“Só gosto do que é antigo,
castigo!”

 Este é um versinho que me acompanha desde sempre. Gostar do que é antigo, do que já foi. Querer o bom de outras épocas é algo tão unânime, a gente sempre tem um pé em alguma década que não seja a nossa, e a música tem esse poder de nos levar além.

Em contrapartida, vejo sempre uma busca disto que passou para o tempo em que vivemos, frases como “não se faz mais música como antes” é tão clichê como um “bom dia” numa manhã de segunda-feira. Sim, não há como negar que a maioria das composições que revolucionaram nossa música foi composta no século passado, mas daí a fechar os olhos para os novos sons é um tanto saudosista demais.

O bom sempre será novo, mesmo que antigo ou atual, o bom é sempre bom. Acredito que atualmente temos sim uma larga produção musical de qualidade. Na verdade, o que não temos é uma divulgação satisfatória desses novos sons na “velha e grande mídia” brasileira. Aquilo que não vende, que não atende ao grande público, não tem espaço, mas não tem espaço porque o grande público nunca viu. Como a grande massa vai gostar de algo que nunca ouviu? Que não faz parte da sua cultura? Isto é círculo vicioso, cabe-nos a tarefa de quebrá-lo.

Não deixarei de escrever, de escutar e divulgar os nossos “velhos dinossauros”, mas por crer no poder das mídias alternativas quero mais e mais buscar o novo e expandi-lo também. Esta introdução é meio que uma justificativa para o meu texto, já que quero “expandir” o meu vislumbre acerca de dois artistas das terras potiguares que pelos seus trabalhos já se mostram grandes no que fazem.

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Artur Soares, mossoroense, revelação no Festival MADA deste ano, encanta e inebria os ouvidos de quem se deleita sobre as doze faixas do seu álbum “Bodoque”. Sotaque que salta, poesia viva, música que vai além do Nordeste. Um passeio ao folk. Tem no seu “Bodoque” a solidez e maturidade musical de outras épocas, mas que bom que ele é desta.

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Link do seu álbum “Bodoque”

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Lá do Seridó do Rio Grande do Norte também trago o encantamento pelo álbum “Seridolendas”, do músico e compositor Wescley Gama (à direita). Guitarrista, cantor, compositor e produtor cultural, musicou boa parte do seu álbum sobre as composições da poetisa Iara Maria Carvalho. Wescley já tocou no Centro Cultural do Banco do Nordeste de Fortaleza/CE e Sousa/PB, na programação alternativa do Festival Nacional de Artes de Areia/PB e na programação alternativa da FLIP em Paraty/RJ.

A obra é de uma profundidade mística, é densa, o próprio título já remonta a homenagem à cultura da região do Seridó. Com composições que retomam o velho blues norte-americano a exemplo da faixa “Chico Caetano”, a psicodelia setentista com a faixa “Circo” e a leveza clássica da instrumental “Caminho para gargalheiras”, Seridolendas já se faz obra-prima poética do sertão brasileiro, berço de todos nós.

Capa Seridolendas

Capa Seridolendas

One Response

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    Wescley J. Gama

    Valeu, Ana! Belo texto! Obrigado pela divugalção do trabalho! Foi feito com muita vontade!

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