A natalense Beatriz Madruga, de 26 anos, já acumula um currículo repleto de escritos arrebatadores. Psicóloga e estudante de Letras, em 2015 estreou com o livro de contos Aos pedaços, com tudo e agora se prepara para lançar seu segundo trabalho Em fim, nós nesta quinta (09/06) em Natal. O evento acontecerá no Nalva Melo Café Salão, na Ribeira, a partir das 19h.

Os contos de Beatriz Madruga, neste segundo trabalho, narram encontros e desencontros, idas e vindas, histórias como as do dia: ”felizes” para sempre suspensos, em aberto, que poderiam ter sido mas não foram. Boa parte desses textos foi escrita após uma oficina de escrita criativa com Daniel Galera, na Ação Leitura de 2013.

Nós, d’O Chaplin, conversamos um pouco com a autora. Confira a seguir:

O CHAPLIN: Qual a diferença, pra você, entre seu novo livro (Em fim, Nós) e o primeiro (Aos Pedaços, Com Tudo)? 

BEATRIZ MADRUGA: É difícil agora, nessa semana, falar da diferença entre eles. Porque eu escrevi o segundo antes do primeiro. Mas também estava escrevendo os dois ao mesmo tempo. No final de 2014, em uma noite desocupada, compilei os textos do meu blog para ver se ficavam legais em um livro digital. Todos foram agrupados nessa mesma noite. Estava pronto o livro. Quando isso aconteceu, o Em Fim, Nós já estava praticamente todo escrito, mas sem esse nome.

Não sei sinceramente se existe uma grande diferença entre eles: se a minha maturidade literária, a minha escrita, o meu envolvimento com a obra. Mas os dois livros nasceram e foram criados juntos, despretensiosamente. Acho que eles são mais parecidos que diferentes, e não sei até que ponto isso é bom ou ruim. Os dois falam sobre relacionamentos: os começos, os fins, o que ficamos sentindo e pensando depois que tudo acaba – ou antes que tudo acabe.

O primeiro livro são textos curtos e quase sempre escritos numa primeira pessoa. Para mim, é mais leve e tangencia um pouco mais o tema. Já o segundo tem contos mais “elaborados”, com personagens e seus nomes, às vezes escritos em primeira pessoa, às vezes terceira; às vezes é um homem que fala, às vezes, uma mulher. O segundo é mais duro e dá umas porradas na gente. Em mim, ele deu muitas.

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O CHAPLIN: Você participa de um blog junto a outros jovens escritores como você. Como funciona esse trabalho? 

BM: O Terceira Margem surgiu em uma conversa com Aureliano [Medeiros], quando nos demos conta de que poderíamos divulgar mais os trabalhos uns dos outros: o meu, o dele e os dos nossos amigos que escrevem.

Quando você tem um blog pessoal (ou tumblr, ou página no facebook), é possível divulgar sua arte entre as pessoas que você já conhece. Se tivéssemos um blog do grupo, onde todos escrevessem, a gente conseguiria alcançar mais gente: não seriam só nossos amigos que veriam nossas publicações, mas amigos dos amigos, amigos dos outros autores, desconhecidos, inimigos…

E a ideia era essa: vamos ter uma página onde um grupo fixo de autores escrevem e publicam suas obras. Vamos usar as redes sociais pra divulgar esses textos, ampliar nosso público, mas, principalmente, para escrever cada vez mais. Como estímulo. Se você escreve com outros autores, escreve mais. A partir dessa ideia, criamos uma página na plataforma Medium, uma espécie de rede social para a escrita. Lá recebemos e editamos textos de amigos autores. Divulgamos os textos nas redes sociais e tem dado certo. O alcance já está maior e acredito que estamos escrevendo um pouco mais, quantitativa e qualitativamente.

O CHAPLIN: E o que pensa quanto a incentivos literários no geral? Como podemos incentivar a leitura?

BM: Precisamos de professores leitores. Não só os de literatura e português, mas de todas as disciplinas. Deve haver poucas coisas em que humanos sejam unânimes em concordar, mas uma delas é o fato de que todos gostam de ouvir histórias. É em forma de narrativa que nossa consciência se organiza. É assim que interagimos e vivemos: sempre narrando e presenciando fatos, contando-os depois, mentindo, mentindo muito. Não tem porque não gostar de literatura; basta que a gente ouça cada vez mais histórias, de pessoas diferentes.

Quando somos jovens, conviver com adultos leitores inexoravelmente nos faz olhar pra isso com mais cuidado. É como aviso: “esse negócio de ler deve ser bom”. Se meu pai lê, se minha mãe lê, se minha avó lê, se meus melhores professores leem, é claro que ler vai ser bom. Eu só precisei encontrar um gatilho – todo mundo tem o seu Harry Potter ou Crepúsculo pra começar a ler do nada. Professores leitores são muito importantes, mas a profissão deve ser valorizada, recebendo o adequado para a importância de seu trabalho, assim como a carga de trabalho deve ser reduzida, para que eles possam ter uma vida mais humana, com mais literatura.

Além dos professores, precisamos de mais adultos leitores. Os que têm filhos, principalmente. Se os pedagogos acham que “a melhor forma de educar é pelo exemplo”, a melhor forma de formar leitores é também assim. Se os pais preferem sempre ver tv ou ficar no celular em vez de ler um livro, as crianças também vão preferir isso na maioria dos casos.

Um terceiro incentivo que me influenciou muito são os eventos literários. Faz uma bruta diferença no seu caminho de leitor você ouvir a voz de quem escreveu os livros que você lê. Fez uma enorme diferença eu ter assistido conversas com Zuenir Ventura, Carlos Heitor Cony, ouvir a voz de João Ubaldo (essa voz acho que faz a diferença na vida de qualquer pessoa que a ouviu de perto). Saber sobre os motivos da escrita, da história do livro, de como foi feito, o porquê foi difícil. E ouvir histórias, ouvir narrativas de alguém que passa a vida fazendo isso: lendo e escrevendo. É primordial. Acho que muda caminhos, sim. Forma leitores e, além de nos fazer gostar de literatura, cria um outro vício bom na gente: colecionar livros autografados.

SERVIÇO

Lançamento do livro Em fim, nós, de Beatriz Madruga

09/06 (quinta), às 19h, no Nalva Melo Café Salão. Confirme sua presença no evento

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