Para alguns é apenas um brinde de livrarias que facilita a rotina da leitura, para outros é uma paixão que se cultiva de uma coleção que cresce. Esses são os marcadores de página. Aqueles que as editoras decidiram produzir um modelo equivalente a cada livro publicado e deixar os colecionadores paranoicos na expectativa de completar uma wishlist que aumenta a cada dia.

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Foi achando fofo que decidi entrar nessa onda e foi ficando louca que descobri a existência de hashtags no Instagram e grupos no Facebook criados única e exclusivamente para a troca desses preciosos. E enquanto uns amassam, jogam fora ou esquecem em meio a páginas perdidas, outros cuidam como filhos, negociam a distância e desembolsam poupanças para garantir o exemplar.

Se formos considerar que são entregues gratuitamente, a comercialização do produto chega a ser mercenária. Porém, é impossível julgar quem se torna vítima do vício e não tem os mesmos recursos locais dos grandes polos para tirá-los da abstinência.

Determinadas editoras alimentam o sistema e criam departamentos dedicados a receber e-mails de solicitação, separar exemplares, etiquetar envelopes e destinar aos correios. Assim, aqueles leitores que se sentirem interessados podem, num simples clique na aba “Fale Conosco”, aumentar a coleção com a chegada de uma carta em algumas semanas. Entretanto, é preciso selecionar a empresa corretamente. A nível nacional, editoras como a Novo Conceito e a Companhia das Letras são adeptas à “doação”, mas outras preferem optar por formas menos universais, como sorteios ou brindes de compra.

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Numa simples pesquisa no Google é possível observar que a prática é bem comum e que também tem despertado tanto o lado artístico como intelectual dos que convivem. No primeiro ponto, alguns inauguram vlogs para mostrar e ensinar a criar novos modelos menos editoriais, mais alternativos e curiosamente criativos. Enquanto no segundo, outros pensam em transformar a análise da estrutura, variada de acordo com a editora de origem, objeto de estudo de monografias (pessoalmente, é uma das minhas ideias).

Talvez, se você questionar a razão de tal atitude para alguém que tenha o hábito, ela não responda algo muito melhor do que “acho bonito”, “me interessa” ou “sempre colecionei alguma coisa” – foi o que eu e minhas amigas selecionamos –, mas ela, com certeza, afirmará que é importante, que se sente bem e que se tornou uma extensão do amor pela leitura. É o grande dilema de fazer e não saber por quê. Realmente como um efeito cocaína: não é possível se controlar.

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Pseudo-escritora com um pé em artes cênicas, decidiu se mediar entre dois mundos e cursar jornalismo. Apaixonada por literatura, fotografia e Canadá, quer abraçar o mundo com as pernas e mantém em um caderninho uma lista de sonhos, desejos e objetivos ainda a serem alcançados. Para dar cor a vida, escreve em blogs, fotografa espontaneidade e produz audiovisuais.

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One Response

  1. Poesia não dá dinheiro, e agora? | O Chaplin

    […] Enquanto já é bem mais fácil ler na internet – ainda bem! -, publicar um livro e distribui-lo ainda é um processo caro e cheio de incertezas. Por causa disso, muitas editoras vêm comercializando todo tipo de coisa, além dos livros em si: camisetas, bottons, canetas, canecas… tudo. Até marcador de página está sendo vendido hoje em dia, já que virou artigo de colecionador. […]

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