“Percatempos”: Gregorio Duvivier em uma faceta ainda mais pura

Já falamos bastante por aqui sobre as mil e uma facetas de Gregorio Duvivier. Vivemos na geração do “barra” e Gregório é exemplo perfeito disso: comediante/cronista/poeta/ator/(…). Para deleite geral, conhecemos agora mais um lado: o de desenhista.

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“Percatempos” é o seu mais novo livro pela Companhia das Letras. Nele, temos acesso a um apanhado de pensamentos e desenhos de Gregorio. Percebemos também sua sensibilidade com o uso das cores: há identidade entre todos os seus desenhos. Depois de ver alguns, você reconhecerá um desenho de Gregorio sempre que se deparar com algum.

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Aquarela e caneta nanquim são seu instrumento mais utilizado, e, aliados ao bom humor já conhecido e uma sensibilidade extremamente desenvolvida, Gregorio oferece ao público um livro pra ser lido de uma vez só, mas várias vezes. Os desenhos são gostosos e nos oferecem visões sobre coisas do nosso dia-a-dia de forma muitas vezes inusitada.

Desde um calendário dos assuntos de cada mês (o de dezembro, atenção, é “esse ano passou rápido”) até uma piadinha  com a Comic Sans (uma tipografia da Microsoft muito ”temida” principalmente para designers) que diz que ela é ”um tio do churrasco que parou nos anos 90”, nos deparamos com todo tipo de coisa.

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Alguns destaques vão para os ressignificados criados a partir de situações extremamente comuns do dia-a-dia. Por exemplo, trocar o ”amor” pela palavra ”avô” (”De tudo ao meu avô serei atento” ou ”A sorte de um avô tranquilo”) e algumas versões de histórias conhecidas como Chapeuzinho Vermelho e Os Três Porquinhos sem o personagem do lobo (o eu-lírico afirma ter ”lobofobia” quando criança). Além disso, uma ilustração cômica com o hino da infância ”Cala a boca já morreu”.

Não podemos deixar de falar do projeto gráfico: as pontinhas arredondadas e os elásticos não são o único charme. O livro tem todo um cuidado e está impecável. Além do conteúdo, temos uma peça de desejo com papel bom (e cheiroso!).

Ou seja, é um livro muito divertido que oferece uma possibilidade extraordinária: pode ser amado por pessoas de 8 a 80 anos, porque a identificação em pelo menos algumas – se não todas – as páginas é certa. Uma obra pra rir, entreter e, principalmente, surpreender.