Desnudando alguns artistas potiguares na CCXP Nordeste

A Comic Con Experience chegou ao Nordeste! Depois de três edições realizadas em São Paulo (2014, 2015 e 2016), o evento – inspirado na San Francisco Comic Con, nos EUA – promete ser um paraíso para os nordestinos que curtem a cultura pop. Jogos, quadrinhos, filmes e TV são os principais temas do evento.

Assim como nas edições de São Paulo, a Comic Con Experience reserva um considerável espaço para que artistas independentes apresentem seus trabalhos e possam vender a sua arte: é a chamada Artists’ Alley. Como o Nordeste possui um arcabouço cultural muito rico, o evento de Recife não poderia deixar de contemplar os artistas da região, e nós, d’O Chaplin, rodamos esse espaço para trazer a você alguns dos ilustradores, quadrinistas, cartunistas e designers gráficos potiguares que foram chamados ao evento. Confira a seguir!

Milena Azevedo

Uma das principais referências quando se fala em quadrinhos no estado, Milena Azevedo, relata que tradicionalmente as HQ’s tem um domínio masculino, até pelas histórias serem mais voltadas para os meninos. Ultimamente, no entanto, vêm surgindo mulheres roteiristas e produtoras de conteúdo que estão ganhando bastante espaço. Prova disso é o selo “Pagu Comics”, que conta apenas com mulheres. Para esse ano a novidade é o lançamento de uma história criada em conjunto, que tem como cenário alguns lugares de Natal. Uma dessas histórias, chamada “Haole”, foi roteirizada por Milena e teve a arte final de Blenda Furtado. O produto está disponível no site da Social Comics, e a ideia é que esse ano saia na versão impressa.

Aureliano Medeiros

Eu, Vinícius Vieira, conheci o Aureliano ainda no Cefet (atual IFRN). Na época, seu apelido era Mossoró, evidenciando sua naturalidade. Embora cursasse o antigo técnico em Geologia e Mineração (atualmente as duas áreas têm cursos independentes), Mossoró demonstrava, desde o primeiro ano do Ensino Médio, uma desenvoltura notável para as artes. Mais de 10 anos após o ingresso no Instituto Federal, e com passagem também pelo curso de jornalismo na UFRN, Mossoró persegue o caminho das artes e ciências humanas, tornando-se Aure, um respeitado ilustrador, com mais de 200 mil seguidores em sua fanpage.

Não é surpresa, então, que as vendas no primeiro dia da Artist’s Alley, dia da entrevista que realizamos com o artista, tenham sido boas. Tão boas, que superou as expectativas do próprio Aure. Muitas pessoas que o seguem marcaram presença em seu espaço. Pessoas do Recife, do Nordeste e de outras partes do Brasil, inclusive. Afinal, o sucesso de seu personagem autobiográfico ocorre porque os dilemas enfrentados são comuns a muita gente. Por isso a explosão do artista nas redes sociais a partir de 2015, quando decidiu publicar nesses espaços suas ilustrações.

Em grande parte dos desenhos, o personagem retratado está nu. Perguntado sobre o porquê disso, Aure diz que é para o desenho combinar com a exposição de sua alma, uma vez que se tratam de publicações autobiográficas. E não há nada mais vulnerável, fisicamente, que o nu. Ah, “e também porque Natal é muito quente!”, apresentando uma nova resposta muito bem humorada.

Aure não fica só nas ilustrações. Além de ter sido um dos roteiristas da websérie SEPTO, Em 2015, ele lançou Madame Xanadu, um romance, repleto de ilustrações, é claro, sobre uma drag queen com pensamentos suicidas, que vive em Natal. A obra foi inspirada no livro Muchacha, de Laerte.

Rodrigo Brum

Rodrigo Brum é um nome conhecido no RN. Afinal, ele é o chargista da Tribuna do Norte, um dos jornais diários do estado. O autor confirma sua “fama” nas charges, mas ele não se resume tão somente a esse tipo de trabalho. Brum também é quadrinista – embora coloque em prática esse último gênero muito mais como um hobby – e levou o aspecto crítico das charges para esse trabalho, o qual possui um viés mais infantil e crítico. As tirinhas de humor são o grande destaque do Brum quadrinista. Seu principal produto chama-se O Menino da Laje 8, publicado diariamente no jornal Expresso, do grupo O Globo.

O talento de Brum fez o artista colecionar vários estágios e prêmios importantes: ele foi finalista do Troféu HQ Mix-2016 com a coletânea de tiras BRUMMMMM!!! – ITISMAILAIFI, vencedor do Troféu Angelo Agostini como melhor cartunista de 2015 e vencedor do Prêmio Vladimir Herzog de jornalismo (2016), na categoria Artes. Por causa deles, o autor já esteve em uma edição da CCXP de São Paulo, cuja principal diferença sobre o evento que está acontecendo nestes dias em Recife é o padrão mais consumidor da galera de São Paulo.

Marcos Garcia e Carlos Alberto

Marcos Garcia e Carlos Alberto já estão na estrada há quase 40 anos. E coloco mesmo o verbo da frase anterior no presente mesmo. Porque eles continuam aprendendo e se surpreendo com os avanços que a área dos quadrinhos vem recebendo, sobretudo no que se refere a eventos que, desde 1998, quando aconteceu a primeira FIQ (Feira Internacional de Quadrinhos), em Belo Horizonte, só crescem em quantidade e qualidade.

Nessa longa estrada que é a carreira dos dois artistas, o RN é um lugar especial. Para eles, nosso estado destaca-se na região Nordeste como um dos que mais têm produção de quadrinhos que retratam questões histórico-locais. Nesse ínterim, Carlos Alberto foi ilustrador da obra As Lendas de Extremoz, e ambos autores ilustraram os quadrinhos Lampião na Terra dos Santos Valentes. Apesar do caráter “documental” das obras, Carlos Alberto e Marcos Garcia não deixaram de adicionar aspectos ficcionais, para chamar maior atenção do público, especialmente em Lampião na Terra dos Sonhos, na qual Jararaca – o cangaceiro morto em Mossoró – ganha um destaque mais do que especial.

Outra obra dos dois autores é Lovinomicom, uma graphic novel de terror em tributo a H.P Lovecraft que se passa em Natal, com importantes passagens no Forte dos Reis Magos e na Avenida Bernardo Vieira.