A poesia é um ato intrínseco à natureza humana, é uma manifestação aparentemente simples, mas nascida do elo entre a necessidade que todos temos de nos expressar e da habilidade que possuímos em transformar os sentimentos em versos. A literatura se divide em diferentes vertentes, entre elas a poesia, e como não poderia ser diferente, o Festival Literário de Natal (FLIN) também a festeja. Para falar um pouco sobre poesia, inspiração, criatividade e a capacidade de trabalhar com produção de livros, a edição 2015 do festival convidou a escritora pernambucana Clarice Freire, 27, para falar sobre tudo isso e muito mais.

Foto: Gustavo Nogueira

Foto: Gustavo Nogueira

Num bate papo super descontraído, tendo uma plateia repleta de crianças de todas as idades, vindas de diferentes escolas públicas da cidade do Natal, Clarice teve a tarefa de relatar a sua trajetória de escritora para uma geração de jovens mentes e corações, que por ventura deste encontro, pode gerar futuros escritores. Torçamos!

Mas o fato que eu queria descrever pra vocês era a intimidade com que a autora conversava com essas pequenas mentes. “Hoje de manhã tive um outro bate-papo, seguiu o mesmo estilo desse. O importante é esse contato com os novos leitores, saber o que eles pensam”, disse a escritora. Clarice explicou para os alunos como surgiu a sua página, “Pó de Lua”, que hoje conta com mais de 1 milhão e 200 mil curtidas, seu processo de escrita e o lançamento de um livro pela Editora Intrínseca com o mesmo título – você pode ler a resenha que fizemos dele aqui.

A autora é a delicadeza em pessoa, sempre atenciosa não só com as perguntas que fazíamos sobre sua carreira e vida, como também com os pequenos que assistiam a sua apresentação. De forma simples, assim como sua escrita, caracterizada pela convergência entre a poesia e o desenho, Clarice explicou que desde pequena já escrevia e desenhava, mas preferia esconder por vergonha. Já adulta, formada em publicidade e trabalhando em agências, a autora ainda não acreditava no seu potencial, até o momento em que seus colegas de trabalho descobriram as poesias que ela jogava no lixo e incentivaram suas publicações.

De uma conversa com um antigo professor surgiu o título “Pó de Lua”, que viria dar voz ao seu trabalho literário. “Com esse incentivo, eu fui publicando as coisas que escrevia e colocava lá no blog. Nessa época já era amiga do Pedro Gabriel, autor do ‘Eu Me Chamo Antônio’, pois curtíamos as coisas um do outro e conversávamos muito sobre poesia. Aconteceu que ele chamou atenção dos editores da Intrínseca sobre o meu trabalho, até que um dia recebi um convite para publicar um livro por eles, e transformar aquela coisa tão intangível da internet em uma obra próxima dos meus leitores”, afirma.

Foto: Gustavo Nogueira

Foto: Gustavo Nogueira

O livro foi lançado há quase um ano e de lá pra cá muita coisa mudou na vida da autora: “Eu viajei para muitos lugares do Brasil, tanto na turnê de lançamento como em eventos literários. Eu sempre me encontrei com os meus leitores. Os do Sul têm um tipo de carinho, assim como os do Nordeste têm outro, e você vai vendo e conhecendo as pessoas de perto, ouvindo confidências das experiências delas com o livro e isso é realmente muito emocionante pra mim, eu sempre saio renovada. As melhores partes do meu trabalho são os encontros com os leitores e o meu momento de criação”.

Pra quem não sabe, Clarice Freire é filha do poeta Wilson Freire e prima do também escritor Marcelino Freire, ou seja, já nasceu rodeada por arte. A escritora afirma a total influência que as duas figuras representam no seu trabalho, pois ambos foram as suas primeiras referências. “Meu pai compunha músicas para Antônio Nóbrega lá em casa e eu ficava ouvindo aquilo, até o momento que ele pedia para eu completar suas poesias e parar de aperrear o seu trabalho. (risos) Marcelino participou com as suas peças de teatro, seus sarais… Livros como ‘Contos Negreiros’ e ‘Angu de Sangue’ me ajudaram. Eu aprendi que tinha dois mestres do meu lado”, relata Clarice com um largo sorriso no rosto.

Sobre a sua primeira participação no FLIN, a autora destacou a organização do evento, a participação e o interesse do público em prestigiar o festival e enfatizou a alegria em relação a sua mediadora no bate-papo, a pequena Isadora, de apenas 9 anos. Ela disse estar surpresa e completamente apaixonada pela espontaneidade da menina.

O FLIN segue até sábado, contando com debates, venda de livros, uma agenda cheia de escritores nacionais e locais para trocar ideias, incluindo também a ilustre participação do música e compositor Gilberto Gil, que integra uma mesa-redonda e faz show aberto ao público nesta sexta-feira, 6. Confira toda a programação do evento neste link.

Foto: Gustavo Nogueira

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