Minha Lista Infinita de Filmes – Prólogo

Fazer listas é um hábito perigoso. Claro, é uma boa forma de se organizar e tentar lembrar de tudo (compras e afazeres, etc.), mas uma lista aberta quase certamente é contaminada por ambição excessiva e se torna impossível de ser cumprida. Exemplo: uma lista de lugares que você gostaria de conhecer, se não envolve alvos improváveis (Marte), possivelmente pode envolver tantos lugares que dificilmente você conseguirá visitar durante toda a sua vida. Isso sem falar das prestações da CVC.

Dito isso, eu tenho um problema atual com uma lista, que cresce em uma velocidade muito maior do que consigo suprir: minha watchlist de filmes do IMDb. (Preciso falar sobre o IMDb? Não? Todo mundo com mínimo interesse por filmes já acessa várias vezes ao dia? Ok.)

Cena de O Jardim das Palavras (2013), animação japonesa que está na lista.

Não é que eu não soubesse disso antes, mas o maior catálogo de fichas técnicas de filmes à disposição da humanidade permite aos usuários adicionar filmes a uma lista pessoal, e em fins do ano passado eu percebi que seria a melhor forma de não esquecer de determinado filme e de consultar em um momento de dúvida acerca do que assistir depois.

O problema é que filmes entram na lista em uma velocidade muito maior do que os filmes saem da lista. Imagine o dilema que muitos têm com a watchlist do Netflix só que aplicado A TODOS OS FILMES JÁ FEITOS PELA HUMANIDADE. É complicado. Como já dizia Galvão Bueno, a física não permite.

E é uma boa lista, uma eclética lista. Não coloco nela filmes mainstream que vão sair no cinema, como Alien: Covenant ou qualquer coisa genérica e previsível da Marvel que eu vou pagar para assistir porque sou otário (2008 – ∞). Entram nela animações como Princesa Monoke (1997) ou O Jardim das Palavras (2013), filmes independentes aclamados pela crítica, mas que escaparam ao meu radar, como Valsa com Bashir (2008) e O Abrigo (2011), Kurosawas como Homem Mau Dorme Bem (1960) e Kagemusha (1980), clássicos como Sindicato de Ladrões (1954) e Aurora (1927), além de filmes trash/cult como Maníaco (1980/2012) e Eles Vivem (1988), sem falar de filmes estranhos como Arca Russa (2002), Narciso Negro (1947) e Eraserhead (1977) – mas não Pink Flamingos (1972), porque um homem precisa conhecer seus limites.

Kathleen Byron em Narciso Negro (1947).

Esse ano, alguns bons filmes foram resgatados. Sanjuro (1962) (divertidíssimo), Rastros de Ódio (1956) (absolutamente genial), Os Olhos sem Rosto (1960) (pioneiro) e A Mosca (1986) (esperava mais), entre outros, saíram da lista. E até o final do ano eu termino Solaris (1972) (cara, o Tarkovsky é difícil).

Mas ao mesmo tempo, dezenas de filmes entraram na lista. La La Land (2016) fez entrar na lista Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), o novo filme do John Wick me fez colocar O Círculo Vermelho (1970), um episódio de Community me fez colocar Golpe de Mestre (1973) e acompanhar as listas de filmes do vlog Cinefix foi um erro estratégico: Rosencrantz & Guildenstern Estão Mortos (1990), Meu Jantar com André (1981), Memórias de um Assassino (2003) e muitos outros entraram na lista dessa forma.

Hoje, eu conto 97 filmes e parei de adicionar filmes há algum tempo para manter a sanidade. Ok, você pode dizer, não são lá tantos, se eu assistir um filme todo o dia em pouco mais de 3 meses a lista zera. Mas isso não existe. Entre trabalho, obrigações domésticas, atividade física, e todos os filmes mais recentes que eu já assisto, a lista demora a andar. E as minhas séries, quem vai assistir minhas séries?!?!

Cena de Stalker (1979), drama soviético também na lista.

Enquanto isso, a lista fica maior. E maior, e maior. Vários filmes clássicos e alternativos ficaram de fora, mas não vai demorar muito para eu cruzar com as fichas deles em minhas andanças no IMDb, fazendo com que eles acabem na lista. Minha lista também tem algumas falhas vergonhosas. Não está nela nenhum representante do Cinema Novo (francamente, Diego Paes) e ignora completamente o cinema africano, sobre o qual, confesso, sou um completo ignorante (acho que minha mentalidade cinéfila precisa refletir um pouco sobre Dussel e as relações centro-periferia).

Bom, toda essa introdução foi para dizer que resolvi fazer desse limão uma limonada e começar uma coluna no digníssimo Blog para compartilhar os achados da lista. Com uma vibe menos resenha e mais análise, a ideia é compartilhar informações sobre os filmes conforme vão saindo da lista, com a total intenção de contribuir com listas alheias (e aumentar os problemas de vocês, que com certeza possuem listas pessoais gigantescas). Minha intenção era começar com o neozelandês A Incrível Aventura de Rick Baker (2016) que saiu da lista semana passada e já entrou retroativamente na minha lista de melhores filmes de 2016. Mas esse texto acabou ficando muito grande, então vamos falar sobre ele no próximo post. Até lá!