O polêmico gênero do terror circunda a sétima arte já faz muito tempo, entretanto o terror contemporâneo – como é chamado recentemente – tem trazido apenas grandes decepções cinematográficas, mas a grande pergunta é: Por que o terror tem ficado tão banalizado, tem cada vez menos surpreendido o telespectador? Provavelmente você, caro leitor, descobrirá nesta coluna.

O gênero terror surgiu no cinema há quase 119 anos, com o cineasta francês George Méliès, com Castelo de Demônios (1896). Entretanto, a palavra terror só se consolidou no cinema de fato, em 1919 no expressionismo alemão com O Gabinete do Dr. Caligari, clássico de Robert Wienne. Outro que também marcou época foi Nosferatu (1922) de W. Murnau também, pertencente ao movimento do expressionismo alemão. Hollywood se recusou por todo esse tempo a filmar este gênero, mas em 1920 O Médico e o Monstro consolidou de vez o gênero nos estúdios, que então se espalhou pelo mundo.

O Gabinete do Dr. Caligari

O Gabinete do Dr. Caligari

Depois do terror ter fincado seus pés no principal centro cinematográfico do mundo, a coisa tomou um gosto e assim filmes desse tipo eram feitos como água, na década de 50 por exemplo foi a era dos monstros que adoramos atualmente: Franskenstein e Drácula vieram à tona e ficaram conhecidos pelo mundo inteiro, além de consolidar Christopher Lee – um dos maiores vilões da história do cinema. Muitas das histórias de Edgar Allan Poe foram adaptadas, um grande exemplo da época foi O Corvo (1963).

Com o passar dos anos, o terror ficou mais característicos, sempre inovando em seus estilos, foi quando surgiu os suspenses, os assassinos em série, possessões, dentre outros sub-gêneros foram surgindo e explodindo em grande sucesso durante os anos. Com tudo isso sendo criado e divulgado ao público de vez, os cineastas responsáveis por grande parte desses sucessos, esgotaram toda a fonte e então o terror entrou em uma decadência inimaginável.

Nosferatu

Nosferatu

Muitos desses filmes ganharam sequências desnecessárias, cansando o público de tanto ver o rosto estampado dos vilões que marcaram época e também gerações. Outra teoria é que os jovens que tomaram sustos e mais sustos no cinema pela primeira vez acabaram se acostumando com a situação passaram isso para seus filhos – sim, esses filmes chegaram a transcender épocas com suas continuações – e assim a coisa foi se repetindo até a época de hoje. Outra coisa pode ser a violência instalada no mundo, ou o fácil acesso a conteúdos reais desse âmbito na internet.

Com a fonte completamente seca, não houve outra saída senão copiar os clássicos e trazê-los para a época atual, ou abordar o mesmo tema do mesmo jeito com a maior “cara de pau”, remakes também foram outro tipo de saída para muitos diretores e roteiristas, mas infelizmente a maioria não conseguiu atingir o público de forma esmagadora como os clássicos de anos atrás.

A resposta definitiva para resolver a falta de criatividade neste gênero seria extingui-lo? Claro que não, a resposta está estampada na pergunta, falta criatividade por parte dos roteiristas e diretores em pensar, não em algo novo que é quase impossível, mas do jeito de mostrar os mesmos temas, os mesmos sub-gêneros de modo diferente, uma fórmula que surpreenda e talvez não insista e/ou copie as fórmulas de fazer terror que estão espalhadas por outros filmes.

Uma curiosidade é que no Brasil o gênero terror surgiu com o saudoso Zé do Caixão com o filme À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), com ele dirigindo e atuando no papel principal, e que marcou época. Depois deste filme, Zé do Caixão estourou no Brasil inteiro e filmou outras dezenas de filmes como diretor, além de ser premiado internacionalmente.

É claro que não poderia faltar recomendações da minha parte de bons filmes de terror que passeiam desde os clássicos até os mais atuais, confira a lista:

No cinema
  1. O Gabinete do Dr. Caligari (1919);
  2. Nosferatu (1922);
  3. O Médico e o Monstro (1920);
  4. Drácula de Bram Stocker (1992);
  5. Psicose (1960);
  6. Os Pássaros (1963);
  7. O Bebê de Rosemary (1968);
  8. A Entidade (2012);
  9. Invocação do Mal (2013);
  10. The Babadook (2014);
  11. Halloween (1978).

Na literatura
  1. O Iluminado, de Stephen King;
  2. Frenesi, Heloísa Seixas;
  3. O Chamado de Cthulhu, H.P Lovecraft;
  4. O Corvo, Edgar Allan Poe;
  5. Escuridão Total, Sem Estrelas, Stephen King;
  6. Sexta-feira 13, David Grove;

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