Kon-Tiki: produção norueguesa encanta pela perfeição técnica

A produção norueguesa “Kon-Tiki” segue os padrões hollywoodianos em montagem, conceito e grandiosidade. Não é de hoje que norte europeu sempre rendeu bons projetos cinematográficos, logo no início desse ano tive a oportunidade de conferir dois ótimos filmes oriundos de lá: “O Amante da Rainha” (Dinamarca) e “Kon-Tiki”. Inspirado na história do explorador, etnógrafo e arqueólogo norueguês, Thor Heyerdahl, o longa narra a expedição arrojada que tinha tudo para ser um fiasco. Heyerdahl passou cerca de dez anos estudando os costumes polinésios, tempo suficiente para elaborar, uma controversa, teoria a respeito da colonização da Polinésia Francesa.

Cenas em alto mar foram rodadas em locações paradisíacas das Ilhas Maldivas e Tailândia

Kon-Tiki foi o nome da jangada utilizado pelo explorador norueguês Thor Heyerdahl em sua expedição pelo Oceano Pacífico da América do Sul à Polinésia, em 1947. A embarcação homenageava o deus do sol inca, Viracocha, também chamado de “Kon-Tiki” pelos polinésios. Thor embarcou do Peru juntamente com quatro corajosos tripulantes com intuito de mostrar a possibilidade de que a colonização da Polinésia tinha sido realizada por via marítima por indígenas da América do Sul.

Certo e cego de seus estudos, Thor teve sua tese rechaçada por acadêmicos e via como única maneira de provar que sua teoria estava certa era construindo uma jangada idêntica à usada pelos Mochicas (antiga civilização peruana) e lançando-se ao mar com: Herman Watzinger (Anders Baasmo Christiansen), Bengt Danielsson (Gustaf Skarsgard) e Erik Hesselberg (Odd Magnus Williamson). Durante a expedição, a embarcação foi conduzida apenas pelas marés, correntes e força do vento, que é quase constante, na direção leste-oeste ao longo do Equador. Para a segurança da tripulação, a expedição dispunha de equipamentos como rádio, relógios, mapas, sextantes e facas.

A balsa Kon-Tiki foi feita do mesmo modo das antigas embarcações utilizadas pela civilizações antigas peruanas

A semelhança entre o ator Pål Sverre Valheim Hagen e o verdadeiro Thor é impressionante, não só ele como os demais atores são extremamente parecido com os verdadeiros tripulantes. Rodado nas Maldivas, Bulgária, Malta, Nova York, Oslo, Suécia e Tailândia, o filme usou poucos recursos de computação gráfica para as cenas no mar, diferente da arrasa quarteirões “As Aventuras de Pi”.

Devidamente registrada, a aventura Heyerdahl e Olle Nordemar foi vencedora do Oscar de melhor documentário em 1950. Thor redigiu dois livros que falam de suas experiências, “Os Índios Americanos no Pacífico” e “A Expedição Kon-Tiki”, sendo o segundo um enorme sucesso de vendas. O longa que foi a produção mais cara já rodada na Noruega, orçada em 16,4 milhões de dólares é assinada pela dupla de diretores: Joachim Roenning e Espen Sandberg. O seu roteiro é envolvente e cativante, como as boas histórias de aventura devem ser. No que diz respeito a parte técnica, devo tirar o chapéu para a equipe responsável pela direção de arte e maquiagem que não errou a mão na hora de caracterizar os atores.

Entre tempestades, turbulências e tubarões, a tripulação do Kon-Tiki sobreviveu

Kon-Tiki tem previsão para entrar em cartaz nos cinemas brasileiros no final de março deste ano e sem dúvidas vale a pena conferir a aventura de Thor Heyerdahl e companhia, de preferência, em alta definição em uma telona.