O ser humano é um bicho fascinante, não é? Capaz das mais belas coisas; e também das mais horrendas. Drummond dizia que cada um de nós é um estranho impar, e, de fato, o poeta tinha razão. É disso que se trata “Killer Joe” (2011): de gente estranha e fascinantemente degenerada. A película é de direção de William Friedkin, culpado por, nada mais, na menos, que o clássico “O Exorcista”, “Operação França”, entre outros.

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A trama gira em torno de um plano para por a mão no dinheiro de uma apólice de seguro de vida. Para isso, Chris (Emile Hirsh) contrata Joe Cooper (Matthew McConaughey) – o assassino que dá nome ao filme – para dar cabo da vida de sua própria mãe, dona da apólice. Joe, que nas horas vagas é policial, no entanto, só recebe adiantado por seus serviços; porém, Chris só pode pagar após receber o dito dinheiro do seguro. O matador então sugere tomar uma garantia, que é Dottie (Juno Temple), a bela e demente irmã de Chris. Compactuando com o maléfico plano estão o pai e a madrasta dos jovens.

Paralelamente ao eixo central da história, o personagem de Hirsch é perseguido pelo manda-chuva do crime da cidade, que quer receber uma quantia devida pelo jovem troublemaker; já o assassino Joe começa a desfrutar, sexualmente, de sua garantia. Os acontecimentos, quase inverossímeis para qualquer ser humano normal, começam a se intensificar, e a trama vai se desenhando, culminando em um êxtase totalmente caótico, violento e com certa dose de humor (negro).

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De início, a história carece um pouco de ritmo, pois tudo acontece de forma muito rápida, mas no decorrer do filme, a trama consegue prender  o espectador de forma empolgante. Destaque para a atuação de McConaughey, segura e convincente; ele consegue pular de um homem calmo e de fala mansa para um sádico que sente prazer com o sofrimento que causa ao outro, que gosta de ter a vida das pessoas sob seu controle.

Killer Joe pode chocar os mais sensíveis por conta do uso da nudez e de cenas que flertam com a ultraviolência (nunca mais uma coxa de galinha será vista da mesma forma), mas merece ser visto. É um filme sobre o quão egoístas e desumanas as pessoas podem ser, e como isso pode ser natural. Não há mensagem bonita, nem final esperado, é violência e pronto.

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Uma salva de palmas para Friedkin, que em já avançada idade nos brinda com uma história seca e que foge da mesmice. Um gentil soco no estômago.

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