Expo(r) Godard: exposição no Rio de Janeiro mostra como é inconcebível pensar o cinema passado e contemporâneo sem Godard

Jean-Luc Godard. Esse nome é, certamente, memorável para muitas gerações de diretores, roteiristas, atores e admiradores do cinema por ter fundado uma corrente vanguardista nos anos 60, a Nouvelle Vague. Mas o que muitos não sabem é que o artista franco-suíço ainda permanece em plena atividade criativa. Para mostrar ao grande público o boa parte de sua obra, está aberta até o dia 7 de julho a exposição “Expo(r) Godard”, no Oi Futuro Flamengo e a Mostra Retrospectiva do Cinema de Godard.

Jean-Luc Godard

A exposição se inicia com o tema “Autorretrato, não autobiografia”. Nesse sentido, indica o caminho que o cineasta escolheu – não o do homem, mas o das obras. É a partir delas que o diretor aparece indiretamente, subvertendo os gêneros do cinema americano por meio de rupturas entre imagens e diálogos, o ritmo descontínuo e ideias no lugar de histórias. Assim, os trechos destacados na exposição procuram mostrar ao visitante que Godard sempre buscou expressar-se propriamente.

Rascunhos de Jean-Luc Godar. Foto: Vinícius Vieira

 

Uma das grandes contribuições de Godard foi o questionamento aos padrões que o cinema americano havia criado. Em filmes como Acossado (1959), A Chinesa (1967) e Weekend à francesa (1967), o artista quebrou a narrativa clássica em pedaços independentes, com sentido autônomo e incorporou a eles uma mistura cultural, tais como trechos de literatura, quadrinhos, música erudita e artes plásticas. Dessa maneira, ele mostra uma profunda lamentação da primazia da imagem sobre o som, uma vez que – para ele, “o cinema começa com um papel e um lápis” – o que indica que Godard batalhou arduamente a fim de promover a aproximação do som (expressão do texto) e a imagem.

Assim, tenta conjurar essa fatalidade explorando todas as possibilidades expressivas da trilha sonora (som direto, frases faladas, frases musicais). O equilíbrio entre a importância da imagem e do som nas obras de Godard poderiam gerar, nos espectadores, uma situação desconfortável para seus ouvidos.

Cahiers du Cinema: revista que serviu como vitrine e revelou grandes nomes do cinema francês, entre eles Godard e Truffaut.

Como artista provocador e original, a vasta obra de Godard não se resumiu apenas aos filmes de longa metragem. Através de formas tão diversas como o clipe, a publicidade, os previews ou os filmes de encomenda, o cineasta franco-suíço experimenta novas possibilidades, tais como a exibição em câmera lenta, a intermitência pela rápida sucessão de fotogramas sobre diferentes imagens, a super-exposição, os efeitos de série ou ainda a inscrição sobre a imagem.

Assim, a exposição “Expo(r) Godard” configura-se como mais um espaço para revelar um artista cujo sobrenome pode ser definido pela palavra “reinvenção”. Godard alterou as “leis” da sétima arte e negou-se a concretizá-la a partir das convenções iniciadas por Griffith, inspirando múltiplos nomes e ajudando esses diretores (entre eles, o brasileiríssimo Glauber Rocha) a contar a história de seus países de origem de maneira marcante para os amantes do cinema.

Serviço:
Expo(r) Godard
Oi Futuro Flamengo: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo
Estação do Metrô: Largo do Machado

Expo(r) Godard – Mostra Retrospectiva do Cinema de Godard
Oi Futuro Ipanema: Rua Visconde de Pirajá, 54 – Ipanema
Estação do Metrô: General Osório