Into the wild: um mundo sem mentiras

Em uma noite tediosa e ventilada de verão, amigos se reúnem para assistir a mais um episódio de The Walking Dead, porém a preguiça (ou a providência, vai saber…) nos levou ao Corujão da Globo, que estava mostrando os créditos iniciais de Na Natureza Selvagem (título brasileiro). O filme, lançado em 2007 e dirigido por Sean Penn, foi baseado no livro de mesmo título escrito pelo jornalista Jon Krakauer e conta a história real de Christopher McCandless, jovem de 22 anos que acaba de sair da universidade e decide se aventurar pelas terras norte-americanas até chegar ao Alasca, seu sonho e destino.

Christopher McCandless (acima) é interpretado por Emile Hirsch (abaixo).

O filme nos mostra uma influente família americana saudável e tranquila, mas corrompida pelo dinheiro, mentiras, materialismo e consumismo que a mídia e costumes locais tanto estimulam. Christopher tinha uma convicção dentro de si de que esse não era o seu conceito de felicidade, então para romper essas amarras e limpar seus olhos, doou todo o seu dinheiro e mudou de identidade para buscar uma experiência que estivesse acima de todo o materialismo pelo qual esteve sujeito por tanto tempo. Nunca se demorando muito no mesmo local, Chris chegou até parte do México, arrumou empregos temporários pelo caminho, conheceu hippies, se apaixonou, cantou, andou de canoa, se escondeu na boleia de trens, tocou violão, se tornou símbolo de resistência, riu, chorou… Viveu. Apesar de todas as experiências encontradas pelo caminho, Chris queria o Alasca porque poderia de fato estar longe do homem e em contato com o primitivo, com a natureza pura e inalterada.

O diretor Sean Penn consegue tirar o filme do convencional quando intercala a interpretação de Emile Hirsch com as narrações nostálgicas e melancólicas de Carine McCandless (Jena Malone), irmã do Chris, narrações que nos fazem vagar fluida e lentamente naquele mar de lembranças tristes e doces. Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, também teve um papel decisivo ao compor toda a trilha sonora, resultando num disco homônimo composto por 11 canções. Com sua voz simples, grave e com uma tristeza interior comovente, ele nos traz canções hipnotizantes e intimistas, que nos fazem ficar em silêncio a cada nota musical e sua música chega na parte do nosso ser que vai além da alma, aquela parte na qual não é possível mentir: o instintivo. No fim do filme, o que sobra é um abalo dentro de si, raiva por o homem estar se tornando o lobo dele mesmo, mas acima de tudo, Chris nos deixa a mensagem de que precisamos viver pensando no próximo sim, mas não deixando nunca, jamais, que te digam como se deve ser feliz. Só você pode saber isso.