Quando você junta, em uma só produção, o roteiro de um escritor experiente, um diretor reconhecido e premiado, e cinco atores do primeiro escalão de Hollywood o mínimo que se espera é algo decente. Infelizmente, isso não acontece em “O Conselheiro do Crime” (The Counselor, 2013), filme dirigido por Ridley Scott, de roteiro do escritor Cormac McCarthy, autor de No Country for Old Men, cuja adaptação cinematográfica dos irmão Coen recebeu o Oscar de melhor filme em 2008.

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O que se pode dizer sobre o enredo é que o filme conta a história de um advogado conhecido como “O Conselheiro” (Michael Fassbender), e seus relacionamentos perigosos no ramo do tráfico de drogas. No meio disso, temos a relação amorosa dele com a bela e ingênua Laura (Penélope Cruz), os envolvimentos com os poderosos Reiner (Javier Bardem) e Weastray (Brad Pitt), o contato profissional com a presidiária Ruth (Rosie Perez) e todos os outros laços interpessoais que se emaranham no decorrer do filme.

O filme não começa mal. Ora, o mínimo que uma cena de sexo entre Penélope Cruz e Michael Fassbender pode provocar é chamar a atenção do espectador, que começa desesperadamente a tentar entender o enredo. O problema é que a cada momento essa parece ser uma tarefa mais difícil, com a sequência de cenas que não demonstram ter qualquer coerência narrativa. Mas nem tudo está perdido, se o espectador se esforçar um pouco em concentrar-se, certamente “O Conselheiro do Crime” não é um quebra-cabeça tão insolúvel. Mas, certamente, é um quebra-cabeça que peca bastante em sua construção.

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O figurino não é um forte do filme. Vide personagem de Javier Bardem (esquerda)

Podemos dizer que o maior mérito de “O Conselheiro do Crime” são seus diálogos. Por vezes, longos, e alguns, completamente surreais, em sua maioria provocam gargalhadas ou identificação, de alguma forma. Certas narrativas chocam aos mais conservadores, mas a agressividade do filme, nesse aspecto, cativa. Alguns momentos, embora completamente desnecessários para o filme em si, nos ajudam a nos aproximar de cada personagem. Ouvir o que pensam é o mais próximo que vamos chegar deles, visto que todos são terrivelmente mal-construídos.

As más atuações da maioria dos papéis contribuem bastante para essa impressão. Javier Bardem e Cameron Diaz estão horríveis (não que possamos esperar muito de Cameron Diaz em um filme sério), já Brad Pitt, Michael Fassbender e Penélope Cruz estão normais, em atuações medianas, para não dizer desnecessárias em seus currículos. Chamo a atenção para a aparição de Natalie Dormer, por quem tenho um grande apreço desde que assisti à série da Showtime, The Tudors. Dormer aparece em duas cenas, como uma personagem que sequer leva um nome, mas consegue chamar mais atenção que Cameron Diaz, quando contracenam juntas.

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Outro ponto a ser observado – e que ajuda na compreensão da película – é a presença de uma dupla de guepardos, bastante significativos no enredo. Os felinos se saem melhores atores e  mais relevantes que muitos personagens, convém dizer. Chegando perto do spoiler, atento àqueles que já assistiram ao filme ou aos que ainda pretendem assistir para o simbolismo que os animais representam com relação à personagem de Cameron Diaz.

FOX_CDC_Poster_low-20130927123553-1155025-f1e591bfadefc4af12e7d48478315738O filme tem fotografia e locações dignas de atenção. A trilha sonora, praticamente silenciosa, também é coerente com o ritmo e a tensão do filme. Mas tudo isso passa quase despercebido em uma história que faz questão de ser  propositalmente confusa. O espectador persevera pelas quase duas horas de duração da película esperando um ponto de virada, ou um momento de clímax realmente relevante, que só chega perto do fim.

Trocando em miúdos, podemos dizer que “O Conselheiro do Crime” é uma fusão de cenas isoladas, que não fazem questão de explicitamente se relacionarem entre si (embora tenham uma relação, e esse é Ridley Scott não subestimando o seu espectador). Algumas das cenas são boas o bastante para valerem à pena a ida ao cinema. A maioria, e a totalidade delas, constituem uma produção desnecessária e desinteressante. Uma pena em se tratando dos nomes envolvidos.

Para o meu título fazer sentido, explico: sangue chega a ser um personagem no filme, tamanha é a sua importância. Há várias mortes, de formas tradicionais e algumas mais criativas, também. Na verdade, não poderia ser diferente, considerando que estamos falando do tráfico na fronteira EUA/México. Portanto, a “mancha” remete à minha opinião negativa com relação à película. E “vermelha” remete a um dos elementos que me fizeram desgostar do filme: o excesso de sangue. Mas esse é um problema pessoal, as mortes são até arrumadinhas e os amantes do gênero certamente apreciarão.

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