'Mãe Só Há Uma': um roteiro tão confuso quanto a história que reconstitui
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Anna Muylaert, vencedora do prêmio Sundance de 2015 por Que Horas Ela Volta? e a mais nova brasileira na bancada de jurados do Oscar, retorna aos cinemas com sua nova produção, Mãe Só Há Uma. O filme narra a história de Pierre/Felipe (Naomi Nero), que descobre por meio de um exame de DNA que sua mãe Aracy (Dani Nefussi) não é sua mãe biológica e que foi roubado na maternidade. A obra é baseada no famoso caso Pedrinho, que aconteceu em 2002 e chocou todo o país.

O filme acompanha a adolescência de Pierre, que precisa mudar completamente de vida e ir morar com seus pais biológicos, Glória (Dani Nefussi) e Matheus (Matheus Nachtergaele), e seu irmão biológico Joca (Daniel Botelho). Desde o primeiro encontro com seus pais até o momento de ir morar com eles, Pierre se sente desconfortável em mudar de vida e não aceita o fato de ter novos pais.

Na primeira hora do longa, Anna consegue transmitir e desenvolver bem seus personagens, preparando-nos para amar e odiar o protagonista. Dessa forma, somos apresentados a um conceito de dupla identidade. Pierre, apesar de recluso, é feliz com sua mãe e irmã “de criação” numa casa simples, onde tem seus envolvimentos amorosos e toca numa banda de rock. Na outra dimensão, Felipe, por causa do pouco tempo que passou com os seus pais biológicos, encarcera-se ainda mais dentro de seu mundo. O novo garoto não se identifica com ninguém da sua nova vida, a não ser seu irmão que, às vezes, o compreendia para forçar a convivência.

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É na condução, principalmente, do novo irmão de Felipe – Joca – na trama que fica mais evidente que o roteiro de Anna se perde. O personagem é parcamente desenvolvido. Seu ambiente escolar aparece sem uma forte explicação: apenas para justificar o porquê dele estar chateado com alguma coisa. Anna também não deixa claro o verdadeiro motivo dele ter terminado um relacionamento e nem o motivo do personagem ser piada na escola. No fim das contas, Joca acaba se tornando apenas uma escada para tentar desenvolver o personagem principal após a mudança de família, ou seja, Felipe.

Um destaque positivo é a entrega cênica de Matheus Nachtergaele, que toma a trama para si de um jeito arrebatador. As cenas nas quais o experiente ator participa juntamente com Naomi Nero são de encher os olhos de lágrimas devido ao conflito de gerações: um pai conservador e um filho com dúvidas quanto à sexualidade tentando vencer cada um os seus preconceitos. A atriz Dani Nefussi, como a nova mãe de Felipe, também nos presenteia com uma vigorosa atuação em um forte personagem, de uma mãe que, após 17 anos sem seu filho, o protege com todas as forças.

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Quanto à fotografia e outras questões técnicas, como trilha sonora e figurino, o filme é tão sucinto quanto Que Horas Ela Volta?. O diferencial, no entanto, está na movimentação de câmeras, bem mais velozes, imprimindo um certo dinamismo na hora de contar a história. Apesar das falhas no roteiro, vale a pena conferi-lo. Mesmo que não seja uma verdadeira obra de arte como foi o último filme de Anna Muylaert.

Em Cartaz

Cinema de Arte do Cinépolis Natal Shopping

Segunda a sexta – 19h30

Sábado e domingo – 14h20

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