I Festival Catamaran: novos ares para o circuito musical potiguar

Mahmed (foto Victor Cavalcanti)
Mahmed (foto Victor Cavalcanti)

Nesse último sábado, 18,  aconteceu o festival (com direito a duas prévias) que marcou a abertura do selo Catamaran Discos. Ainda que houvessem poucas bandas trazidas de fora do nosso eixo cultural potiguar (confira aqui quem participou), várias delas apresentaram seus novos trabalhos e outras estavam pisando em terras natalenses pela primeira vez, então foi o sopro de novidade que muitos amantes da música em Natal estavam esperando.

O I Festival Catamaran aconteceu no Galpão 29 e além das bandas se apresentando, algumas trouxeram material pra vender, houve a exposição de artistas plásticos, material fotográfico, performance circense, venda de HQ’s, comida e um fliperama tão disputado que quase trouxe discórdias. Era praticamente impossível ficar entediado lá.

Orchestre Noire (foto Luana Tayze)
Orchestre Noire (foto Luana Tayze)

Começando pelas potiguares, um dos destaques, ao meu ver, foi Mahmed. Eles não são novidade aqui no RN e várias das bandas instrumentais potiguares acabaram ou deixaram de impressionar, mas esse não parece ser o destino do Mahmed graças à música que continuam fazendo, ainda melhor quando ao vivo; era engraçado ver as pessoas cantando os acordes e o baterista Ian Medeiros deu um show à parte com sua energia e simpatia.

Orchestre Noire surge com uma proposta diferente de tudo que já vi aqui no RN, e esse fato, por si só, já é o suficiente pra trazer riscos e destaque; foi um pouco complicado reproduzir o ambiente intimista e soturno que eles criaram tão bem em Grokar, mas acho que não dependia só da banda pra que esse clima existisse do jeito que ouvimos no disco, e os instrumentistas trabalharam muito bem entre si, tanto que a baterista Lais Azevedo conseguiu arrancar gritos de empolgação do público.

Mad Grinder (foto Victor Cavalcanti)
Mad Grinder (foto Victor Cavalcanti)

Red Boots e Mad Grinder trouxeram o já conhecido grunge pesado e sujo, acrescido das várias influências escolhidas, pra contrapor com o psicodelismo e experimentalismo que está presente na maior parte das bandas do festival. Mad Grinder vem com o vocal sujo e rasgado do baixista Rafaum Costa, um diferencial da banda que dessa vez cedeu espaço pra voz mais melódica do guitarrista Thassio Martins, um contraste interessante de se ouvir no meio de todo aquele peso.

Red Boots, por sua vez, ainda impressiona pela capacidade de apenas duas pessoas conseguirem fazer tanto barulho; o guitarrista Luan Rodrigues se desdobra em performances quase epiléticas que só acabam no último acorde do show, é muito divertido de assistir. A dupla acaba de lançar o clipe de Crucify, música do novo álbum Touch the Void.

Quatro Astral (foto Luana Tayze)
Quatro Astral (foto Luana Tayze)

As bandas de fora eram o centro das atenções pra muitos que foram ao festival. Necro não escondeu suas influências em Black Sabbath, misturou vozes feminina e masculina com uma bateria pesada e psicodelismo, me levando direto pros finados anos 70; antes deles começarem, o lugar já estava lotado e acredito que pra muitos, foi a banda mais esperada da noite. Quarto Astral, por sua vez, funcionam melhor ao vivo que em estúdio, eles botaram muita gente pra dançar e foi uma das apresentações mais divertidas de assistir, pois ainda que a harmonia entre os integrantes fosse óbvia, eles eram muito diferentes visualmente, o que se tornava algo bem interessante de se ver; destaque pro baixista Felipe Perez, que com sua performance, parecia ter saído de uma banda de reggae, chamou a atenção e divertiu muita gente.

Rieg (foto Victor Cavalcanti)
Rieg (foto Victor Cavalcanti)

A banda que mais me impressionou foi Rieg. Enquanto umas preparavam seus instrumentos, Rieg também fazia isso, mas colocou luzes, projeção, televisão fora do ar… Eles realmente se esforçaram pra criar um ambiente condizente com sua música  e conseguiram. Falando em música, a deles foi a mais diferente que já ouvi em toda a minha vida, tanto que no começo teve aquele estranhamento e não sabia dizer se gostava, igual a comer algo pela primeira vez. Também foi a primeira vez que assisti a um show de uma banda sem guitarra. Eles me prenderam a atenção do começo ao fim, experiência marcante e única, show único, uma pena que foi a última apresentação do festival e nem todos viram.

O evento foi um sucesso não só pelo que trouxe além da música, mas também pela escolha do ambiente, as bandas pareciam ter sido selecionadas a dedo e a qualidade do som estava muito boa, essa última sendo uma raridade nos festivais em Natal. É só uma questão de tempo pra que o festival ganhe notoriedade e mais público, mas enquanto não acontece outro, nos resta aguardar os lançamentos da Catamaran Discos. Breno Edon mostra um pouco do que rolou pra quem ficou com saudade e pra quem não viu: