Quinta-feira, nove horas da noite e muita vontade de prestigiar a potiguar Khrystal – cujos shows eu só havia assistido ao vivo em eventos gratuitos e circuitos alternativos – preenchendo o espaço do Teatro Riachuelo. Definitivamente, “ótima” é o mínimo o que aquela noite poderia ser!

Fotos: Andressa Vieira

Fotos: Andressa Vieira

Preencher é um verbo muito adequado quando falamos de Khrystal. Sua presença, música e voz invadem qualquer espaço onde ela esteja, do mais popular ao mais refinado e da rua à televisão (quem acompanhou a última edição do programa The Voice Brasil sabe muito bem disso!).

O show em questão tinha como principal intenção fechar um ciclo na sua carreira que, se como auge alguns podem pensar que foi o The Voice, para ela (algo me diz que) foi essa noite: um show na sua casa onde ela foi a protagonista no maior estilo!

Primeiro Tempo

Com toda a pompa que as noites especiais exigem, eis que ela entra no palco num poderoso e sensual visual preto: saia longa transparente de tule por cima de um shortinho mostrando as pernas, um body decotado de costas nuas, cabelos amarrados num penteado alto e sandálias de salto. Acostumada que eu sou com seu visual geralmente mais despojado e colorido, achei simplesmente demais! A cantora, com dois CDs gravados, muita bagagem musical nas costas e dona de uma nordestinidade deliciosa, mostra que a cultura tradicional nordestina não é ela, mas faz parte dela. Ela é muitas!

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Khrystal e banda no palco do Teatro Riachuelo

Para começar, cantou a música “Arranha-céu”, primeira faixa do seu último CD Dois Tempos. Sanfona-entra, sanfona-sai, seguiu com a música que dá nome ao CD. E que letra, vejam só:

“Troca de vida comigo em dois tempos tu vai me dizer
Que eu sou é muito artista e não seja não pra você ver
Mato meu leão todo dia pra não ver o meu canto calado morrer.”

“Vou aqui dar conta do meu serviço”, diz à plateia com muito nervosismo e em meio a muitos elogios que faço questão de reproduzir aqui: Linda, maravilhosa, gostooooosa!

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E seeeegue o passeio! Agora com a canção “O Trem” que traz, na minha opinião, carrega alguns dos seus melhores versos:

“Comida sem farinha é o mesmo que trepar sem beijar
(…)
Que a vida a dois é feito rapadura
Que é doce mas não é mole não”.

Ela sabe das coisas.

No que diz respeito à parte técnica do show, a presença de Khrystal e sua banda bastaram, quase me fazendo passar despercebido a ausência de um cenário especial. O áudio impecável (sem deixar que a banda ou a voz da cantora brigassem entre si), a moldura que a banda fazia à artista e a iluminação predominantemente rosa, em especial quando a cantora estava de preto, foram suficientes.

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Porque, como bem cantou em “Bem ou Mal”, “casaco é chique, mas aqui é quente” e, depois de muita cantoria – uma delas com a participação da cantora potiguar Camila Masiso –, das interpretações emocionantes, das músicas “Carcará” e “Caravana” e de muito mais música boa, ela desce do salto e entra novamente no palco de cabelos soltos, vestido leve e longo e pés descalços: a Khrystal que conhecemos!

Pausa. E voltemos ao momento entre a saída e a entrada de Khrystal no palco. Que banda maravilhosa! Quando haverá um show só dela, hein? Depois de visualizar o Carcará de Khrystal voando por entre as poltronas, entrar na Caravana de Geraldo Azevedo e ouvir as Últimas Palavras do Anjo Diluidor, eu viajei foi naquele som e nas vozes dos instrumentos. Samba, xote, embolada, rock, jazz? Eu sei lá! Tudo isso foi muito bem misturado para construir os arranjos que acompanharam todo o show com muito cuidado e que foram muito bem ouvidos e sentidos naquele momento. A sanfona, em especial, era executada nas horas certas, sem parecer uma intrusa ou uma estrangeira desastrada no meio dos cosmopolitas baixo, guitarra e bateria.

Segundo Tempo

Por incrível que pareça: sim, tinha como ficar melhor. E ficou! Entrou no palco um quarteto de metais e Khrystal mostra-se, apesar do nervosismo, mais à vontade: percorre todo o palco como que reconhecendo o espaço, e arremata as canções “Pássaro do Futuro”, de Alceu e “Respeitem meus cabelos brancos”, de Chico César. Menção honrosa para a música “Cara do Brasil”, cuja letra de intensa crítica social nos remete imediatamente às suas composições, em especial a “Zona Norte, Zona Sul”. Nesse momento Khrystal escancarou cada palavra, recitou e esticou-a bem como que para fazer com que a gente entendesse direitinho sua mensagem. Lindo!

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Em seguida, a música cuja interpretação a fez ser conhecida pelos quatro cantos do Brasil. “A Carne” começa assim como que num susto, porque não é o susto e o incômodo sua razão de ser? Khrystal ela bate no rosto e conta pra gente quem segurou e segura esse Brasil no braço.

Mais música, mais música.

E ela surpreende com a canção que dá nome ao seu primeiro CD, a “Coisa de Preto”. Não dava mais pra segurar, me levantei pra dançar! Para emendar muito bem, “Zona Norte, Zona Sul” e, em seguida, “Potiguaras Guaranis” e os gestos de bater no braço que ela sempre faz – e eu adoro – quando canta que “Meu sangue é mel / É mel de rapadura / Minha pele é um gibão de couro / E eu vou lhe mostrar”.

Prorrogação

Tudo que é bom merece bis! A plateia do show sabia bem disso e Khrystal presenteia a todos com a “Canção da Despedida”, de Geraldo Azevedo.

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Mas, pode já querer bis do show todo? De preferência um com Khrystal bebericando algo mais forte do que água, como ela mesma sugeriu!

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