha, que começava às 22h. (na verdade, ele acabou para se mudar para este apartamento onde foi realizada a entrevista)

O projeto foi modificado ao longo do tempo e neste tempo, César realizou duas séries da Rede Globo, porém os papos continuavam à distância, por telefone e internet. “Na verdade, Fronteira surgiu da necessidade da gente querer fazer um filme e no meio dessas conversas, começava a guardar algumas respostas brilhantes das coisas do nosso papo para me inspirar”, disse.

Quando César voltou à Natal, houve o reencontro e Carito resolveu realizar umas gravações com ele de locais que já planejava visitar. “Eu disse a ele o que vai acontecer no filme durante as gravações”, lembrou o cineasta.

Por dois dias de dezembro, eles pegaram estrada por volta das quatro horas da manhã e começaram as filmagens e registrar os pensamentos do César. “Eu queria brincar com a ideia de fronteira, porque a ideia foi construída a partir de vários limites, sejam físicos ou virtuais”, explicou sobre a escolha do nome. O conteúdo da história veio de inspirações reais, porém muitas coisas realmente aconteceram durante as gravações. “Percebemos que as nossas ideias estavam bastante sincronizadas”, disse.

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Projeto é uma parceria com o ator César Ferrário (Foto: Taline Freitas)

O filme alterna entre poesia e teatro, tanto que é dividido em atos. Pode parecer confuso no início, mas o jogo de imagem, roteiro (contém poemas de importantes pessoas, como Lord Byron, o pai do “ultrarromantismo”), ilustração de Paula Vanina e trilha sonora, elaborada pelo músico Toni Gregório, do Rosa de Pedra e edição de Levi Herrera. É um projeto experimental que faz valer a reflexão de como elaboramos os nossos territórios e como deveríamos perceber que no mundo não deveria existir barreiras. “Quem sabe a gente pode voltar a fazer o filme que a gente pensou inicialmente?”, questionou Carito Cavalcanti.

Além disso, o realizador quebra as regras das produções do audiovisual e tem um estilo bastante livre. “Não gosto quando as pessoas falam que determinadas coisas não podem ser usadas. Sou um pouco contra o modismo”, justificou.

“Tudo que foi feito no Fronteira veio sem planejamento e feito de forma livre”, finalizou o Carito, que estimulou uma outra forma de se pensar o que deve ser limitado.

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